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Engenheiro de minas deixou em 2012 o trabalho de planejar operações subterrâneas, passou a transformar resíduos em arte e ajudou a reunir 168.037 canudos num mar plástico de 8 metros que entrou para o Guinness

Engenheiro de minas deixou em 2012 o trabalho de planejar operações subterrâneas, passou a transformar resíduos em arte e ajudou a reunir 168.037 canudos num mar plástico de 8 metros que entrou para o Guinness

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Engenheiro de minas deixou em 2012 o trabalho de planejar operações subterrâneas, passou a transformar resíduos em arte e ajudou a reunir 168.037 canudos num mar plástico de 8 metros que entrou para o Guinness

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 17/08/2026 às 22:43

Meio Ambiente

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Benjamin Von Wong trabalhou com a Zero Waste Saigon e voluntários para transformar 168.037 canudos descartados em uma instalação gigante

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Da mineração subterrânea à arte ambiental, Benjamin Von Wong trabalhou com a Zero Waste Saigon e voluntários para transformar 168.037 canudos descartados em uma instalação gigante, atravessável e reconhecida pelo Guinness, mostrando em escala real como resíduos usados por poucos minutos podem formar um problema ambiental difícil de ignorar.

Benjamin Von Wong deixou em 2012 o trabalho de planejar operações subterrâneas e passou a construir imagens com resíduos. Anos depois, o engenheiro de minas ajudaria a reunir 168.037 canudos usados em um mar plástico de 8 metros reconhecido pelo Guinness no Vietnã.

A trajetória foi reunida por ON OFF, projeto de exposição virtual dedicado à arte com resíduos. O material registra sua formação, a passagem pela Golder Associates e a mudança profissional que o levou à fotografia e às instalações ambientais.

O recorde não pertenceu apenas ao artista canadense. A Zero Waste Saigon participou do projeto em Ho Chi Minh, enquanto voluntários ajudaram a transformar objetos pequenos e dispersos em uma estrutura grande o bastante para cercar os visitantes.

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Da engenharia de minas à arte construída com resíduos

Von Wong concluiu a graduação em engenharia de minas na McGill University em 2007. Depois, trabalhou na Golder Associates com planejamento e projeto de minas subterrâneas, atividade voltada a organizar estruturas e operações abaixo da superfície.

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Em 2012, ele deixou a engenharia e seguiu uma carreira artística. A mudança não apagou o olhar voltado para planejamento, escala e construção. Essas características reapareceram em trabalhos que exigiam equipes, grandes quantidades de material e montagem cuidadosa.

Sua produção passou a unir fotografia, cinema e instalações artísticas. Em vez de apresentar números ambientais apenas em textos, Von Wong começou a dar tamanho e forma aos resíduos, criando cenas que revelavam o volume escondido no consumo diário.

A coleta de 168.037 canudos levou seis meses

O material usado na instalação foi reunido durante seis meses. Os canudos descartados precisaram ser coletados, lavados, separados e organizados por cor antes de entrar na montagem realizada em Ho Chi Minh, no Vietnã.

A Zero Waste Saigon dividiu a realização com Von Wong. A participação da organização é essencial para entender o projeto, pois a obra nasceu de um esforço coletivo e não de uma ação realizada somente pelo artista.

A coleta de 168.037 canudos levou seis meses

Entre 20 e 50 voluntários ajudaram na construção ao longo de vários dias. Cada canudo parecia insignificante quando visto sozinho, mas a reunião de milhares deles revelou quanto plástico pode surgir de objetos utilizados por poucos minutos.

A contagem para o Guinness exigiu pesagem e conferência

O total de 168.037 canudos não veio de uma simples estimativa visual. A equipe usou uma balança de bagagem e uma planilha para medir o material, enquanto duas testemunhas independentes acompanharam a contagem e a conferência.

O procedimento permitiu documentar a quantidade apresentada ao Guinness. Em 2019, a instalação recebeu a certificação de maior escultura sustentada construída com canudos plásticos para bebidas.

A estrutura de 8 metros criou um mar plástico atravessável

A instalação alcançou 3,3 metros de altura, 8 metros de comprimento e 4,5 metros de largura. Os canudos formavam superfícies curvas e coloridas, semelhantes a duas ondas abertas no centro.

O espaço entre essas paredes permitia que as pessoas caminhassem pelo mar plástico. O visitante deixava de observar o resíduo à distância e passava a ficar fisicamente cercado pelo material descartado.

Imagem: The Last Straw / Reprodução

A fotografia ampliou esse efeito ao enquadrar as curvas como uma onda prestes a se fechar. A força da cena dependia da escala real, da organização das cores e da presença humana, que servia como referência para mostrar o tamanho da estrutura.

Outra obra reuniu cerca de 1,86 tonelada de lixo eletrônico

A experiência com os canudos não foi um caso isolado. ON OFF, projeto de exposição virtual dedicado à arte com resíduos, também apresenta o trabalho de Von Wong com aparelhos eletrônicos recuperados de um programa de reciclagem da Dell.

Nesse projeto realizado em 2017, o artista trabalhou com 4.100 libras de lixo eletrônico, quantidade equivalente a aproximadamente 1,86 tonelada. Computadores, cabos, teclados e outras peças descartadas foram organizados em cenários de aparência futurista.

O ponto em comum entre as duas obras está na escala. Canudos e aparelhos eletrônicos costumam desaparecer da vista após o descarte, mas voltam a ocupar espaço quando são reunidos em uma única composição.

Arte ambiental provoca reflexão, mas não substitui a reciclagem

Transformar resíduos em instalação artística não significa realizar reciclagem industrial. A reciclagem exige coleta, separação e processamento para que o material possa voltar à produção. A obra cumpre outra função: tornar o problema visível e provocar uma reação no público.

O mar plástico mostrou como objetos leves e aparentemente insignificantes se acumulam. Já o cenário com lixo eletrônico levou o mesmo raciocínio para equipamentos maiores e mais complexos, que também permanecem fora da vista depois do descarte.

A carreira de Benjamin Von Wong na engenharia terminou em 2012, mas planejamento, estrutura e medição continuaram presentes em sua produção. O Guinness reconheceu o resultado construído com a Zero Waste Saigon, sem apagar o trabalho dos voluntários que coletaram, prepararam, contaram e montaram os canudos.

Se um mar com 168.037 canudos já assusta, o que o consumo diário está criando longe dos nossos olhos? Comente e compartilhe.

Fonte

On Off


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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