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Engenheiro deixa São Paulo para tocar fazenda, abre 1 loja em Dourados, recebe aporte de R$ 400 milhões e, 40 anos depois, com 98 filiais em 12 estados e receita acima de R$ 2 bilhões, transforma Alvorada na maior rede de insumos agropecuários do país
Escrito por Roberta Souza
Publicado em 31/08/2026 às 16:48
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Feres Soubhia Filho acelera expansão após entrada da Kinea, passa de 1 a 3 novas lojas por ano para 16 a 17, investe cerca de R$ 100 milhões anuais e já se aproxima da 100ª unidade
Há 40 anos, Feres Soubhia Filho deixou São Paulo para cuidar da fazenda da família em Dourados, no Mato Grosso do Sul, e abriu uma pequena loja para atender pecuaristas da região. Quatro décadas depois, a Alvorada Produtos Agropecuários soma 98 filiais em 12 estados, registra receita superior a R$ 2 bilhões e se tornou a maior rede varejista de insumos agropecuários do Brasil, conforme informações publicadas pelo AgFeed.
A transformação ganhou velocidade no fim de 2022, quando a Kinea Investimentos, braço de investimentos alternativos do Itaú Unibanco, aportou R$ 400 milhões na companhia. Antes disso, a Alvorada abria entre uma e três unidades por ano. Desde 2023, porém, esse ritmo saltou para 16 a 17 novas lojas anualmente.
Agora, a empresa investe aproximadamente R$ 100 milhões por ano com recursos próprios, cresce na casa dos 40% anuais e mira manter a expansão até 2030. Ao mesmo tempo, amplia negócios em pecuária, agricultura, florestas plantadas e nutrição animal.
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Feres deixa São Paulo em 1986 e abre a primeira loja em Dourados
A história começou em 21 de agosto de 1986.
Naquele período, Feres Soubhia Filho deixou São Paulo para administrar a propriedade rural da família em Dourados. Como também era pecuarista, conhecia de perto as necessidades de quem criava gado na região.
Então, percebeu uma oportunidade.
O engenheiro abriu a primeira unidade da Alvorada Produtos Agropecuários justamente para atender aquele público.
Seu objetivo inicial era modesto. Segundo relato posterior do próprio empresário, ele sonhava em chegar a quatro lojas.
Entretanto, o agronegócio brasileiro mudou profundamente nas décadas seguintes.
As lavouras avançaram sobre áreas antes dominadas pela pecuária. Além disso, culturas como soja e cana passaram a ocupar espaço crescente em regiões onde a Alvorada já conhecia os produtores.
Em vez de permanecer presa ao modelo inicial, a empresa acompanhou essa transformação.
Pecuária abre a porta, mas agricultura e florestas ampliam o negócio
A Alvorada ainda possui forte ligação com o gado.
Hoje, produtos destinados à pecuária representam aproximadamente 70% do faturamento. A companhia vende itens de saúde animal, sementes, herbicidas para pastagem, máquinas e outros produtos usados nas propriedades.
Porém, a diversificação começou cedo.
Em 1997, Feres estruturou a área agrícola justamente porque produtores de sua região começaram a migrar da pecuária para as lavouras. Atualmente, esse segmento responde por cerca de 20% da receita.
Os 10% restantes vêm da operação ligada ao setor florestal.
Nesse caso, a empresa acompanhou a expansão de grandes projetos de celulose, inicialmente no Mato Grosso do Sul. Depois, levou essa atuação para estados como Minas Gerais, Maranhão, Pará, Bahia, São Paulo e Paraná.
Assim, a rede deixou de vender apenas produtos para pecuaristas e passou a acompanhar diferentes transformações do campo brasileiro.
Essa expansão pelo agronegócio também ajuda a explicar por que a empresa conseguiu crescer sem depender de um único tipo de cliente.
Aporte de R$ 400 milhões muda a velocidade da expansão
Durante mais de 35 anos, a Alvorada cresceu de forma relativamente discreta.
A companhia normalmente abria uma a três lojas por ano.
Então chegou 2022.
No fim daquele ano, a Kinea Investimentos aportou R$ 400 milhões na empresa. A gestora pertence ao ecossistema do Itaú Unibanco e atua em investimentos alternativos.
O dinheiro abriu espaço para acelerar uma estratégia que combina duas frentes.
A primeira é abrir lojas próprias.
A segunda envolve comprar empresas já estabelecidas em mercados considerados estratégicos.
O resultado apareceu rapidamente.
Desde 2023, a Alvorada passou a abrir ou incorporar 16 a 17 unidades por ano.
Ou seja, em comparação com o ritmo histórico máximo de três novas lojas anuais, a empresa passou a crescer várias vezes mais rápido.
Rede chega a 98 filiais e já enxerga a unidade de número 100
Hoje, a Alvorada possui 98 filiais distribuídas por 12 estados.
A centésima unidade está próxima.
Uma das movimentações mais recentes envolve a aquisição de empresas ligadas ao Grupo Confboi, que atua em Minas Gerais e na Bahia. A operação adiciona ativos ao varejo de insumos da companhia.
Em 2025, a Alvorada também comprou a Casa da Ração, rede de sete lojas sediada em Governador Valadares, em Minas Gerais.
Além disso, adquiriu uma fábrica de nutrição animal que estava desativada em Araguaína, no Tocantins, e retomou sua operação.
Portanto, o crescimento não ocorre apenas por meio da construção de novas lojas.
Entretanto, Feres afirma que prefere abrir unidades do zero sempre que possível.
Fundador diz ter aprendido com empresas que cresceram rápido demais
Apesar da velocidade atual, Feres evita uma corrida desenfreada por aquisições.
Segundo o empresário, uma de suas maiores preocupações está na cultura corporativa após uma compra.
Nesse ponto, ele cita os problemas enfrentados por outras grandes distribuidoras do agronegócio como aprendizado.
Para o fundador, comprar muitas companhias em sequência sem conseguir integrar equipes, processos e valores pode criar dificuldades importantes.
Por isso, das 37 novas filiais adicionadas nos últimos anos, cerca de 16 vieram de aquisições. A maioria nasceu de unidades abertas pela própria Alvorada.
A estratégia mostra uma diferença importante.
O aporte da Kinea aumentou a capacidade de expansão, mas a companhia tenta evitar que o capital transforme crescimento em pressa.
Ao mesmo tempo, a entrada de investidores trouxe mudanças de governança e gestão.
Feres afirma que aprendeu com a Kinea especialmente nessas áreas. A gestora não administra a rotina operacional, porém participa de comitês e possui assento no conselho.
Receita supera R$ 2 bilhões enquanto empresa cresce 40% ao ano
A Alvorada não divulga um número exato de faturamento.
Entretanto, Feres afirmou ao AgFeed que a receita está acima de R$ 2 bilhões.
Além disso, a empresa cresceu aproximadamente 40% em 2025.
No primeiro semestre de 2026, segundo o empresário, o crescimento voltou a ficar em torno de 40%.
É importante manter uma distinção: esses 40% representam o crescimento informado pelo fundador. O AgFeed não apresenta, na reportagem, demonstrações financeiras completas que permitam calcular independentemente todos os indicadores.
Ainda assim, a escala do negócio aparece em outros números.
A empresa possui mais de 350 mil clientes cadastrados e afirma manter inadimplência de apenas 0,7%.
Essa base pulverizada ajuda a reduzir a dependência de poucos compradores de grande porte.
Mais de 350 mil clientes ajudam a espalhar o risco
A pecuária possui uma característica diferente de segmentos agrícolas concentrados em grandes produtores.
Segundo Feres, o valor médio das compras feitas pelos pecuaristas costuma ser inferior ao observado entre agricultores. Por outro lado, existe uma base muito maior e mais pulverizada de clientes.
Para a Alvorada, isso se traduz em mais de 350 mil cadastros ativos.
A empresa também centraliza a gestão de crédito.
Analistas atuam nas lojas e regionais, enquanto uma gerente nacional coordena o processo. Para valores maiores, a companhia ainda utiliza comitês financeiro e de crédito e cobrança.
Feres participa pessoalmente dos níveis superiores dessa avaliação ao lado do CFO e de outros diretores.
Assim, o crescimento da rede exige uma estrutura financeira capaz de acompanhar milhares de operações espalhadas pelo país.
R$ 100 milhões por ano financiam novas lojas, fábricas e aquisições
Mesmo depois do aporte de R$ 400 milhões, a Alvorada afirma que atualmente financia sua expansão com recursos próprios.
O investimento anual gira em torno de R$ 100 milhões.
Esse dinheiro sustenta novas lojas, aquisições e outras iniciativas de expansão.
Além disso, a empresa passou a investir mais em nutrição animal.
Antes, a Alvorada já possuía a marca própria AlvoradaPhos, produzida por terceiros.
Depois, comprou e reativou uma unidade industrial em Tocantins.
Na negociação com a Confboi, também incorporou uma pequena fábrica em Montes Claros. Além disso, comprou um terreno em Campo Grande para instalar outra indústria.
Feres afirma que a companhia continua procurando novas fábricas.
Portanto, a estratégia começa a levar o grupo além da distribuição.
A estrutura empresarial passa a combinar varejo, atacado, marcas próprias e produção.
Aurora Distribuição já possui 10% do mercado nacional de sanidade animal
A Alvorada também controla a Aurora Distribuição, operação atacadista voltada aos insumos para pecuária.
A empresa atua em 10 estados e detém aproximadamente 10% do mercado brasileiro de sanidade animal, segundo Feres.
Essa frente amplia o alcance do grupo além das lojas físicas.
Enquanto a Alvorada vende diretamente aos produtores, a Aurora participa do atacado.
Assim, o grupo ocupa mais de um elo da cadeia de distribuição.
Ao mesmo tempo, a expansão em nutrição animal adiciona outro componente.
A companhia deixa de depender exclusivamente da revenda de produtos fabricados por terceiros e começa a aumentar a participação de marcas e estruturas próprias.
Agricultura responde por 20% da receita e florestas já chegam a 10%
Embora a pecuária permaneça como principal atividade, a divisão atual do faturamento mostra a diversificação.
Aproximadamente 70% vêm da pecuária.
Outros 20% correspondem à agricultura.
Por fim, 10% estão ligados ao segmento florestal.
Essa composição permite acompanhar diferentes ciclos do agronegócio.
Nos últimos anos, por exemplo, dificuldades enfrentadas por grandes distribuidores agrícolas abriram oportunidades para concorrentes mais capitalizados.
A Alvorada aproveitou parte desse espaço.
Porém, Feres ressalta que sua principal vocação continua ligada à pecuária.
Plano até 2030 mantém ritmo sem apostar em crescimento descontrolado
A empresa não pretende desacelerar.
O planejamento elaborado até 2030 prevê manter o atual ritmo de crescimento.
Entretanto, o fundador insiste na cautela.
A companhia analisa novas aquisições, mas não quer reproduzir estratégias agressivas que, na avaliação de Feres, prejudicaram concorrentes.
Essa postura também aparece na expansão geográfica.
A empresa avança em direção ao Nordeste, já possui presença no Maranhão e no sul da Bahia e mira o oeste baiano, região importante para grãos e integração entre lavoura e pecuária.
Além disso, a Alvorada acompanha o avanço do café em Rondônia e Minas Gerais e a consolidação dos grãos no sudoeste de Goiás.
Em outras palavras, a companhia continua seguindo aquilo que Feres chama de “pata do boi”, mas agora acompanhada por soja, café, florestas e integração produtiva.
IPO chegou aos planos, mas mudança no mercado adiou a ideia
A relação com a Kinea também abriu uma possibilidade de longo prazo.
A companhia chegou a considerar uma futura abertura de capital.
Em 2022, o mercado de distribuição de insumos vivia um período muito favorável após o boom das commodities registrado no pós-pandemia. Nesse cenário, a Alvorada começou a enxergar um caminho para crescer de forma mais estruturada e, futuramente, realizar um IPO.
Depois, porém, as condições mudaram.
O plano de abertura de capital acabou temporariamente engavetado.
Paradoxalmente, a mesma mudança de mercado criou oportunidades.
Concorrentes mais pressionados abriram espaços para crescimento orgânico e aquisições.
Assim, a Alvorada continuou expandindo mesmo sem levar o IPO adiante naquele momento.
Empresa atravessa pior período em 40 anos e volta a crescer
Feres também reconhece que nem todos os últimos anos foram favoráveis.
Segundo o empresário, o período posterior ao boom das commodities trouxe uma das situações mais difíceis que a companhia enfrentou em quatro décadas.
Indústrias produziram grandes volumes, enquanto preços caíram posteriormente.
Isso deixou estoques e margens sob pressão em diferentes pontos da cadeia.
Porém, Feres afirma que a situação já apresentou recuperação em 2024.
Além disso, a forte exposição à pecuária ajudou a empresa a atravessar a turbulência com maior estabilidade, segundo sua avaliação.
Enquanto isso, a busca por novas tecnologias para produção e infraestrutura continua transformando setores completamente diferentes da economia.
De um sonho de 4 lojas a uma rede prestes a alcançar 100
A dimensão da transformação aparece quando se compara o começo com a situação atual.
Em 1986, Feres abriu uma loja em Dourados.
Seu sonho inicial, segundo ele, era possuir quatro unidades.
Quarenta anos depois, a Alvorada possui 98 filiais em 12 estados e está prestes a chegar à centésima.
A receita já supera R$ 2 bilhões.
A base de clientes passa de 350 mil nomes cadastrados.
Além disso, a empresa investe cerca de R$ 100 milhões por ano e pretende manter o ritmo de expansão até 2030.
O aporte de R$ 400 milhões da Kinea acelerou uma história construída durante décadas. Entretanto, o fundador insiste que prefere avançar de forma cautelosa.
Assim, uma loja criada para atender pecuaristas no interior de Mato Grosso do Sul transformou-se na maior rede varejista de insumos agropecuários do país — e agora precisa provar que consegue continuar crescendo sem repetir os erros de empresas que aceleraram além da capacidade de integração.
Você acredita que a estratégia de crescer com mais cautela, mesmo tendo capital para acelerar, pode ser uma vantagem no agronegócio ou empresas desse porte precisam avançar rapidamente para não perder mercado?
Fonte
Ag Feed
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

