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Engraxate pagou a faculdade limpando sapatos, se formou em Direito, continuou trabalhando nas ruas de Goiânia e transformou a profissão no primeiro passo para realizar o sonho de ser promotor de Justiça
Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 10/08/2026 às 22:30
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A história de Joaquim Pereira mostra como o trabalho de engraxate financiou a graduação em Direito, abriu portas para oportunidades profissionais e deu início a um projeto de vida voltado à carreira jurídica, sem que ele precisasse abandonar a profissão que o sustentou durante toda a faculdade.
Muito antes de receber o diploma de bacharel em Direito, Joaquim Pereira já conhecia o valor da disciplina. Foi limpando sapatos nas ruas de Goiânia que ele encontrou a renda necessária para pagar a faculdade, construir uma clientela fiel e manter vivo um sonho que parecia distante quando deixou Monte Alegre de Goiás em busca de oportunidades na capital. A trajetória ganhou repercussão nacional em uma reportagem publicada pelo G1, que acompanhou sua formatura e mostrou como o trabalho nas ruas tornou possível concluir o ensino superior.
Ao concluir a graduação, Joaquim surpreendeu muita gente ao tomar uma decisão incomum: continuou trabalhando como engraxate. Para ele, a profissão nunca foi motivo de constrangimento, mas o caminho que tornou possível chegar ao ensino superior e planejar voos ainda maiores na carreira jurídica.
O trabalho como engraxate financiou a faculdade de Direito
Joaquim chegou a Goiânia em 2006 acreditando que conseguiria uma vaga em uma empresa e construir rapidamente uma carreira. O primeiro emprego foi em uma fábrica de enxovais, onde recebia um salário mínimo.
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Poucos meses bastaram para perceber que aquela renda não seria suficiente para viver na capital e investir nos estudos. Foi então que decidiu experimentar o ofício que havia aprendido ainda criança.
Em um sábado, saiu às ruas com sua caixa de engraxate. Atendeu cerca de dez clientes e faturou R$ 20. O valor parecia modesto, mas chamou sua atenção pelo potencial de crescimento. Na segunda-feira seguinte, pediu demissão da fábrica.
A decisão causou estranheza entre colegas e conhecidos. Muitos não entendiam por que alguém deixaria um emprego formal para limpar sapatos nas ruas. Joaquim também admitiu que teve receio da reação das pessoas, mas preferiu apostar em uma atividade que lhe oferecia maior autonomia financeira.
Histórias como essa ajudam a explicar um fenômeno recorrente no Brasil: muitos trabalhadores encontraram no serviço autônomo uma forma de financiar os próprios estudos quando o emprego formal não era suficiente para manter as despesas.
A convivência com advogados despertou um novo objetivo
O crescimento da clientela aconteceu rapidamente.
As pessoas atendidas gratuitamente nos primeiros dias passaram a indicar seu trabalho. A simpatia, o cuidado com cada atendimento e o famoso “samba da vitória” — o som produzido durante o polimento dos sapatos — tornaram-se sua marca registrada na Praça Cívica, em Goiânia.
A renda diária, que começou em cerca de R$ 20, chegou a atingir R$ 100.
Foi justamente no contato diário com juízes, desembargadores e advogados que nasceu uma nova ambição profissional.
Observando a rotina desses clientes e conversando com eles, Joaquim decidiu cursar Direito. Apesar das críticas de pessoas que consideravam a graduação cara e difícil, prestou vestibular e ingressou, em 2008, em uma instituição particular da capital goiana.
Durante cinco anos conciliou uma rotina intensa. Estudava pela manhã, trabalhava como engraxate até o início da noite e ainda precisava cuidar da casa. Nos momentos livres, encontrava tempo para tocar violão e participar das atividades da igreja evangélica que frequentava.
A graduação foi marcada por dificuldades e conquistas
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O início da faculdade esteve longe de ser fácil.
Joaquim relembrou que tirou nota zero na primeira prova e chegou a pensar em desistir. Em vez disso, decidiu aumentar o ritmo de estudos.
O esforço deu resultado.
Segundo o G1, no sétimo período ele conseguiu uma bolsa da Organização das Voluntárias de Goiás (OVG), o que reduziu significativamente os custos da graduação. Também conquistou um estágio na Procuradoria-Geral do Município por indicação de um cliente, experiência que ampliou seu contato com a área jurídica sem abandonar o trabalho de engraxate nos horários livres.
A colação de grau aconteceu em Goiânia com a presença dos pais, que viajaram de Monte Alegre de Goiás para acompanhar a conquista do filho. Durante a cerimônia, Joaquim ainda recebeu uma homenagem do reitor da instituição por ter sido escolhido como aluno destaque da turma.
O diploma não marcou o fim da profissão, mas o início de um novo projeto
Mesmo formado em Direito, Joaquim afirmou que continuaria engraxando sapatos até conquistar uma oportunidade compatível com sua formação.
O primeiro objetivo era ser aprovado no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), etapa obrigatória para exercer a advocacia. Como reconhecimento pelo desempenho acadêmico, recebeu um curso preparatório para a prova.
Os planos não paravam por aí.
Depois da OAB, pretendia iniciar uma pós-graduação, também com bolsa integral, e seguir estudando para disputar concursos públicos até alcançar o maior sonho profissional: tornar-se promotor de Justiça.
O dinheiro obtido como engraxate também permitiu outras conquistas pessoais, como a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), passo importante para substituir a bicicleta por um carro no futuro.
A trajetória de Joaquim ganhou destaque justamente por contrariar a ideia de que determinadas profissões limitam o futuro de quem as exerce. Seu caso mostrou que, em muitas situações, o trabalho que garante a sobrevivência também pode financiar a formação necessária para mudar de vida.
Embora essa história tenha ocorrido há alguns anos, ela continua sendo lembrada como um exemplo de perseverança, disciplina e valorização da educação. A jornada de Joaquim mostra que a formatura representou apenas uma etapa de um projeto profissional maior, cuja próxima meta era conquistar a aprovação na OAB e seguir rumo à carreira no Ministério Público.
A história de Joaquim mostra que ele conciliou anos de trabalho nas ruas com os estudos até conquistar o diploma em Direito, sem abandonar a profissão que financiou sua formação. Na sua opinião, quais atitudes, escolhas ou valores foram mais decisivos para que ele superasse as dificuldades e alcançasse esse objetivo?
Fonte: G1.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

