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Enquanto aldeias secam e a falta de água avança, Marrocos instala redes a mais de 1.200 metros de altitude para capturar neblina do Atlântico, transformar o ar em até 74 litros de água por metro quadrado em 24 horas e abastecer famílias que antes caminhavam horas até poços
Escrito por Carla Teles
Publicado em 17/08/2026 às 21:45
Atualizado em 17/08/2026 às 21:46
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No Monte Boutmezguida, no sudoeste do Marrocos, redes de polímero capturam neblina atlântica e conduzem a água por gravidade até comunidades do Anti-Atlas. Operado pela Dar Si Hmad, o sistema abastece residências em uma região árida onde moradores já chegaram a caminhar até quatro horas por dia para buscar água.
A neblina que atravessa as montanhas do Anti-Atlas, no sudoeste do Marrocos, tornou-se fonte de água para comunidades rurais instaladas em uma das áreas mais secas da região. Redes posicionadas a mais de 1.200 metros de altitude capturam pequenas gotas suspensas no ar e permitem que o líquido seja conduzido até reservatórios e residências.
Segundo o Daily Galaxy, em publicação de 17 de agosto de 2026, o sistema operado pela organização marroquina Dar Si Hmad utiliza coletores no Monte Boutmezguida e pode alcançar até 74 litros de água por metro quadrado de rede em 24 horas sob condições favoráveis. O projeto atende famílias que anteriormente dependiam de longas caminhadas até poços.
Neblina do Atlântico encontra as montanhas do Anti-Atlas
O funcionamento depende de uma característica geográfica específica. A neblina vinda do Atlântico atravessa as elevações do Anti-Atlas, carregando minúsculas gotículas de água que normalmente permaneceriam suspensas no ar ou seriam dispersadas pelo vento.
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No Monte Boutmezguida, essas massas úmidas encontram coletores instalados a mais de 1.200 metros acima do nível do mar. A altitude e a frequência da neblina criam condições capazes de transformar um recurso atmosférico em abastecimento hídrico, sem necessidade de perfurar novos poços.
Redes de polímero interceptam as gotas suspensas no ar
Os coletores utilizam postes metálicos para sustentar grandes superfícies de malha. Quando a neblina atravessa a rede, as gotículas entram em contato com as fibras e começam a se acumular até formar gotas maiores.
A água então escorre pela própria estrutura até canais de coleta. O processo não retira vapor invisível diretamente da atmosfera: ele intercepta a água líquida microscópica já presente na neblina, concentrando-a em volume suficiente para armazenamento.
Sistema pode atingir 74 litros por metro quadrado em 24 horas
A capacidade registrada chama atenção pela quantidade de água obtida em uma área relativamente pequena de malha. Segundo as informações reunidas pela fonte, cada metro quadrado pode captar até 74 litros em um período de 24 horas quando as condições atmosféricas são adequadas.
Esse valor representa uma capacidade máxima observada, e não uma produção fixa diária. O volume real depende da presença de neblina, da quantidade de umidade, da velocidade do vento e de outras condições locais que determinam quantas gotículas atravessam os coletores.
Gravidade leva a água da montanha até as comunidades
Depois de capturada, a água é direcionada para reservatórios e tubulações conectadas às áreas habitadas abaixo do Monte Boutmezguida. A diferença de altitude permite que a própria gravidade ajude a transportar o recurso pelas encostas.
Essa característica reduz a necessidade de bombear toda a água ao longo do percurso. A infraestrutura combina, portanto, elementos relativamente simples — redes, calhas, reservatórios e tubos — com a geografia da montanha para realizar a distribuição.
Famílias chegavam a caminhar quatro horas até poços
Antes da implantação do abastecimento, parte dos moradores rurais dependia de fontes distantes. De acordo com o material citado pelo Daily Galaxy, algumas famílias chegavam a gastar até quatro horas por dia em deslocamentos para buscar água em poços disponíveis.
A tarefa recaía frequentemente sobre mulheres, que transportavam recipientes pesados durante o trajeto. O acesso doméstico à água captada da neblina reduziu a necessidade desses deslocamentos repetidos e alterou uma rotina que consumia várias horas do dia.
Dar Si Hmad trabalha com a tecnologia desde 2006
A organização marroquina Dar Si Hmad começou a estudar e desenvolver o aproveitamento da neblina como fonte de água doce em 2006. O trabalho envolveu tanto a infraestrutura física quanto a adaptação do projeto às comunidades atendidas.
Posteriormente, o sistema CloudFisher passou a integrar a operação. A instalação foi oficialmente inaugurada em 2015, consolidando uma rede capaz de levar água captada no alto da montanha diretamente para residências da região de Aït Baâmrane.
Tecnologia foi aprimorada para aumentar a eficiência
O princípio de capturar água da neblina não é novo, mas as malhas utilizadas atualmente passaram por modificações de engenharia. Tamanho das aberturas, características das fibras e revestimentos influenciam a quantidade de água que permanece presa na rede antes de escorrer.
Segundo as informações apresentadas pela fonte, estudos envolvendo engenharia de materiais indicaram avanços expressivos na eficiência desse tipo de coleta. O equipamento também foi desenvolvido para suportar condições locais e permitir manutenção mais simples quando algum componente precisa ser substituído.
Estrutura precisa resistir ao vento das montanhas
As mesmas condições que transportam a neblina também representam um desafio. Redes instaladas em regiões elevadas ficam permanentemente expostas a ventos, variações de temperatura e intempéries, exigindo resistência estrutural.
Por isso, durabilidade e facilidade de reparo são fatores essenciais para manter o sistema funcionando em áreas remotas. Uma tecnologia eficiente em laboratório teria pouca utilidade se precisasse de manutenção complexa ou peças difíceis de obter nas comunidades atendidas.
Água captada chega diretamente às torneiras
Um dos principais impactos ocorreu quando o recurso deixou de exigir deslocamentos externos e passou a chegar às casas. A água acumulada nos coletores percorre a rede de distribuição até pontos domésticos conectados ao sistema.
A mudança transformou a neblina em uma fonte efetivamente integrada à infraestrutura hídrica local, em vez de apenas uma experiência de coleta. Para as famílias atendidas, abrir uma torneira passou a substituir parte das viagens antes necessárias até os poços.
Aceitação da água exigiu trabalho com as comunidades
A adoção da tecnologia não ocorreu apenas com a instalação das redes. Alguns moradores inicialmente desconfiavam de uma água que não vinha de poços, nascentes ou do solo, questionando suas características e sua utilização cotidiana.
A Dar Si Hmad precisou trabalhar também com aspectos culturais e educacionais. O projeto combinou engenharia com participação comunitária, mostrando que fornecer água envolve não apenas construir uma infraestrutura, mas garantir que ela seja compreendida e aceita por quem depende dela.
Escola de água passou a ensinar conservação e manutenção
O programa incorporou iniciativas voltadas ao uso responsável do novo abastecimento. Uma chamada “escola de água” passou a abordar temas como conservação, gestão do recurso e cuidados com a infraestrutura instalada nas residências.
Em alguns casos, as atividades também envolveram alfabetização e conhecimentos básicos de matemática. O objetivo era permitir que moradores identificassem problemas, comunicassem vazamentos e participassem de forma mais direta da manutenção do sistema.
Projeto depende de condições naturais muito específicas
Embora a tecnologia mostre resultados relevantes no Anti-Atlas, ela não pode ser instalada indiscriminadamente em qualquer região árida. O sistema precisa de ocorrência frequente de neblina, relevo adequado e umidade atmosférica suficiente.
Isso significa que a captação de neblina funciona como uma solução adaptada ao território, e não como substituto universal de rios, reservatórios, poços ou sistemas convencionais de abastecimento. Sua eficiência está diretamente ligada às condições climáticas locais.
Água retirada do ar amplia alternativas em regiões secas
No sudoeste do Marrocos, a combinação entre montanha, neblina atlântica, redes de coleta e distribuição por gravidade criou uma alternativa incomum para comunidades com recursos hídricos limitados. O sistema aproveita água que já circula pela atmosfera e que, sem os coletores, seguiria atravessando as montanhas.
A experiência mostra como uma característica climática aparentemente passageira pode se transformar em infraestrutura hídrica quando tecnologia e geografia trabalham juntas. Na sua opinião, projetos de captação de neblina deveriam receber mais investimentos em regiões afetadas pela falta de água ou seu uso deve permanecer restrito a locais com condições naturais muito específicas? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

