Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Enquanto Brasil sofre com corrupção, na China, ex-funcionário é condenado à morte por receber R$ 1,6 bilhão em propinas durante 30 anos e Justiça manda confiscar bens após esquema de 2,21 bilhões de yuans.

Enquanto Brasil sofre com corrupção, na China, ex-funcionário é condenado à morte por receber R$ 1,6 bilhão em propinas durante 30 anos e Justiça manda confiscar bens após esquema de 2,21 bilhões de yuans.

5 min de leitura

Enquanto Brasil sofre com corrupção, na China, ex-funcionário é condenado à morte por receber R$ 1,6 bilhão em propinas durante 30 anos e Justiça manda confiscar bens após esquema de 2,21 bilhões de yuans.

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 07/08/2026 às 19:51

Curiosidades

Canal

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Condenação bilionária na China expõe a dimensão de um esquema investigado por décadas e reforça o peso da campanha anticorrupção no país, com confisco de bens, perda de direitos políticos e revisão obrigatória da pena antes de qualquer execução.

A Justiça da China condenou à morte Yang Youlin, ex-diretor executivo-adjunto do comitê administrativo da Zona de Desenvolvimento de Nanjing, após considerá-lo culpado por receber mais de 2,21 bilhões de yuans em propinas entre 1993 e 2023.

Anunciada na segunda-feira, 6 de julho de 2026, pelo Tribunal Popular Intermediário de Changzhou, na província chinesa de Jiangsu, a sentença também determinou confisco de bens, perda vitalícia de direitos políticos e recuperação dos valores obtidos ilegalmente.

Entre as punições recentes aplicadas no país a crimes de corrupção de alto valor, o caso se destaca pelo montante atribuído ao ex-funcionário e pela combinação de acusações reunidas no mesmo processo judicial.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

Segundo a agência Associated Press, a cifra equivale a cerca de US$ 325 milhões, enquanto o China Daily, veículo estatal chinês, informou que o valor superou US$ 324 milhões.

Além da pena capital, a decisão mandou confiscar todos os bens pessoais de Yang e encaminhar ao tesouro estatal os ganhos ilícitos, incluindo valores associados ao esquema investigado pelas autoridades chinesas.

Esquema de corrupção em Nanjing

Durante a passagem por cargos ligados à administração pública em Nanjing, no leste da China, Yang usou sua influência para favorecer terceiros em projetos, operações comerciais, transferências de terras e obtenção de capital de giro.

Em troca dessa atuação, de acordo com a corte, ele recebeu dinheiro, bens e outros ativos durante três décadas, período que vai de 1993 a 2023 e atravessa diferentes funções exercidas na cidade.

A decisão judicial aponta que as irregularidades ocorreram enquanto Yang ocupava postos públicos e administrativos, incluindo o cargo de conselheiro da Zona de Turismo Cultural de Nanjing Niushou Mountain.

Mais tarde, em 2012, ele assumiu a função de diretor executivo-adjunto do comitê administrativo da Zona de Desenvolvimento de Nanjing, posição citada na decisão divulgada pela imprensa chinesa.

Para justificar a pena máxima, a corte considerou que o volume das propinas foi extremamente elevado e que os danos causados ao Estado e à população chinesa foram graves.

Mesmo com o reconhecimento de que Yang colaborou com informações sobre crimes de outras pessoas, o tribunal avaliou que a gravidade do caso impedia uma redução relevante da punição aplicada.

Pena de morte e outros crimes

A condenação não ficou restrita ao recebimento de propina, já que Yang também foi considerado culpado por desvio de recursos, oferta de suborno, apropriação indevida de fundos públicos, abuso de poder e lavagem de dinheiro.

Pelo crime de desvio de recursos, a corte aplicou pena de 11 anos e seis meses de prisão, além de multa de 1 milhão de yuans, conforme os detalhes publicados pelo China Daily.

Na acusação por oferta de propina, outra pena de 11 anos de prisão foi definida, acompanhada de nova multa de 1 milhão de yuans, em uma sentença que somou diferentes crimes.

Entre 2014 e 2016, segundo o tribunal, Yang desviou 12 milhões de yuans em recursos públicos em atuação conjunta com outras pessoas, dentro de um conjunto mais amplo de irregularidades.

Já entre 2005 e 2023, a decisão afirma que ele ofereceu mais de 25 milhões de yuans em propinas a funcionários para obter vantagens indevidas em diferentes operações.

Outro ponto destacado pela corte envolve o desvio de 15 milhões de yuans de empresas estatais ligadas ao departamento de construção do distrito de Jiangning, entre 2001 e 2002.

De acordo com a sentença, esses recursos foram direcionados a operações comerciais de terceiros, ampliando o alcance das acusações para além do recebimento direto de dinheiro e bens.

Julgamento teve audiências públicas

O processo contra Yang teve audiências públicas em 18 de março e 28 de abril de 2026, com a presença de mais de 30 pessoas e participação das partes envolvidas no julgamento.

Durante as sessões, promotores e advogados de defesa apresentaram versões, trocaram provas e expuseram argumentos perante a corte, que também ouviu o próprio réu antes da conclusão do caso.

Em sua declaração final, Yang manifestou culpa e arrependimento, segundo relato da Associated Press, que também registrou a colaboração dele na revelação de crimes atribuídos a outras pessoas.

Ainda assim, embora a cooperação tenha sido verificada pelas autoridades, a corte entendeu que esse fator não era suficiente para afastar a severidade da sentença imposta ao ex-funcionário.

Apesar da condenação à morte, a execução não ocorre automaticamente, porque sentenças desse tipo impostas por tribunais inferiores na China precisam passar pelo Supremo Tribunal Popular.

Como a mais alta corte do país revisa condenações à pena capital antes do cumprimento, a decisão contra Yang ainda depende dessa etapa obrigatória no sistema judicial chinês.

Campanha anticorrupção na China

A investigação contra Yang ocorreu dentro da ampla campanha anticorrupção conduzida sob o governo do presidente Xi Jinping, iniciativa que há anos alcança burocratas, empresas estatais e autoridades locais.

Embora a ofensiva seja apresentada como combate ao enriquecimento ilícito, críticos afirmam que ela também tem sido usada para afastar adversários políticos do líder chinês, conforme registrou a Associated Press.

Casos de pena de morte por crimes econômicos são menos frequentes, mas continuam surgindo quando os valores envolvidos são considerados excepcionalmente altos pelas autoridades judiciais chinesas.

A AP lembrou que Li Jianping, autoridade local da Mongólia Interior, foi executado em 2024 depois de ser condenado em um caso de corrupção envolvendo cifras bilionárias.

Nascido em Nanjing, Yang tem 69 anos e começou a carreira em uma fábrica de motores em outubro de 1976, antes de ocupar funções administrativas de maior peso na cidade.

Com a condenação, o caso amplia o debate sobre a severidade das punições contra corrupção na China e sobre os limites entre combate ao enriquecimento ilícito, demonstração de força institucional e uso político das investigações.

Até que ponto penas extremas ajudam a reduzir a corrupção ou apenas expõem a profundidade dos esquemas dentro do Estado?

Tags


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

Sair da versão mobile