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Enquanto investe pesado no Brasil e inaugura fábrica de R$ 2,5 bilhões, Nestlé corta 16 mil postos, fecha 2 fábricas na Europa e encerra produção de KitKat em unidade histórica
Escrito por Romário Pereira de Carvalho
Publicado em 19/08/2026 às 13:24
Atualizado em 19/08/2026 às 13:28
Economia
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Enquanto elimina cargos administrativos e industriais e encerra unidades na Alemanha e Hungria, a Nestlé amplia operações brasileiras, inaugura fábrica de R$ 2,5 bilhões em Santa Catarina e mantém forte plano bilionário até 2028
Os cortes da Nestlé devem eliminar aproximadamente 16 mil postos de trabalho no mundo até o fim de 2027, enquanto fábricas na Alemanha e na Hungria deixam de produzir. O movimento contrasta com o Brasil, onde a companhia anunciou R$ 7 bilhões em investimentos até 2028 e inaugurou uma unidade de R$ 2,5 bilhões.
A reorganização global foi anunciada em outubro de 2025 pelo CEO Philipp Navratil e atinge áreas administrativas, profissionais, industriais e de cadeia de suprimentos.
Dos aproximadamente 16 mil postos previstos para desaparecer em dois anos, 12 mil correspondem a funções administrativas e profissionais distribuídas por diferentes países e áreas da empresa.
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Outras 4 mil posições fazem parte de programas de produtividade concentrados principalmente na fabricação e na cadeia de suprimentos.
Somados, os cortes representam aproximadamente 5,8% do quadro mundial existente quando o plano foi anunciado.
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Cortes da Nestlé acompanham meta de economia de 3 bilhões de francos suíços
A empresa pretende simplificar processos, aumentar o uso de serviços compartilhados, ampliar a automação e eliminar estruturas consideradas duplicadas.
Com essas medidas, a Nestlé aumentou para 3 bilhões de francos suíços sua meta de economia dentro do programa Fuel for Growth até o fim de 2027.
O movimento ocorre enquanto a companhia busca recuperar crescimento, melhorar margens e fortalecer seus resultados. No primeiro semestre de 2026, o grupo registrou 43,1 bilhões de francos suíços em vendas.
O lucro líquido ficou em aproximadamente 3,47 bilhões de francos suíços. Apesar de permanecer positivo, o resultado representou queda de 31,4% na comparação com o mesmo período de 2025.
As vendas orgânicas, por outro lado, avançaram 3,6% no primeiro semestre. Os números mostram que os cortes fazem parte de uma reorganização para reduzir custos e direcionar recursos a operações consideradas mais promissoras.
Fábrica alemã encerrou produção depois de mais de um século
Uma das mudanças mais simbólicas ocorreu em Neuss, perto de Düsseldorf, na Alemanha. A fábrica da Nestlé empregava aproximadamente 145 trabalhadores e produzia óleo, maionese e mostarda da marca Thomy.
A empresa relacionou a decisão ao aumento dos custos, maior sensibilidade dos consumidores aos preços, queda nos volumes produzidos e capacidade industrial ociosa.
A produção terminou definitivamente em 9 de junho de 2026, quando a unidade fabricou seu último produto. Depois disso, começou a desmontagem dos equipamentos industriais.
A instalação mantinha atividade produtiva naquele endereço havia mais de um século.
Parte da fabricação foi transferida para outras unidades. A maior parcela dos tubos de maionese e mostarda passou para a fábrica de Lüdinghausen, também localizada na Alemanha.
A Nestlé anunciou investimento de aproximadamente € 13 milhões em Lüdinghausen e criou 30 postos para oferecer aos trabalhadores atingidos pelo encerramento da unidade de Neuss.
Outro caso ocorreu em Conow. A Nestlé anunciou em março de 2025 que deixaria a fábrica responsável por produtos Maggi e Garden Gourmet, inicialmente envolvendo aproximadamente 80 funcionários.
Nesse caso, porém, a unidade não fechou. A empresa vendeu a fábrica ao grupo alemão Sprehe, que assumiu a operação em 1º de janeiro de 2026. Cerca de 70 funcionários passaram para o novo proprietário.
Fábrica de chocolates na Hungria para em dezembro de 2026
Na Hungria, a Nestlé confirmou em julho de 2026 que encerrará em dezembro a produção da fábrica de Diósgyőr, unidade com aproximadamente 220 funcionários.
A instalação é especializada em figuras ocas de chocolate, principalmente itens ligados a períodos como Páscoa e Natal. Entre as marcas produzidas estão KitKat, Smarties e Milkybar.
Parte relevante dos produtos é destinada ao exterior, chegando a mais de 20 países. A unidade possui aproximadamente 64 anos de história na indústria de chocolates húngara.
Segundo a companhia, a procura por chocolates sazonais diminuiu, provocando uma redução significativa na produção.
Atualmente, Diósgyőr responde por menos de 3% da receita da Nestlé na Hungria e somente 0,4% de seu volume industrial no país.
A produção dos chocolates deverá ser transferida para um fabricante externo que seguirá os padrões definidos pela Nestlé.
A companhia também iniciou negociações para encontrar um investidor interessado em adquirir a fábrica e continuar produzindo alimentos ou chocolates no local. As conversas estavam em estágio avançado quando o encerramento foi anunciado.
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Brasil recebe R$ 7 bilhões enquanto grupo reduz estrutura global
Enquanto os cortes da Nestlé atingem operações internacionais, a estratégia anunciada para o Brasil segue em direção diferente.
A companhia prevê investir R$ 7 bilhões no país entre 2025 e 2028, com recursos destinados à modernização industrial, ampliação da capacidade produtiva, inovação e sustentabilidade.
A Nestlé considera o Brasil um de seus três mercados mais importantes no mundo.
Em Vila Velha, no Espírito Santo, a empresa amplia sua fábrica com novas linhas de chocolates, bombons e produtos que combinam biscoitos e chocolate, envolvendo marcas como Serenata de Amor e Caribe.
Em Minas Gerais, há expansão da produção de Nescafé Dolce Gusto em Montes Claros e novos aportes em Ituiutaba, onde são produzidas linhas de nutrição, incluindo Ninho, Nestogeno e Nestonutri.
Em Araras, São Paulo, a companhia instala uma nova linha para extração de café solúvel.
O maior investimento recente foi inaugurado em março de 2026, quando a Nestlé Purina abriu uma fábrica em Vargeão, Santa Catarina, construída com aporte de R$ 2,5 bilhões.
A unidade fabrica alimentos úmidos para cães e gatos e deverá quase dobrar a capacidade brasileira da Purina nesse segmento quando estiver operando plenamente.
A fábrica já iniciou exportações para o Chile e pretende ampliar os embarques para outros países da América Latina.
O empreendimento criou 140 empregos permanentes, 44 posições indiretas e aproximadamente 200 postos terceirizados na operação. Durante a construção, cerca de 7,2 mil trabalhadores participaram das obras.
Quando anunciou o ciclo de investimentos, a Nestlé informou manter 18 unidades industriais e 12 centros de distribuição no Brasil, além de empregar diretamente mais de 30 mil pessoas.
A companhia não informou quantos dos 16 mil cortes globais serão realizados em cada país. Por isso, os dados disponíveis não permitem atribuir ao Brasil uma parcela específica das reduções anunciadas.
Esta matéria foi elaborada com base em informações da Nestlé e do Portal Tempo Novo presentes no material fornecido, com dados, números e declarações preservados conforme o conteúdo consultado.
Fonte
https://www.portaltempono
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

