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Equinor entra na corrida pelo petróleo da Namíbia, compra 17,4% de bloco operado pela Chevron e espera encontrar uma descoberta “muito grande”
Escrito por Roberta Souza
Publicado em 26/08/2026 às 10:26
Atualizado em 26/08/2026 às 10:31
Petróleo e Gás
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Gigante norueguesa entra na Bacia de Orange ao lado de Chevron e QatarEnergy e prepara perfuração ainda em 2026 em uma das regiões petrolíferas mais disputadas do mundo
A corrida pelo petróleo na costa da Namíbia ganhou mais uma gigante internacional. A Equinor adquiriu participação de 17,4% na licença de exploração PEL 90, localizada na Bacia de Orange, e espera encontrar petróleo em escala semelhante às grandes descobertas realizadas nas proximidades nos últimos anos. As informações foram publicadas pela Reuters em 25 de agosto de 2026.
O bloco é operado por uma subsidiária da Chevron e reúne ainda QatarEnergy, Trago Energy e a estatal namibiana NAMCOR. A expectativa é perfurar um poço exploratório ainda em 2026.
Philippe Mathieu, responsável pelas operações internacionais da Equinor, afirmou nesta terça-feira (25) que a companhia espera realizar uma descoberta “pretty big” — ou “muito grande” — na Namíbia. A referência são descobertas próximas realizadas por companhias como TotalEnergies e Galp.
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Por enquanto, entretanto, trata-se de expectativa exploratória. A perfuração ainda precisa confirmar se existem volumes comerciais de petróleo no prospecto.
Equinor compra 17,4% e entra em uma das regiões mais disputadas do petróleo mundial
A entrada ocorreu por meio de um acordo com a Harmattan Energy Limited, subsidiária da Chevron na Namíbia.
A Equinor concordou em adquirir 17,4% de participação na Petroleum Exploration Licence 90 (PEL 90), relacionada ao Bloco 2813B da Bacia de Orange.
Para a companhia norueguesa, o movimento representa uma entrada estratégica em uma região que ganhou enorme importância para a indústria petrolífera internacional.
A Bacia de Orange passou a atrair algumas das maiores companhias de energia do planeta após uma sequência de descobertas offshore.
TotalEnergies, Shell, Galp, Chevron e outras petrolíferas passaram a disputar posições na região.
A Equinor agora entra nessa corrida.
Nova perfuração deve acontecer ainda em 2026
A companhia não comprou participação em um projeto ainda distante da perfuração.
O PEL 90 possui um prospecto pronto para ser testado, segundo a própria Equinor.
A campanha exploratória está prevista para ocorrer até o final de 2026.
Isso significa que a indústria poderá ter uma resposta relativamente rápida sobre o potencial da área.
No entanto, exploração offshore envolve riscos elevados.
Philippe Mathieu ressaltou que projetos desse tipo representam investimentos de alto risco, já que nenhuma empresa consegue garantir uma descoberta antes da perfuração.
Caso os reservatórios sejam confirmados, porém, a escala pode ser relevante.
É justamente esse potencial que levou a Equinor a entrar no projeto.
Chevron, QatarEnergy e estatal da Namíbia participam da exploração
O PEL 90 reúne alguns dos maiores nomes da indústria energética.
Antes da transação anunciada com a Equinor, a subsidiária da Chevron detinha 52,5% do bloco.
Os demais participantes eram QatarEnergy, com 27,5%; Trago Energy, com 10%; e NAMCOR, estatal petrolífera da Namíbia, com outros 10%.
A entrada da Equinor altera essa estrutura após a conclusão da operação.
A própria empresa informa que a participação da Chevron deverá cair para 35,1%, enquanto a Equinor ficará com seus 17,4%.
O acordo ainda está sujeito às aprovações regulatórias e procedimentos necessários para conclusão da transação.
Bacia de Orange virou uma das maiores apostas do petróleo mundial
O interesse não acontece por acaso.
A Bacia de Orange, localizada no Atlântico e compartilhada pela Namíbia e África do Sul, ganhou destaque depois de uma série de descobertas.
Somente a Namíbia concentra estimativas de cerca de 6,2 bilhões de barris equivalentes de petróleo em recursos descobertos e recuperáveis, segundo dados citados pela Reuters em fevereiro.
Um dos projetos mais importantes é o Venus, da TotalEnergies.
A expectativa é que o projeto possa iniciar a produção por volta de 2030, inicialmente em aproximadamente 150 mil barris por dia.
Além disso, outras descobertas ampliaram o interesse pela região.
A Galp também encontrou grandes volumes na bacia, enquanto a Shell continua realizando campanhas exploratórias mesmo depois de enfrentar dificuldades comerciais em algumas descobertas.
Equinor espera repetir grandes descobertas realizadas nas proximidades
É justamente a proximidade dessas descobertas que sustenta o otimismo da Equinor.
Mathieu afirmou que a empresa espera encontrar algo semelhante aos resultados obtidos por TotalEnergies e Galp na região.
Ainda assim, geologia semelhante não significa descoberta garantida.
A própria Bacia de Orange já produziu resultados negativos.
Em 2025, por exemplo, a Chevron informou que não encontrou reservas comerciais de petróleo ou gás em um poço exploratório perfurado na Namíbia.
A Shell também precisou registrar uma baixa contábil de aproximadamente US$ 400 milhões relacionada a uma descoberta considerada comercialmente inviável.
Isso mostra a dimensão da aposta: uma região pode conter descobertas gigantescas e, ainda assim, cada novo poço representa um risco independente.
Namíbia tenta transformar descobertas em nova indústria petrolífera
A Namíbia ainda não produz petróleo comercialmente, mas pretende mudar essa situação nos próximos anos.
O país mira o início da produção por volta de 2030, impulsionado pelos projetos que avançam na Bacia de Orange.
Caso novos poços confirmem grandes reservatórios, a região poderá atrair ainda mais investimentos em plataformas offshore, navios de produção, portos, logística, dutos e serviços especializados.
Para a Equinor, a entrada também faz parte de uma estratégia internacional maior.
A companhia pretende elevar sua produção fora da Noruega para aproximadamente 950 mil barris de óleo equivalente por dia até 2030, contra 750 mil boed registrados no segundo trimestre de 2026.
Agora, parte dessa expansão pode depender do que existe milhares de metros abaixo do Atlântico na costa africana.
A perfuração prevista para este ano dará uma primeira resposta.
Se a expectativa da Equinor se confirmar, a Namíbia poderá adicionar outra grande descoberta à sequência que transformou a Bacia de Orange em uma das fronteiras petrolíferas mais observadas do planeta.
Fonte
Reuters
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

