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Erguido 19 metros no ar e arrastado por 290 quilômetros sobre pontes reforçadas com uma ponte de metal por cima da ponte, o gerador de 359 toneladas que virou o coração da termelétrica Parnaíba V atravessou o Maranhão em 14 dias

Erguido 19 metros no ar e arrastado por 290 quilômetros sobre pontes reforçadas com uma ponte de metal por cima da ponte, o gerador de 359 toneladas que virou o coração da termelétrica Parnaíba V atravessou o Maranhão em 14 dias

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Erguido 19 metros no ar e arrastado por 290 quilômetros sobre pontes reforçadas com uma ponte de metal por cima da ponte, o gerador de 359 toneladas que virou o coração da termelétrica Parnaíba V atravessou o Maranhão em 14 dias

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 05/08/2026 às 16:09

Atualizado em 05/08/2026 às 16:33

Construção

Gerador de 359 toneladas cruzou 290 km do Maranhão em 14 dias, sobre pontes de metal montadas por cima das pontes de concreto.

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A peça saiu do Porto de Itaqui, em São Luís, e chegou a Santo Antônio dos Lopes em dezembro de 2020. Foram dez pontes com reforço estrutural, mais de 30 empresas e órgãos envolvidos e um conjunto de transporte com mais de 100 metros de comprimento.

Não coube em caminhão nenhum comum. O gerador de 359 toneladas destinado à Usina Termelétrica Parnaíba V, em Santo Antônio dos Lopes, no interior do Maranhão, exigiu um conjunto de transporte com mais de 100 metros de comprimento e o envolvimento de mais de 30 empresas e autoridades municipais, estaduais e federais, conforme informações divulgadas pela Techint Engenharia e Construção e pelo portal CanalEnergia.

O trajeto por rodovia levou cerca de 14 dias, um a menos do que o previsto. Somando equipamento e estrutura de transporte, o comboio ultrapassava 700 toneladas, e cruzou a BR 135 de madrugada em uma das maiores operações logísticas registradas no país.

O peso que ninguém cravou

Gerador de 359 toneladas cruzou 290 km do Maranhão em 14 dias, sobre pontes de metal montadas por cima das pontes de concreto.

Aqui vale registrar uma divergência que atravessa toda a cobertura do caso. O portal CanalEnergia informa 359 toneladas, número que dá título a esta matéria.

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O material publicado pela própria construtora responsável pela obra fala em 360 toneladas e atribui a fabricação à General Electric. Já o portal CPG, em dezembro de 2020, registrou 352 toneladas e chamou a peça de turbina, e não de gerador. A ordem de grandeza é a mesma nos três casos, mas o número exato varia conforme a publicação.

De onde veio a peça

O equipamento não é nacional. O transporte começou em 13 de outubro de 2020, no Porto de Albany, nos Estados Unidos, e a carga chegou ao Porto de Itaqui, em São Luís, no dia 23 daquele mês.

Depois vieram semanas de reuniões técnicas envolvendo equipes da Polícia Rodoviária Federal, engenheiros, técnicos e demais profissionais para planejar a etapa rodoviária. A saída de Itaqui rumo ao interior ocorreu em 27 de novembro, e a chegada ao complexo termelétrico aconteceu às 9h de quinta-feira, 10 de dezembro de 2020.

Como se atravessa uma ponte com 700 toneladas

O problema central da operação não era o peso em si, era a estrutura das dez pontes no caminho. Nenhuma delas foi projetada para suportar um comboio daquele porte.

A solução foi engenhosa e é o detalhe que mais chama atenção na operação. A empresa responsável pelo transporte desenvolveu uma sobreponte metálica, estrutura modular montada por cima da ponte de concreto existente. O comboio passava sobre essa ponte de metal, e não sobre a ponte original, o que transferia a carga para pontos de apoio calculados em vez de distribuí la sobre a estrutura antiga.

O ritmo da viagem

O deslocamento seguiu esquema misto para reduzir impacto no tráfego. Nos três primeiros dias, o comboio andou durante o dia.

Depois disso, a operação passou a acontecer em turnos noturnos, entre 23h e 5h, quando o movimento nas rodovias é menor. No trecho final, o transporte retomou o percurso diurno até a chegada. A distância percorrida aparece como 290 quilômetros no material da construtora e como mais de 300 quilômetros na cobertura do portal CPG.

O que aconteceu no canteiro

Gerador de 359 toneladas cruzou 290 km do Maranhão em 14 dias, sobre pontes de metal montadas por cima das pontes de concreto.

A equipe da construtora chegou ao local às 4h de 23 de dezembro de 2020 para a instalação. A tarefa exigia içar o equipamento a 19 metros de altura, o equivalente a um prédio de cinco andares, e ainda deslocá lo 47 metros na horizontal até a base.

Toda a operação de montagem levou cerca de 17 horas. Antes disso, foram 15 dias de preparação, com fabricação de plataformas, instalação de trilhos, montagem de rede elétrica e construção de duas torres e vigas destinadas exclusivamente a erguer a peça.

Por que não usaram guindaste

Este é o ponto técnico mais interessante da montagem. Em içamentos de grande porte, o recurso habitual é o guindaste de alta capacidade.

Aqui, a escolha foi outra: o sistema de strand jacks, que consiste em macacos hidráulicos de içamento operados com cordoalhas, cabos produzidos com arame de aço. O gerente de construção do projeto, Pedro Mellucci, já havia participado de operações com estruturas de até 2 mil toneladas usando supergunidaste, caso da plataforma P 76. Segundo ele, o içamento foi um dos maiores marcos do projeto em termos de complexidade, considerando importação, transporte e instalação.

O que veio depois

A chegada do gerador não encerrou a montagem do conjunto principal. Em janeiro de 2021, foram instaladas as turbinas de média e alta pressão sobre a base de concreto, formando o conjunto turbina-gerador.

Esse conjunto é o que transforma a energia mecânica proveniente do vapor das caldeiras em energia elétrica, destinada à subestação de 500 quilovolts da planta. A movimentação de uma turbina de 155 toneladas até a base, a 17 metros de altura e 20 metros de distância do ponto inicial, consumiu mais de nove horas. No mesmo mês foi içado o terceiro tramo da chaminé de uma das caldeiras, peça de 29 toneladas levada a 28 metros de altura com dois guindastes de capacidade nominal de 220 toneladas, operação que exigiu sincronismo entre os equipamentos.

Para que serve a usina

A Parnaíba V foi projetada para gerar 385 megawatts de potência dentro do Complexo Termelétrico Parnaíba, operado pela Eneva, empresa que combina exploração e produção de gás natural em terra com geração de energia.

O modelo é conhecido no setor como reservoir to wire, ou do reservatório ao fio, e consiste em gerar energia térmica próximo aos campos produtores de gás, dispensando gasoduto de longa distância. À época da obra, a companhia respondia por 46% da capacidade instalada de geração térmica do subsistema Norte e por 11% da capacidade instalada de geração a gás do país.

Onde o projeto está hoje

A matéria que originou esta pauta foi publicada em abril de 2021, quando a usina ainda estava em construção. O quadro mudou desde então.

Segundo a operadora, a Parnaíba V entrou em operação comercial em 2022. O complexo em Santo Antônio dos Lopes soma hoje 1,9 gigawatt de capacidade instalada e responde por aproximadamente 9% da geração térmica a gás do país, integrando o subsistema Norte do Sistema Interligado Nacional. A unidade mais recente, a Parnaíba VI, entrou em operação comercial em 2025. O gerador que atravessou o estado em 14 dias está girando desde 2022.

E você, imagina o que é planejar uma viagem de 290 quilômetros que leva duas semanas? Conta aqui nos comentários se você já cruzou com alguma carga gigante em rodovia, e diga qual parte dessa operação te pareceu mais impressionante, o transporte ou a montagem.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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