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Escassez de mão de obra muda as fachadas dos prédios altos: instaladores trocam a borda da construção por um robô de dois braços, que alinha, perfura e fixa suportes de vidro com apenas um operador e multiplica por três a produtividade. A máquina já soma mais de 5 mil horas em 18 obras nos Estados Unidos
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 05/08/2026 às 23:12
Atualizado em 05/08/2026 às 23:13
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Robô de dois braços assume uma etapa delicada da instalação de fachadas, combinando precisão, produtividade e operação supervisionada. Em obras reais, a plataforma trabalha junto à borda das lajes, executa perfurações e fixa suportes enquanto profissionais controlam o processo a partir de áreas protegidas.
Instaladores de fachadas em edifícios altos começaram a dividir uma das etapas mais delicadas da construção com um robô equipado com dois braços industriais, capaz de operar junto à borda das lajes enquanto concentra o controle do processo nas mãos de uma única pessoa.
Desenvolvida pela Raise Robotics, a plataforma móvel executa o alinhamento, a perfuração e a fixação dos suportes que sustentam painéis de vidro, reduzindo a exposição direta dos trabalhadores e transferindo para a máquina parte do esforço repetitivo realizado em grandes alturas.
Projetado para uma atividade que exige precisão, repetição e atenção constante, o equipamento atua em uma fase na qual equipes precisam medir pontos de fixação, posicionar suportes, perfurar o concreto e aplicar o torque definido nas especificações técnicas do projeto.
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Como parte desse serviço ocorre junto à extremidade dos pavimentos, os profissionais dependem de sistemas de proteção contra quedas para alcançar a área de montagem, manter as ferramentas estáveis e executar cada etapa sem comprometer a posição dos componentes.
Raise Robotics acumula mais de 5 mil horas em obras
Segundo dados divulgados pela Raise Robotics, seus equipamentos já acumularam mais de 5 mil horas de operação semiautônoma em 18 projetos de construção, resultado que demonstra o uso contínuo da plataforma fora de ambientes controlados e em diferentes condições de obra.
A empresa também informa que o sistema oferece um multiplicador de três vezes sobre o trabalho manual na instalação dos fixadores, permitindo que uma equipe menor conclua mais pontos durante o mesmo intervalo sem retirar do operador a supervisão da atividade.
Montados sobre uma base móvel, os dois braços robóticos podem ser posicionados próximos à borda do pavimento e recebem as informações do projeto antes de identificar os locais exatos onde cada suporte deverá ser instalado ao longo da estrutura.
Depois desse reconhecimento, o sistema conduz as ferramentas até os pontos programados e realiza, em sequência controlada, o alinhamento, a perfuração e o aperto dos fixadores que servirão de ligação entre a estrutura do edifício e os painéis externos.
Enquanto a plataforma executa os movimentos junto à borda, o trabalhador permanece em uma área protegida, acompanha o processo, confere os dados e reposiciona o equipamento sempre que uma nova região do pavimento precisa ser atendida.
Em vez de sustentar ferramentas pesadas próximo ao limite da laje, o profissional passa a supervisionar uma sequência automatizada, mantendo sob responsabilidade humana a leitura do projeto, a conferência das medidas e a decisão sobre eventuais ajustes na operação.
Essa divisão preserva o conhecimento técnico dos instaladores e transfere para o sistema automatizado a aproximação constante da borda, além de facilitar a repetição da mesma sequência em pavimentos com centenas ou milhares de módulos semelhantes.
Robô alinha, perfura e fixa suportes de fachada
Os suportes instalados nessa fase funcionam como pontos de conexão entre a estrutura do prédio e os painéis externos, razão pela qual desvios pequenos podem dificultar encaixes, gerar correções posteriores ou comprometer o ritmo planejado para a montagem da fachada.
Para evitar essas variações, a posição, o ângulo e o torque aplicado em cada fixador precisam seguir as especificações do projeto, enquanto sensores e sistemas digitais registram as operações realizadas para posterior consulta das equipes responsáveis pela qualidade.
A Raise Robotics declara que o equipamento consegue posicionar os fixadores dentro de uma tolerância de mais ou menos 3/16 de polegada, equivalente a aproximadamente 4,8 milímetros, parâmetro usado para manter a regularidade entre diferentes pontos de instalação.
Antes da perfuração, as informações do projeto orientam a localização dos suportes, e os sensores instalados na plataforma relacionam o desenho digital à posição real da máquina, permitindo que os braços trabalhem sobre referências previamente definidas.
Concluído o alinhamento, um dos braços abre o ponto no concreto, enquanto o sistema realiza a colocação e o aperto do componente conforme a configuração determinada, mantendo a sequência de execução vinculada aos parâmetros técnicos previamente carregados.
Graças à possibilidade de trocar ferramentas, a mesma plataforma também pode realizar levantamentos, escaneamentos e perfurações utilizadas em outras etapas da construção, característica que amplia seu uso além da instalação repetitiva de um único tipo de suporte.
Tecnologia foi testada em edifício de 13 pavimentos
Um dos projetos usados para demonstrar o desempenho da tecnologia foi um edifício de 13 pavimentos executado com participação da Harmon, empresa norte-americana especializada em fachadas e responsável por testar a plataforma em condições reais de canteiro.
Nesse ambiente, o robô precisou operar diante de poeira, vibrações, mudanças de temperatura e deslocamentos frequentes entre diferentes áreas, fatores que permitiram avaliar seu comportamento fora do laboratório e ao longo de uma rotina comum de obra.
A fabricante afirma que o investimento no sistema pôde ser compensado dentro desse único projeto de 13 andares, considerando a ampliação da produtividade, a redução da exposição dos trabalhadores e a regularidade obtida na instalação dos fixadores.
Para as construtoras, falhas nessa fase podem gerar despesas percebidas apenas quando os grandes painéis começam a ser posicionados, sobretudo porque uma medição incorreta nos primeiros pavimentos pode ser repetida nos andares seguintes antes da identificação do problema.
A automação conecta a execução aos planos digitais e registra os pontos trabalhados à medida que a instalação avança, oferecendo às equipes responsáveis uma visão contínua da atividade e facilitando a verificação das medidas aplicadas em cada trecho.
Controle de torque reduz variações na instalação
Também essencial para a segurança da montagem, o controle do torque evita que apertos abaixo do valor determinado exijam revisão ou que aplicações acima da especificação afetem o fixador e o concreto ao redor do ponto instalado.
Ao repetir os parâmetros programados, os braços robóticos mantêm uma sequência uniforme entre os diferentes suportes, reduzindo variações ligadas ao cansaço, ao posicionamento das ferramentas e à repetição manual de centenas de operações ao longo do edifício.
Diferentemente de uma linha industrial, o canteiro muda diariamente, recebe materiais de várias equipes e apresenta superfícies que nem sempre permanecem nas mesmas condições, obrigando a plataforma a ser movimentada, recalibrada e supervisionada em cada nova área.
As mais de 5 mil horas registradas incluem turnos de seis a oito horas em obras reais, período no qual os componentes enfrentaram impactos, partículas, variações climáticas e interrupções comuns ao setor da construção civil.
Além de orientar ajustes no equipamento, os dados obtidos durante cada instalação ajudam a aperfeiçoar o fluxo de trabalho, permitindo que a fabricante identifique padrões de desempenho e necessidades de adaptação diante das condições encontradas no canteiro.
Automação muda o papel dos instaladores de fachadas
O uso de apenas um operador não retira os profissionais do processo de construção da fachada, já que a montagem dos painéis, o transporte das peças, a inspeção e os acabamentos continuam dependendo de equipes especializadas.
A automação concentra-se na preparação e na fixação dos suportes, justamente uma etapa repetitiva que exige precisão e coloca trabalhadores próximos a áreas de queda, enquanto outras fases permanecem sob responsabilidade direta de instaladores, engenheiros e equipes de apoio.
Para quem opera a plataforma, a função passa a envolver leitura de projeto, configuração de ferramentas, interpretação de dados e acompanhamento dos movimentos, substituindo parte da repetição manual por competências ligadas a sistemas digitais e equipamentos robóticos.
Quando uma empresa não encontra trabalhadores suficientes para manter o ritmo de uma atividade especializada, equipamentos capazes de ampliar a produção de cada operador tornam-se uma alternativa para atender cronogramas sem distribuir a mesma tarefa entre equipes maiores.
Mesmo com essa mudança, a fachada continua sendo resultado de um trabalho conjunto entre instaladores, engenheiros, operadores e máquinas, mas cada profissional passa a ocupar uma posição diferente durante a execução das etapas mais repetitivas e expostas.
Enquanto os braços robóticos avançam até a borda, os trabalhadores permanecem em uma posição protegida e controlam uma atividade que antes exigia contato direto com a zona de maior risco do pavimento, preservando a supervisão humana sobre o processo.
Se um único operador já consegue comandar dois braços robóticos durante a preparação de fachadas em prédios altos, quais outras tarefas perigosas, repetitivas e realizadas em áreas de risco poderão ser transferidas para máquinas nos próximos canteiros?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

