Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Escassez de mão de obra muda os canteiros de obras: operários trocam parte da montagem manual por uma máquina chamada Mantis, que usa IA no lugar de ajustes de carpintaria e promete encaixar componentes em menos de um minuto, reduzindo em até 50% o prazo da construção

Escassez de mão de obra muda os canteiros de obras: operários trocam parte da montagem manual por uma máquina chamada Mantis, que usa IA no lugar de ajustes de carpintaria e promete encaixar componentes em menos de um minuto, reduzindo em até 50% o prazo da construção

5 min de leitura

Escassez de mão de obra muda os canteiros de obras: operários trocam parte da montagem manual por uma máquina chamada Mantis, que usa IA no lugar de ajustes de carpintaria e promete encaixar componentes em menos de um minuto, reduzindo em até 50% o prazo da construção

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 28/08/2026 às 16:28

Curiosidades

Canal

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Desenvolvida pela All3, a plataforma foi criada para instalar, fixar, fazer acabamento e inspecionar componentes preparados para montagem automatizada. A próxima etapa do projeto busca coordenar duas ou mais unidades no mesmo canteiro, com troca de informações em tempo real entre os equipamentos.

A construção civil começa a transferir para máquinas uma parte das tarefas que tradicionalmente dependem de profissionais especializados no canteiro. O Mantis, robô autônomo desenvolvido pela All3, trabalha com componentes projetados desde a fabricação para serem instalados com menor necessidade de ajustes manuais.

A empresa afirma que o sistema consegue encaixar determinadas peças em menos de um minuto, sem exigir carpintaria especializada durante a conexão. A redução de até 50% no cronograma, porém, é uma projeção atribuída ao processo integrado de projeto digital, fabricação robotizada e montagem autônoma, e não apenas à velocidade do robô.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

A busca por esse tipo de solução ocorre em um setor que enfrenta dificuldades de contratação. Um relatório do European Construction Observatory aponta escassez de trabalhadores em diferentes ocupações da construção na União Europeia, além do envelhecimento da força de trabalho.

Nesse modelo, o objetivo não é reproduzir mecanicamente com um braço robótico tudo o que um carpinteiro faria no local. Parte dos ajustes passa a ser resolvida antes, no desenho das juntas, nos sistemas de posicionamento e na fabricação das peças que serão levadas à obra.

Mantis foi desenvolvido para trabalhar no canteiro

O robô foi concebido especificamente para ambientes de construção, e não como um equipamento de fábrica posteriormente adaptado. A All3 informa que uma unidade do Mantis já opera de forma autônoma enquanto a empresa desenvolve a próxima etapa da plataforma.

A máquina suporta cargas superiores a 100 quilos, alcança até 4 metros e trabalha com precisão milimétrica, segundo as especificações divulgadas pela companhia. Sua arquitetura modular permite substituir ferramentas conforme a operação necessária, incluindo instalação, fixação, acabamento e inspeção.

A mobilidade também foi pensada para condições diferentes das encontradas em uma linha de produção convencional. O Mantis consegue reposicionar as pernas para atravessar passagens estreitas, passar por portas comuns e ganhar estabilidade em superfícies irregulares, inclusive durante fases ainda incompletas da estrutura.

A inteligência artificial participa da percepção do ambiente e da execução dos fluxos de trabalho, mas o desempenho depende também da preparação física dos componentes. As peças recebem juntas planejadas e posicionadores autoalinháveis para que o robô consiga localizar e conectar os elementos sem depender dos mesmos ajustes feitos manualmente.

Esse processo começa no projeto do edifício. A plataforma digital da All3 cria um modelo coordenado que orienta a fabricação dos componentes e mantém as informações necessárias para a montagem, reduzindo a necessidade de reinterpretar instruções entre as etapas de projeto, produção e instalação.

Na fábrica, a companhia declara utilizar células robotizadas com nível de automação de 90%. Os componentes são produzidos com interfaces do tipo plug-and-play e precisão declarada de 0,2 milímetro, porque desvios acumulados podem dificultar o posicionamento quando as peças chegam ao canteiro.

Próximo desafio é fazer os robôs trabalharem em conjunto

A etapa seguinte deixa de tratar o Mantis apenas como uma máquina autônoma isolada. A All3 recebeu financiamento da Innovate UK, vinculada à UK Research and Innovation, para desenvolver um sistema em que dois ou mais robôs possam atuar de maneira coordenada em uma obra real.

O projeto começou em agosto de 2026 e tem duração prevista de 12 meses. A intenção é fazer as unidades compartilharem informações de posição, sequência e estado das tarefas com latência medida em milissegundos, permitindo que diferentes equipamentos participem do mesmo fluxo de montagem.

Essa coordenação é necessária porque uma frota precisa evitar conflitos de movimento e manter uma sequência comum de execução. A dificuldade aumenta quando mais de uma máquina manipula painéis ou quando tarefas consecutivas dependem diretamente do posicionamento concluído por outro robô.

O programa também prevê o desenvolvimento de troca e recarga autônoma de baterias, reduzindo intervenções humanas ligadas à alimentação dos equipamentos. Outra frente será comparar digitalmente a estrutura montada com o modelo do edifício durante a execução, para verificar o posicionamento dos componentes.

Há, portanto, uma diferença entre o estágio atual e a escala pretendida. Uma unidade consegue executar operações previamente definidas de forma autônoma; uma frota precisa compartilhar continuamente o que cada máquina está fazendo e ajustar movimentos sem comprometer a segurança ou a sequência da obra.

Prazo menor depende de projeto, fábrica e montagem

A estimativa de reduzir o cronograma em até metade está ligada à integração dessas etapas. O Mantis representa o ponto em que a automação aplicada ao projeto e à fabricação chega ao local onde os componentes efetivamente são posicionados e conectados.

Ao retirar parte dos ajustes do canteiro, a empresa tenta transformar atividades dependentes de habilidade manual em operações previamente definidas no modelo digital e nos próprios componentes. Isso reduz a necessidade de correções durante a montagem, mas exige elevada precisão nas etapas anteriores para que o encaixe planejado funcione.

A escassez de profissionais especializados aparece entre os problemas que a All3 pretende enfrentar com esse modelo. A automação é direcionada principalmente a tarefas repetitivas ou pesadas de instalação e acabamento, enquanto o sistema integrado tenta diminuir a dependência de intervenções manuais durante a conexão das peças.

O projeto ainda precisa demonstrar como várias unidades se comportam juntas em condições reais de construção. Enquanto desenvolve essa coordenação ao longo do programa apoiado pela Innovate UK, a empresa também prevê iniciar na Alemanha, ainda em 2026, a construção de seu primeiro edifício baseado nesse modelo.

Tags


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

Sair da versão mobile