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Espanha apresenta fragata F-110 Flight II com 64 células de lançamento vertical, radar SPY-7, 6.700 toneladas e 29 nós para conquistar a Marinha da Dinamarca em guerra antiaérea de alta intensidade

Espanha apresenta fragata F-110 Flight II com 64 células de lançamento vertical, radar SPY-7, 6.700 toneladas e 29 nós para conquistar a Marinha da Dinamarca em guerra antiaérea de alta intensidade

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Espanha apresenta fragata F-110 Flight II com 64 células de lançamento vertical, radar SPY-7, 6.700 toneladas e 29 nós para conquistar a Marinha da Dinamarca em guerra antiaérea de alta intensidade

Escrito por Douglas Avila

Publicado em 29/08/2026 às 20:14

Atualizado em 29/08/2026 às 20:33

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A Navantia levou à feira DALO Industry Days, em Herning, a primeira maquete da fragata F-110 Flight II, versão esticada e rearmada da classe Bonifaz que troca a vocação antissubmarino por defesa aérea e antimíssil integrada, e a ofereceu à Marinha Real Dinamarquesa, que renova a esquadra a partir de 2030.

A revelação aconteceu em 27 de agosto de 2026, durante a DALO Industry Days, o evento anual da agência de aquisições de defesa da Dinamarca. Segundo a reportagem do Naval News, foi a primeira vez que o estaleiro estatal espanhol mostrou publicamente o modelo em escala da variante, batizada de F-110 Flight II para a Armada espanhola e de F-110 IAMD, sigla de Integrated Air and Missile Defence, para o mercado de exportação.

O motivo da escolha do palco é direto. A Marinha Real Dinamarquesa anunciou um novo plano de aquisições navais que inclui fragatas, e a Navantia já tinha apresentado em Copenhague, em fevereiro, uma proposta de cooperação estratégica com entrega “rápida e confiável a partir de 2030”, conforme comunicado da própria empresa. A maquete de Herning é o produto concreto por trás daquela oferta.

O que muda na fragata F-110 Flight II em relação à classe Bonifaz

A base é a classe Bonifaz, o programa F-110 que a Navantia constrói em Ferrol para a Espanha. São cinco navios contratados em abril de 2019 por cerca de 4,3 bilhões de euros, segundo a página do programa na Wikipédia, e o primeiro deles, o Bonifaz (F111), foi lançado ao mar em setembro de 2025, com incorporação prevista para 2028. A Navantia diz que a obra corre dentro do cronograma, “até ligeiramente adiantada”.

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A versão Flight II pega esse casco e o estica. O comprimento passa de cerca de 145 metros para 150 metros, ou seja, 5 metros a mais, enquanto o deslocamento sobe de aproximadamente 6.100 toneladas para 6.700 toneladas. A boca máxima continua em 18,6 metros. A velocidade máxima, de acordo com o Naval News, ultrapassa 29 nós, contra os 26 nós citados para o Flight I, com velocidade de cruzeiro acima de 18 nós e alcance de cerca de 4.100 milhas náuticas a 15 nós.

A tripulação prevista é de cerca de 170 marinheiros, com acomodação para outras 37 pessoas. Isso abre espaço para estado-maior embarcado ou destacamentos de aeronaves.

A propulsão é do tipo CODLAG, combinando geradores diesel, motores elétricos e turbina a gás, uma configuração silenciosa que a Navantia herdou do projeto original.

O salto de verdade, porém, está no armamento. O Flight I carrega um único lançador vertical Mk 41 de 16 células. O Flight II passa a ter um bloco de 48 células Mk 41 de comprimento “strike” à frente da ponte e mais um módulo de 16 células táticas embutido na superestrutura, totalizando 64 células. Na prática, segundo o Naval News, isso permite embarcar até 64 mísseis SM-2 ou até 256 ESSM. O ESSM vai em pacotes de quatro por célula.

O site australiano Defence Connect resume a mudança dizendo que a Navantia transformou uma plataforma pensada para guerra antissubmarino em um navio focado em defesa aérea e antimíssil, com mais volume de casco, mais capacidade elétrica e mais folga para o sistema de combate. O autor faz uma observação que dá pra entender bem no contexto europeu de hoje: profundidade de paiol importa. Um navio novo deveria nascer com margem de crescimento bem maior.

Radar SPY-7 ampliado e o conceito de IAMD

IAMD, ou defesa aérea e antimíssil integrada, é o nome que a OTAN usa para a capacidade de detectar, rastrear e abater de forma coordenada tudo o que voa em direção a uma força naval, de drones baratos a mísseis balísticos. Sensores e armas de vários navios e aeronaves compartilham a mesma imagem tática.

Não é só ter mais mísseis; é conseguir usá-los como parte de uma rede.

Por isso o coração do Flight II é o radar. A fragata mantém o AN/SPY-7(V)2 da Lockheed Martin, um radar de estado sólido em banda S, mas cada face passa de 68 para 100 subconjuntos de antena, o que amplia alcance e sensibilidade. O radar trabalha com o sistema de combate SCOMBA, da própria Navantia, integrado ao ciclo de controle de tiro Aegis internacional e ao Cooperative Engagement Capability. Esse protocolo americano permite a um navio disparar contra um alvo que outro navio está rastreando.

Além disso, a lista de sensores é extensa. Há um radar multifunção Indra PRISMA-25X para vigilância de superfície, dois radares de direção de tiro Raytheon AN/SPG-62 para guiar os SM-2 na fase terminal e um pacote de guerra eletrônica Rigel e Regulus, também da Indra.

Embaixo d’água, o navio recebe sonar de casco BLUEMASTER e sonar rebocado CAPTAS-4 Compact, ambos da Thales. Ou seja, a vocação antissubmarino não foi abandonada, apenas deixou de ser a prioridade.

O restante do armamento inclui um canhão Leonardo 127 mm, oito mísseis antinavio Naval Strike Missile da Kongsberg em dois lançadores quádruplos, dois lançadores duplos de torpedos Mk 32 para torpedos leves Mk 54, duas estações remotas de 30 mm e quatro de 12,7 mm da espanhola Escribano.

Conforme o Naval News, a maquete ainda traz uma arma de energia dirigida, lançadores de munições circulantes e uma capacidade dedicada contra drones. O hangar recebe helicópteros NH90 ou MH-60R.

A disputa pela Dinamarca e o espelho brasileiro

A Espanha, por sua vez, já contratou duas unidades Flight II para a sua própria Marinha, além das cinco do Flight I, das quais três estão em construção. Isso pesa numa licitação, porque a Dinamarca compraria um projeto com cliente de lançamento, e não um desenho de papel. Na proposta de fevereiro, o presidente da Navantia, Ricardo Domínguez, ofereceu transferência de tecnologia, participação de empresas dinamarquesas e apoio de treinamento da Armada espanhola.

No entanto, a concorrência apareceu na mesma feira. Uma semana antes, a britânica Babcock assinou uma carta de colaboração com o consórcio Danske Flådeskibe, formado por OMT Group, Terma, PensionDanmark e Semco Maritime. A ideia é oferecer o projeto Arrowhead 140 construído em solo dinamarquês, com promessa de cerca de 2.000 empregos diretos e indiretos. Confesso que essa briga tende a ser decidida tanto pela política industrial quanto pela ficha técnica.

Olhando para o Brasil, a comparação ajuda a dimensionar. A Marinha do Brasil renova a Esquadra com a classe Tamandaré, construída pelo TKMS Estaleiro Brasil Sul em Itajaí, Santa Catarina, pelo Consórcio Águas Azuis.

Segundo ofício enviado à Câmara e divulgado pelo Metrópoles, o programa recebeu R$ 9,525 bilhões até abril de 2026 e ainda precisa de R$ 4,724 bilhões para concluir o primeiro lote de quatro navios. Três novas unidades estão previstas até 2029. A Tamandaré é uma fragata de perfil de escolta, não um navio de defesa aérea de área como o Flight II.

Assim, a maquete de Herning mostra para onde o mercado europeu de fragatas está indo: mais células, radar maior, laser a bordo e defesa contra drones já no projeto. A Navantia mira a primeira entrega em 2030. Enquanto isso, o Bonifaz original ainda nem começou as provas de mar. Fico imaginando se a Dinamarca vai preferir o poder de fogo ou o estaleiro em casa. Conta nos comentários o que você acha.

Um navio de 64 células e radar ampliado faz sentido para a Dinamarca, ou o casco construído em casa vai pesar mais?

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Douglas Avila.

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