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Esse carro tinha tração traseira, mecânica robusta e consumo que surpreende até hoje: Chevrolet Chevette Hatch fazia até 14,4 km/l na estrada e virou um dos compactos mais lembrados das décadas de 1970 e 1980
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 13/08/2026 às 14:09
Atualizado em 13/08/2026 às 14:18
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Chevrolet Chevette Hatch chegou ao Brasil no fim de 1979 com motor 1.4 de 68 cv, tração traseira e mecânica robusta. Em teste da época, fez média de 13,5 km/l e chegou a 14,4 km/l na estrada, mantendo uma fórmula simples que ajudou a transformá-lo em clássico nacional.
No fim de 1979, a Chevrolet colocou nas ruas brasileiras uma nova interpretação de um carro que já havia conquistado espaço desde 1973. O Chevette Hatch, lançado como linha 1980, trocava a carroceria sedã tradicional por uma traseira curta com grande tampa de acesso ao compartimento de bagagem, mas preservava características que se tornariam marcas do modelo: motor dianteiro, câmbio manual, construção relativamente simples e tração traseira.
O número que chama atenção mais de quatro décadas depois veio de um teste da Quatro Rodas realizado em dezembro de 1979.
Com motor 1.4 de 68 cv, o hatch registrou consumo médio de aproximadamente 13,52 km/l e, segundo a publicação, podia chegar a 14,4 km/l na estrada. Pesando 878 kg, ele ainda entregava uma configuração mecânica hoje praticamente desaparecida entre compactos populares.
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Chevette Hatch chegou no fim de 1979 com 3,97 metros e tração traseira
O Chevette sedã já circulava havia seis anos quando a GM decidiu ampliar a família. A Chevrolet havia começado a testar uma carroceria de três portas ainda em 1976, mas o hatch só chegou ao mercado no final de 1979, já identificado como modelo 1980.
Ele media aproximadamente 3,97 metros de comprimento, 1,57 metro de largura e apenas 1,32 metro de altura. O entre-eixos era de 2,395 metros e o peso ficava em 878 kg, dimensões que o colocavam claramente na categoria dos compactos daquele período.
A Chevrolet manteve uma característica fundamental da família: motor longitudinal dianteiro e tração nas rodas traseiras. Enquanto Fiat 147 e posteriormente Volkswagen Gol adotavam tração dianteira, o pequeno Chevrolet conservava uma arquitetura que contribuía diretamente para o comportamento dinâmico que ainda hoje desperta interesse entre colecionadores.
Motor 1.4 entregava 68 cv e usava carburador simples
Debaixo do capô estava um quatro-cilindros de 1.398 cm³, com duas válvulas por cilindro, comando simples no cabeçote e alimentação por carburador de corpo simples.
A potência declarada era de 68 cv a 5.800 rpm, enquanto o torque chegava a aproximadamente 9,81 kgfm a 4.000 rpm.
O câmbio tinha quatro marchas nas primeiras configurações e enviava toda a força para o eixo traseiro. Em 1983, após uma reestilização inspirada no Monza, a linha passou a contar também com a importante novidade da quinta marcha.
A família mecânica do Chevette construiu reputação de resistência ao longo de duas décadas. A Quatro Rodas descreve o modelo como robusto e confiável, características que ajudaram a mantê-lo circulando durante muitos anos depois de sua fabricação.
Sua arquitetura também era menos complexa que a encontrada nos automóveis atuais, sem gerenciamento eletrônico sofisticado, turbo ou injeção direta.
Consumo chegava a 14,4 km/l na estrada
É justamente no consumo que o Chevette Hatch de 1980 produz um dos contrastes mais interessantes com sua idade. No teste realizado pela Quatro Rodas em dezembro de 1979, o carro atingiu média de 13,52 km/l, apesar do sistema de alimentação carburado e da transmissão de apenas quatro marchas.
A publicação registra que o hatch chegava a 14,4 km/l em uso rodoviário. Esses números pertencem especificamente às condições e metodologia daquele teste e não devem ser interpretados como consumo oficial padronizado pelos ciclos modernos usados atualmente.
Ainda assim, o resultado ajuda a explicar a fama de econômico adquirida pelo modelo. Seu baixo peso era determinante: com 878 kg, o motor 1.4 precisava movimentar muito menos massa do que a maioria dos carros atuais, que carregam estruturas de segurança, equipamentos eletrônicos, isolamento acústico e sistemas de conforto inexistentes naquela época.
Desempenho era modesto, com quase 20 segundos de 0 a 100 km/h
Economia não significava velocidade. No mesmo teste, o Chevette Hatch precisou de 19,66 segundos para acelerar de 0 a 100 km/h e alcançou velocidade máxima de 138,46 km/h. Para os padrões atuais, são números muito modestos.
O resultado era coerente com a proposta do motor 1.4 de 68 cv e do câmbio de quatro marchas. A prioridade estava menos em acelerações fortes e mais em oferecer um compacto acessível, leve e adequado às necessidades cotidianas de deslocamento.
Em compensação, a configuração de tração traseira criava uma experiência bastante diferente da oferecida pelos concorrentes com tração dianteira.
A Quatro Rodas destacou a direção rápida, o câmbio de engates precisos e a possibilidade de controlar a traseira nas curvas, características pouco associadas atualmente a automóveis populares.
Banco traseiro rebatido ampliava porta-malas de 254 para 698 litros
A grande novidade do hatch estava atrás dos passageiros. A terceira porta ocupava aproximadamente dois terços da traseira e facilitava o acesso ao compartimento de bagagem, uma solução que começava a conquistar espaço no mercado nacional.
O porta-malas normal tinha apenas 254 litros, resultado das dimensões compactas e da configuração mecânica.
Com o banco traseiro rebatido, entretanto, a capacidade aumentava para aproximadamente 698 litros, tornando a carroceria mais versátil para cargas volumosas.
O espaço interno continuava sendo uma limitação. A própria avaliação histórica da Quatro Rodas descreve o banco traseiro como apertado e lembra que o projeto precisava acomodar ocupantes dentro de apenas 2,40 metros de entre-eixos. A solução incluiu bancos dianteiros mais finos e reposicionamento do tanque e do estepe sob o piso.
Reestilização de 1983 trouxe visual inspirado no Monza
O Chevette Hatch não permaneceu visualmente congelado. Em 1983, recebeu uma reestilização importante, com capô mais inclinado, grade horizontal e faróis retangulares.
A inspiração vinha do Monza, que representava uma nova geração de automóveis dentro da Chevrolet brasileira.
A década também trouxe versões mais marcantes, sobretudo a S/R, responsável por reforçar o lado esportivo da carroceria hatch.
A própria Chevrolet, ao selecionar 100 veículos importantes de sua história brasileira em 2025, destacou a S/R pelo kit aerodinâmico, pintura em dois tons e rodas de liga leve.
A família Chevette alcançou seu auge comercial justamente naquele período. Em 1983, o Chevette tornou-se o carro mais vendido do Brasil, superando o Fusca, segundo a própria General Motors.
O feito considera a linha Chevette e não exclusivamente a carroceria hatch, mas mostra a dimensão que o nome havia alcançado no mercado nacional.
Chevette Hatch saiu de linha em 1987 como o carro mais barato do Brasil
A vida do hatch foi menor que a do sedã. A Chevrolet registra oficialmente a carroceria entre 1979 e 1987, enquanto o Chevette convencional permaneceu em produção no Brasil até 1993.
No fim de sua trajetória, o hatch já enfrentava concorrentes mais modernos e a preferência do consumidor havia mudado.
Segundo a Quatro Rodas, o modelo encerrou a carreira em 1987 ostentando naquele momento a condição de carro mais barato do país.
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A família Chevette completa alcançaria cerca de 1,6 milhão de unidades vendidas ao longo de 20 anos, segundo levantamento histórico da publicação.
O hatch representa apenas uma parcela desse total, mas preserva uma combinação que desapareceu do mercado nacional: carroceria compacta, baixo peso, motor dianteiro simples e tração traseira.
Tração traseira ajuda a explicar por que o Chevette continua lembrado
O Chevette surgiu em 1973 como o primeiro compacto da GM brasileira e fazia parte do programa internacional T-Car.
Para a Chevrolet, ele representou um salto em relação aos populares mais básicos daquele período, incorporando carroceria monobloco, zonas de deformação programada e coluna de direção retrátil.
Quando o hatch apareceu, preservou essa base técnica e acrescentou uma carroceria mais funcional. O resultado era um carro de menos de quatro metros, 878 kg, motor 1.4 de 68 cv, câmbio manual e eixo traseiro motriz, combinação cada vez mais rara conforme os compactos brasileiros migraram definitivamente para motores transversais e tração dianteira.
Mais de quatro décadas depois, são justamente essas características que transformam o Chevette Hatch em um retrato de outra era da indústria brasileira.
Ele não era rápido nem espaçoso, mas oferecia mecânica robusta, dirigibilidade peculiar e consumo que podia alcançar 14,4 km/l na estrada, números suficientes para explicar por que aquele pequeno Chevrolet ainda ocupa espaço entre os clássicos nacionais.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

