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Estudante de Direito de Mato Grosso do Sul se cadastra como doador de medula óssea em 2013, recebe anos depois a ligação avisando que era compatível com um paciente que ele nunca viu, cruza o país até Belo Horizonte com tudo pago pelo sistema e doa a medula que salvou a vida de um completo desconhecido.
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 28/08/2026 às 15:08
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Rômulo Andrei Vilalba de Oliveira se cadastrou como doador de medula óssea em 2013, quando estudava Direito em Mato Grosso do Sul. Anos depois, descobriu ser compatível com um desconhecido, viajou a Belo Horizonte, teve passagens e hospedagem organizadas e realizou a doação que ajudou a salvar uma vida humana.
Rômulo Andrei Vilalba de Oliveira era um jovem estudante de Direito de Mato Grosso do Sul quando decidiu se cadastrar como doador de medula óssea, em 2013, durante uma campanha realizada em sua universidade. Anos depois, recebeu do Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome) a notícia de que havia uma pessoa compatível com ele.
Segundo reportagem da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul, publicada em 20 de dezembro de 2024 por Kamilla Nunes Ratier Camacho, Rômulo seguiu com os exames necessários e depois viajou a Belo Horizonte para realizar o procedimento. Aos 31 anos, já como policial civil, ele relembrou a experiência durante a Semana Nacional de Mobilização para Doação de Medula Óssea.
Cadastro de Rômulo começou em uma campanha universitária em 2013
Rômulo já era doador de sangue havia bastante tempo quando encontrou a oportunidade de entrar também no cadastro de possíveis doadores de medula óssea. A decisão aconteceu em 2013, durante uma campanha promovida em sua universidade.
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O cadastro não significava que ele necessariamente faria uma doação. Os dados passariam a integrar o Redome e poderiam ser utilizados caso surgisse algum paciente com características de compatibilidade correspondentes.
Ligação do Redome avisou que havia uma pessoa compatível
Anos depois do cadastro, o Redome entrou em contato com Rômulo para informar que havia encontrado alguém compatível com ele. O possível receptor era uma pessoa que o então estudante não conhecia.
“Eu já era doador de sangue há bastante tempo, mas nunca imaginei que seria chamado para algo tão importante”, relembrou Rômulo. Segundo ele, ao ser informado da compatibilidade, não considerou outra alternativa além de aceitar seguir com o processo.
Chance de compatibilidade fora da família é de 1 em 100 mil
Encontrar uma pessoa compatível fora do núcleo familiar é uma das principais dificuldades enfrentadas por quem precisa de um transplante. Conforme a Secretaria de Saúde de Mato Grosso do Sul, a chance de encontrar um doador 100% compatível fora da família é de apenas 1 em 100 mil.
Rômulo também mencionou essa raridade ao recordar o telefonema. Para ele, saber que havia sido encontrado como possível doador compatível tornou a decisão de seguir adiante ainda mais significativa.
Exames confirmaram que Rômulo estava apto para seguir com a doação
Rômulo passou pelas etapas previstas depois do primeiro contato. Exames de compatibilidade e orientações médicas antecederam o procedimento, garantindo que ele pudesse prosseguir como doador.
A avaliação detalhada faz parte do processo quando uma compatibilidade é identificada. Segundo a publicação, o objetivo é verificar se o voluntário está apto para doar antes que a retirada das células da medula seja realizada.
Viagem levou o doador de Mato Grosso do Sul a Belo Horizonte
Belo Horizonte foi a cidade definida para a realização do procedimento. Rômulo precisou se deslocar de Mato Grosso do Sul e fazer ajustes em sua rotina para concretizar a doação de medula óssea ao paciente compatível.
Rômulo afirmou ter ficado impressionado com a estrutura oferecida durante a viagem. Passagens e hospedagem fizeram parte da organização mencionada pelo doador, que destacou também o cuidado recebido durante todo o processo.
“Tudo foi pensado para que eu me sentisse confortável e seguro, desde as passagens até a hospedagem”, relatou. Ele também classificou a equipe médica como excepcional e afirmou que o procedimento se mostrou mais simples do que imaginava.
Procedimento dura cerca de 90 minutos e é feito sob anestesia
A retirada da medula óssea, segundo as informações divulgadas pela Secretaria de Saúde, dura aproximadamente 90 minutos e é realizada sob anestesia. As células saudáveis são retiradas da região do osso da bacia.
O procedimento, portanto, não envolve a coluna vertebral ou a medula espinhal. A fonte destaca essa diferença para combater um dos mitos mais comuns relacionados à doação de medula óssea.
Medula óssea não é a mesma coisa que medula espinhal
A medula óssea é um tecido líquido localizado no interior dos ossos, também conhecido popularmente como tutano. É nesse tecido que são formados componentes importantes do sangue.
As hemácias são responsáveis pelo transporte de oxigênio, enquanto os leucócitos atuam na defesa do organismo contra infecções. As plaquetas, por sua vez, são essenciais para o processo de coagulação.
A medula espinhal tem outra função. Trata-se de um tecido nervoso localizado na coluna vertebral e responsável pela transmissão de impulsos entre o cérebro e o restante do corpo, sem relação com a retirada feita durante a doação de medula óssea.
Medula retirada do doador se regenera em até 15 dias
Depois da coleta, a medula retirada do doador se regenera naturalmente em até 15 dias, de acordo com a publicação. A Secretaria de Saúde afirma que o processo ocorre sem prejuízo à saúde do voluntário.
No receptor, o tratamento segue outra etapa. A medula doente do paciente é destruída antes que ele receba as células saudáveis provenientes do doador, conforme a explicação divulgada pela pasta.
Cadastro no Redome começa com coleta de 10 ml de sangue
Quem deseja se tornar um possível doador precisa procurar o Hemocentro mais próximo e realizar o cadastro no Redome, do INCA (Instituto Nacional do Câncer). Também é coletada uma amostra de 10 ml de sangue para o exame de tipagem HLA.
O cadastro é o ponto de partida para que as características do voluntário possam ser comparadas às de pacientes que precisam de transplante. Caso uma compatibilidade seja encontrada posteriormente, o possível doador é procurado para novos exames e avaliação.
Doador pode se cadastrar até 35 anos e 9 meses
Para entrar no cadastro, é necessário ter entre 18 e 35 anos e 9 meses, apresentar documento oficial de identificação com foto e estar em bom estado geral de saúde. Também não pode haver doença que impeça o cadastramento e a posterior doação de medula óssea.
Mesmo com esse limite para novos cadastros, o doador permanece registrado até os 60 anos e pode realizar a doação até essa idade, segundo as regras apresentadas pela Secretaria de Saúde de Mato Grosso do Sul.
Hemosul atua no cadastramento de novos doadores em Mato Grosso do Sul
Em Mato Grosso do Sul, a Rede Hemosul atua no cadastramento de novos doadores, na coleta de sangue e na conscientização da população. A rede também fornece informações a pessoas interessadas em integrar o registro de potenciais doadores de medula.
A coordenadora da Rede Hemosul MS, Marina Sawada Torres, destacou que o procedimento pode beneficiar pacientes que enfrentam leucemias, linfomas e outras doenças graves. “Cada cadastro é uma esperança para quem aguarda um transplante. E o processo é mais simples do que muitos imaginam”, afirmou.
Semana de mobilização ocorre todos os anos de 14 a 21 de dezembro
A história de Rômulo foi retomada durante a Semana Nacional de Mobilização para Doação de Medula Óssea, campanha realizada anualmente entre 14 e 21 de dezembro.
A mobilização busca conscientizar a população sobre a importância da doação e ampliar o número de pessoas cadastradas no Redome. A quantidade de voluntários é especialmente relevante diante da possibilidade de apenas 1 em 100 mil para uma compatibilidade integral fora da família.
Aos 31 anos, Rômulo diz que faria outra doação se tivesse oportunidade
Rômulo tinha 31 anos e trabalhava como policial civil quando sua história foi publicada pela Secretaria de Saúde de Mato Grosso do Sul, em dezembro de 2024. Ele afirmou enxergar na doação um compromisso com o próximo e disse carregar até hoje a experiência de ter ajudado outra pessoa.
“Fiz a doação de coração, sem esperar nada em troca. Para mim, salvar uma vida já foi suficiente”, declarou. Rômulo também afirmou que doaria novamente caso surgisse outra oportunidade e defendeu que mais pessoas conheçam o funcionamento do procedimento para decidir sobre o cadastro.
Na sua opinião, saber que a chance de compatibilidade fora da família é de apenas 1 em 100 mil faria você considerar um cadastro como doador de medula óssea? Deixe sua opinião nos comentários.
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doação de medula óssea
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

