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Estudante de escola pública trabalhava o dia inteiro em uma unidade do McDonald’s, frequentava o ensino médio no período noturno e aproveitava cada intervalo, sábado e domingo para estudar sozinha até conquistar uma vaga em Física Computacional na USP sem ter feito cursinho
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 05/08/2026 às 19:39
Atualizado em 05/08/2026 às 19:40
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Giovanna Cardoso trabalhava durante o dia no McDonald’s, cursava o ensino médio à noite em uma escola pública e estudava sozinha nos intervalos e fins de semana até conquistar, aos 18 anos, uma vaga em Física Computacional na USP pelo Provão Paulista.
Aos 18 anos, Giovanna Cardoso precisou dividir sua rotina entre o trabalho durante o dia, o ensino médio no período noturno e a preparação para os vestibulares. Moradora de Louveira, no interior de São Paulo, ela estudava na Escola Estadual Professor Joaquim Antônio Ladeira enquanto trabalhava em uma unidade do McDonald’s.
Sem tempo para frequentar um cursinho preparatório, Giovanna passou a aproveitar os intervalos disponíveis durante o dia, a noite e os fins de semana. O esforço permitiu que ela conquistasse uma vaga no curso de Física Computacional do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo, o IFSC-USP.
Giovanna Cardoso trabalhava durante o dia e estudava à noite
Giovanna concluiu o ensino médio em 2023, quando frequentava as aulas no período noturno. Durante o dia, ela trabalhava no McDonald’s, o que deixava pouco tempo livre para uma preparação tradicional para os vestibulares.
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A rotina exigia que a estudante saísse do trabalho e seguisse para a escola. Além das responsabilidades profissionais e das aulas regulares, ela ainda precisava revisar conteúdos e se preparar para as provas de ingresso no ensino superior.
A jovem estudou durante toda essa etapa em uma instituição pública estadual. A escola Professor Joaquim Antônio Ladeira está localizada em Louveira, cidade do interior paulista onde Giovanna vivia antes de ingressar na USP.
Falta de tempo impediu que a estudante frequentasse um cursinho
Giovanna explicou ao Jornal da USP que sua rotina não deixava espaço para fazer cursinho. As horas do dia eram ocupadas pelo emprego, enquanto o período noturno era reservado às aulas do ensino médio.
Diante dessa limitação, a preparação precisou acontecer de maneira independente. A estudante organizava o próprio aprendizado e buscava encaixar revisões, leituras e exercícios nos pequenos períodos disponíveis.
Ela também decidiu prestar diferentes processos seletivos. Em vez de concentrar toda a preparação em uma única prova, procurou ampliar as possibilidades de entrada no ensino superior público.
Intervalos e fins de semana viraram horários de estudo
Sem uma longa faixa diária dedicada à preparação, Giovanna passou a utilizar todos os intervalos que encontrava. Segundo o relato publicado pela USP, ela estudava durante os espaços livres do dia, da noite, aos sábados e aos domingos.
Esse modelo exigia continuidade. Mesmo períodos curtos precisavam ser usados para revisar matérias, resolver questões ou acompanhar conteúdos necessários para as provas.
O estudo autônomo também significava avançar sem a estrutura de uma turma de cursinho. Giovanna precisava organizar as disciplinas, identificar suas dificuldades e controlar o próprio ritmo enquanto mantinha o trabalho e a escola.
Sonho de trabalhar com ciência começou ainda na infância
Ao chegar à USP, Giovanna afirmou que sonhava desde pequena em se dedicar à ciência. A escolha da graduação não aconteceu apenas pela presença da computação, mas pela possibilidade de usar ferramentas tecnológicas em problemas científicos.
A estudante escolheu Física Computacional por considerar importante a presença da ciência computacional na vida das pessoas. O curso combina uma formação forte em Física com matemática, programação e métodos usados para analisar problemas complexos.
Durante a recepção dos novos alunos, Giovanna escreveu as palavras “Física” e “USP” nos braços. O gesto marcou a realização de um projeto construído enquanto ela conciliava emprego, escola pública e preparação independente.
Aprovação aconteceu por meio do Provão Paulista
Giovanna ingressou na Universidade de São Paulo pelo Provão Paulista. A avaliação foi criada como uma nova forma de acesso às universidades e instituições públicas de ensino superior do estado.
As notas obtidas pelos estudantes podiam ser usadas para disputar vagas na USP, Unicamp, Unesp e Unifesp. O processo também incluía oportunidades nas Fatecs e na Universidade Virtual do Estado de São Paulo, a Univesp.
Para Giovanna, o Provão Paulista representou uma grande porta de entrada. A estudante afirmou que o processo ampliou as oportunidades disponíveis para quem cursava o ensino médio na rede pública.
Primeira edição ofereceu 1.500 vagas somente na USP
Na primeira edição do Provão Paulista, a USP destinou 1.500 vagas ao processo. Esse número correspondia a aproximadamente 13,5% das oportunidades oferecidas pela universidade naquele período.
Do total reservado pela USP, 555 vagas foram destinadas a estudantes pretos, pardos e indígenas. A iniciativa passou a integrar o conjunto de formas de ingresso da instituição ao lado da Fuvest e do Enem-USP.
A Universidade de São Paulo recebeu 11.147 novos alunos em 2024. Naquele ano, a instituição também mantinha a política de reservar 50% das vagas de cada curso para candidatos que haviam estudado em escolas públicas.
Giovanna considerou o Provão Paulista mais difícil que o Enem
Ao comentar sua experiência, Giovanna afirmou que considerou a edição do Provão Paulista realizada em 2023 mais difícil que o Enem. A comparação foi feita a partir das provas que ela havia prestado durante o último ano do ensino médio.
O tema da redação foi o combate à fome. Para a estudante, o assunto permitiu analisar a situação social brasileira e apresentar argumentos relacionados a um problema vivido por milhões de pessoas.
Giovanna também relacionou o acesso à universidade com a desigualdade social. Em seu depoimento, destacou que estudantes da rede pública conhecem diretamente os efeitos das diferenças econômicas sobre as oportunidades educacionais.
Física Computacional é um curso de Física com tecnologia aplicada
Apesar do nome, a graduação não é apenas um curso de programação. O Instituto de Física de São Carlos explica que a formação principal continua sendo em Física, com as ferramentas computacionais aplicadas à solução de problemas científicos.
Assista o vídeo
Nos primeiros anos, os estudantes cursam disciplinas como Física, Matemática e Química. A grade também inclui cálculo, geometria analítica, laboratórios e fundamentos da programação de computadores.
A proposta é formar profissionais que compreendam os fenômenos físicos e saibam utilizar computadores para realizar cálculos, simulações, análises de dados e construção de modelos.
Curso da USP possui duração prevista de quatro anos
O bacharelado em Física Computacional do IFSC possui duração prevista de quatro anos. A formação começa com um ciclo básico e avança para disciplinas mais específicas conforme o estudante progride.
A grade curricular inclui Física I, II, III e IV, cálculo, álgebra linear, mecânica clássica, física quântica, termodinâmica, eletromagnetismo e laboratórios avançados. Também aparecem programação, sistemas computacionais e modelagem matemática.
Os alunos ainda podem cursar matérias como processamento de imagens, ciência de dados, redes de computadores, sistemas paralelos, mecânica quântica computacional e programação de alto desempenho.
Estudantes podem escolher entre três áreas de formação
Depois do ciclo básico, o curso permite que o estudante se aproxime de três trilhas principais. As opções apresentadas pelo IFSC são métodos computacionais, análise de imagens e instrumentação eletrônica.
Na área de métodos computacionais, o aluno pode trabalhar com simulações, modelos matemáticos e grandes conjuntos de dados. Essas ferramentas podem ser aplicadas a fenômenos físicos, biológicos, econômicos e sociais.
Na análise de imagens, a computação pode ajudar a reconhecer padrões e desenvolver sistemas de diagnóstico. A instrumentação eletrônica concentra-se em sensores, equipamentos, componentes e sistemas inteligentes.
Aprovação abriu uma nova rotina em São Carlos
A vaga conquistada levou Giovanna ao Instituto de Física de São Carlos, uma das unidades da USP dedicadas ao ensino e à pesquisa científica. A mudança representou a entrada em uma graduação com carga elevada de disciplinas teóricas, práticas e computacionais.
Logo no primeiro período, a grade inclui Física, cálculo, geometria analítica, laboratório e atividades de direcionamento acadêmico. No segundo, aparecem Química, Física II, Cálculo II e fundamentos da programação.
A preparação realizada nos intervalos do trabalho e nos fins de semana permitiu que Giovanna chegasse a uma formação que exige dedicação contínua. O desafio da aprovação foi substituído pelo trabalho necessário para avançar dentro do curso.
História mostra o peso das novas formas de ingresso
O caso de Giovanna ganhou visibilidade na primeira turma que chegou à USP pelo Provão Paulista. O processo criou uma rota de acesso direto para estudantes que estavam concluindo o ensino médio público.
A vaga, porém, não foi conquistada apenas pela existência do processo seletivo. A estudante precisou manter os estudos enquanto trabalhava durante o dia e frequentava a escola à noite.
A combinação entre dedicação pessoal e ampliação das formas de ingresso permitiu que ela entrasse em um curso ligado ao sonho que mantinha desde criança: dedicar-se à ciência.
Trabalho, escola pública e estudo autônomo levaram Giovanna à USP
Giovanna não tinha tempo para cursinho e não podia abandonar o trabalho para se dedicar apenas aos vestibulares. Sua preparação precisou caber entre o emprego, as aulas noturnas e os compromissos de uma estudante do ensino médio.
Os intervalos, os sábados e os domingos tornaram-se parte de sua rotina de estudo. Ao final do processo, ela conquistou uma vaga em Física Computacional em uma das principais universidades públicas do país.
Aos 18 anos, a jovem deixou de apenas imaginar uma carreira científica e passou a frequentar o IFSC-USP. A aprovação transformou o tempo fragmentado entre trabalho e escola no início de uma formação em Física, Matemática e Computação.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

