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Estudante do Maranhão estudava sem internet, encarou 10 horas por dia de questões, usou bolsa de R$ 100 para pagar um notebook e virou o único ouro do estado na maior olimpíada de matemática das escolas públicas do Brasil
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 07/08/2026 às 19:53
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Estudante de escola pública no Maranhão enfrentou limitações de acesso, estudou com materiais simples e encontrou na matemática um caminho inesperado de destaque nacional, depois de transformar uma bolsa modesta em ferramenta para ampliar a preparação em uma das maiores competições estudantis do país.
Eduardo Silva Feitosa estudava em uma cidade pequena do Maranhão e enfrentava limitações de acesso à internet quando transformou livros de concurso, provas antigas e uma rotina intensa de preparação em medalha de ouro na OBMEP, a maior olimpíada de matemática das escolas públicas do Brasil.
Aluno do Centro Rosalina Sá, em Feira Nova do Maranhão, ele apareceu como o único estudante do estado a conquistar ouro na competição, segundo a OBMEP, em uma trajetória marcada por escola pública, estudo persistente e pouco acesso à estrutura comum em grandes centros.
Estudante do Maranhão virou destaque nacional na OBMEP
Longe de cursinhos famosos ou salas equipadas com computadores, a preparação de Eduardo começou com materiais acessíveis, livros de concurso e conteúdos da própria olimpíada, enquanto professores da escola observavam uma dedicação que já chamava atenção nas primeiras fases da competição.
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O ponto mais simbólico da trajetória veio com uma bolsa de R$ 100 do Programa de Iniciação Científica Júnior, o PIC Jr., ligado à OBMEP, que permitiu ao estudante pagar a mensalidade de um notebook e ampliar o contato com atividades online.
Na rotina dele, o computador não apareceu como luxo, mas como ferramenta de estudo, ponte para aulas online e acesso a conteúdos de matemática, especialmente em uma realidade na qual a internet ainda não fazia parte constante da preparação diária.
A partir desse novo acesso, Eduardo conseguiu acompanhar o Fórum Virtual do PIC Jr. e aprofundar a resolução de problemas que envolviam lógica, interpretação e contas básicas, aproximando a escola pública do interior de uma competição nacional com milhões de participantes.
Bolsa de R$ 100 ajudou a pagar notebook para estudar matemática
Durante a preparação mais intensa, Eduardo relatou à OBMEP que chegou a estudar cerca de 10 horas por dia durante um mês, usando bancos de questões da olimpíada, provas anteriores da segunda fase e videoaulas sobre temas que ainda precisava dominar.
Esse ritmo de estudo ajudou a consolidar uma caminhada que não começou diretamente com o ouro, já que o aluno havia conquistado bronze e pratas em edições anteriores, acumulando experiência antes de alcançar o principal resultado de sua trajetória na competição.
O interesse pela olimpíada surgiu ainda no Ensino Fundamental, quando Eduardo encontrou o site da OBMEP e passou a assistir a vídeos com soluções de problemas, percebendo que as questões exigiam raciocínio lógico, leitura cuidadosa e domínio de operações essenciais.
A cada nova fase, a matemática deixava de ser apenas uma disciplina escolar e se tornava um campo de descoberta para o estudante, que passou a enxergar nas provas uma forma de testar limites, corrigir erros e avançar com método.
Escola pública em Feira Nova do Maranhão entrou na história
Em Feira Nova do Maranhão, a própria estrutura escolar fazia parte do contexto da conquista, porque a OBMEP registrou que estudantes do Ensino Médio frequentavam o Centro Rosalina Sá no período noturno, em um prédio de Ensino Fundamental usado de forma provisória.
Mesmo nesse ambiente, Eduardo manteve a preparação e seguiu avançando na olimpíada, enquanto a cidade ainda aguardava a inauguração da unidade destinada aos adolescentes, realidade que reforça o peso da conquista obtida por um estudante da rede pública.
Antes de viver em Feira Nova, o aluno havia saído de Balsas, também no Maranhão, acompanhando a família depois que o pai aceitou atuar como obreiro missionário em um município pequeno, com grande presença de população rural e infraestrutura urbana limitada.
Dentro de casa, o apoio familiar também teve papel constante, já que os pais, Arinaldo e Marinete, haviam estudado até o Ensino Fundamental, concluíram depois o Ensino Médio por supletivo e trabalhavam para oferecer melhores condições aos filhos.
Professor de matemática ajudou aluno a avançar na olimpíada
Na escola, o professor de matemática Gildemar Brito Coelho teve participação importante ao procurar Eduardo para avisar que ele havia passado para a segunda fase da OBMEP e se colocar à disposição para ajudar na preparação.
Embora não recorresse com frequência ao professor, o estudante reconheceu que aquele incentivo foi essencial em sua história na olimpíada, especialmente porque a confiança recebida na escola ajudou a manter o foco em meio às limitações do cotidiano.
Depois das medalhas, Eduardo passou a olhar para outros alunos da cidade e começou a oferecer reforço em matemática para colegas de Feira Nova, com foco na segunda fase da OBMEP e no formato das questões da competição.
A iniciativa nasceu da percepção de que muitos estudantes tinham potencial, mas ainda não conheciam bem a prova, transformando a experiência acumulada por Eduardo em uma forma de incentivar a participação de outros jovens da rede pública.
Nesse percurso, a medalha de ouro não ficou restrita ao desempenho individual, pois virou referência para uma comunidade escolar que também buscava espaço em uma competição nacional e passou a enxergar a matemática como possibilidade concreta de reconhecimento.
Entre livros de concurso, falta de internet, notebook pago aos poucos e longas horas de estudo, a trajetória de Eduardo mostra como uma oportunidade simples pode ganhar outro tamanho quando encontra dedicação, apoio escolar e acesso a conteúdos de qualidade.
O que mais surpreende nessa história: a medalha de ouro conquistada por Eduardo ou a decisão de usar a própria conquista para ajudar outros alunos a acreditarem que também podiam chegar lá?
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

