Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Estudantes do SESI saem de Ananindeua, vencem 160 equipes de 30 países na China e levam o principal prêmio mundial de robótica com projeto que torna a arqueologia acessível

Estudantes do SESI saem de Ananindeua, vencem 160 equipes de 30 países na China e levam o principal prêmio mundial de robótica com projeto que torna a arqueologia acessível

5 min de leitura

Estudantes do SESI saem de Ananindeua, vencem 160 equipes de 30 países na China e levam o principal prêmio mundial de robótica com projeto que torna a arqueologia acessível

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 19/08/2026 às 10:16

Atualizado em 19/08/2026 às 10:43

Ciência e Tecnologia

Canal

Equipe do SESI Ananindeua celebra o Champions Award no FIRST LEGO League Asia Open Championship 2026, em Pequim.

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Equipe Born to Fight, formada por alunos de 13 a 16 anos do SESI Ananindeua, conquistou o Champions Award em Pequim com o Relicário Amazônia, projeto que une impressão 3D, NFC, acessibilidade e preservação arqueológica.

Uma equipe de estudantes do Pará transformou um projeto nascido na Amazônia em uma conquista internacional. A Born to Fight, da Escola SESI Ananindeua, venceu o Champions Award no FIRST LEGO League Asia Open Championship 2026, em Pequim, após competir com 160 equipes de 30 países e regiões.

O resultado foi anunciado no domingo, 16 de agosto, e colocou o time paraense no topo da principal premiação do torneio. Mais do que pontuar bem com um robô, os alunos precisaram demonstrar equilíbrio entre programação, engenharia, inovação e trabalho em equipe.

Uma vitória inédita para o Pará diante de equipes de 30 países

A conquista tem peso histórico para a robótica educacional do estado. Segundo a Federação das Indústrias do Estado do Pará, esta foi a primeira participação de uma equipe paraense em um mundial da modalidade. A Born to Fight chegou à China com estudantes de 13 a 16 anos e voltou com o reconhecimento máximo da competição.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

O Champions Award é destinado ao time que apresenta desempenho consistente em todas as frentes avaliadas pela FIRST LEGO League. Isso inclui o Desafio do Robô, o Projeto de Inovação, o Design do Robô e os Core Values, conjunto de valores que considera colaboração, criatividade, respeito e capacidade de resolver problemas em grupo.

Por esse motivo, a premiação não depende apenas do placar obtido nas missões cronometradas. Ela reconhece uma experiência completa, na qual os participantes precisam projetar, programar, testar, explicar suas escolhas e defender uma solução para um problema real.

Relicário Amazônia usa impressão 3D e NFC para aproximar o público da arqueologia

O projeto apresentado pela equipe recebeu o nome de Relicário Amazônia. A proposta combina impressão 3D e tecnologia NFC para ampliar o acesso a objetos arqueológicos sem colocar as peças originais em risco.

Os estudantes desenvolveram a ideia de produzir réplicas tridimensionais de artefatos. Essas reproduções podem ser tocadas e analisadas pelo público, inclusive por pessoas com deficiência visual, enquanto os objetos originais permanecem protegidos contra desgaste, quedas ou manipulação excessiva.

Um chip NFC incorporado à réplica permite abrir, por aproximação com um celular compatível, informações sobre a origem, o contexto histórico e a importância cultural de cada peça. A solução une preservação da memória, acessibilidade e recursos tecnológicos comuns no cotidiano.

Competição reuniu 160 equipes de 30 países e regiões em Pequim. Crédito: Divulgação/FIEPA.

O conceito dialoga diretamente com o tema UNEARTHED da temporada 2025/2026. A proposta global convidou equipes a investigar desafios enfrentados por arqueólogos e desenvolver respostas capazes de ajudar a localizar, estudar ou preservar vestígios do passado.

Da etapa nacional em São Paulo ao pódio em Pequim

A classificação internacional começou a ser construída meses antes. Em março, durante a etapa nacional realizada em São Paulo, a Born to Fight recebeu o Prêmio Niède Guidon pelo melhor Projeto de Inovação do Brasil e conquistou o primeiro lugar em Design do Robô.

Esses resultados garantiram a vaga no campeonato asiático. Para chegar a Pequim, a delegação saiu de Ananindeua e percorreu mais de 17 mil quilômetros. O grupo levou não apenas o robô, mas também uma proposta concebida por estudantes amazônidas para tornar o patrimônio histórico mais acessível.

O trabalho é resultado de uma trajetória que envolve pesquisa, montagem, programação e inúmeros ciclos de tentativa e correção. Cada missão na mesa exige que o robô autônomo execute ações em tempo limitado, enquanto o projeto de inovação precisa ser apresentado e defendido diante dos avaliadores.

O principal prêmio também reconhece competências para além da programação

A FIRST LEGO League é voltada a crianças e adolescentes e utiliza desafios práticos para estimular conhecimentos de ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Porém, a competição também exige comunicação, pensamento crítico, organização e cooperação.

Na China, o reconhecimento chegou ainda à equipe técnica. O coordenador de Robótica das Escolas SESI, Cleibson, recebeu o Outstanding Coach Award, concedido ao trabalho de destaque na orientação e no preparo dos estudantes.

Robô programado pelos estudantes do SESI Ananindeua atua na mesa de missões da FIRST LEGO League. Crédito: Divulgação/FIEPA.

Para o SESI Pará, a vitória amplia a visibilidade da educação científica desenvolvida na região e mostra que jovens da Amazônia podem competir em nível internacional. Para os alunos, o resultado registra uma experiência que reúne descoberta, convivência com equipes de diferentes países e a defesa de uma solução criada em Ananindeua.

Uma ideia amazônica que transforma preservação em experiência inclusiva

A imagem do time erguendo o troféu em Pequim resume o tamanho da conquista, mas o ponto central está no caminho percorrido. O Relicário Amazônia nasceu de um problema concreto: como permitir que mais pessoas conheçam objetos arqueológicos sem comprometer a conservação das peças.

Ao combinar réplicas impressas em 3D com informações acessadas por NFC, a Born to Fight apresentou uma resposta simples de compreender, ligada à realidade dos museus e capaz de atender públicos que muitas vezes encontram barreiras nesses espaços.

A conquista internacional mostra que robótica educacional pode ir além da montagem de máquinas. Quando pesquisa, inclusão e tecnologia trabalham juntas, uma ideia criada por adolescentes em Ananindeua pode atravessar o mundo e conquistar o maior prêmio do torneio.

Você acredita que soluções como o Relicário Amazônia poderiam tornar museus e acervos brasileiros mais acessíveis? Compartilhe esta história e conte como a tecnologia pode ajudar a preservar a memória sem afastá-la do público.

Tags


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

Sair da versão mobile