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Estudo com quase 12 mil jovens acende alerta e desafia o que pais imaginavam sobre redes sociais: adolescentes que usam mais de uma hora por dia apresentaram sintomas de ansiedade e depressão

Estudo com quase 12 mil jovens acende alerta e desafia o que pais imaginavam sobre redes sociais: adolescentes que usam mais de uma hora por dia apresentaram sintomas de ansiedade e depressão

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Estudo com quase 12 mil jovens acende alerta e desafia o que pais imaginavam sobre redes sociais: adolescentes que usam mais de uma hora por dia apresentaram sintomas de ansiedade e depressão

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 17/08/2026 às 19:36

Ciência e Tecnologia

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Estudo com milhares de adolescentes mostra que o tempo de tela nas redes sociais está ligado a sintomas de ansiedade e depressão

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Estudo com milhares de adolescentes mostra que o tempo de tela nas redes sociais está ligado a sintomas de ansiedade e depressão, mas especialistas alertam que o impacto depende do tipo de uso, do contexto, da idade e do que o celular substitui na rotina.

Adolescentes de 12 a 15 anos passam, em média, cerca de 3h20 por dia em aplicativos de redes sociais, segundo estudo publicado na BMC Public Health com dados de estudantes de Bradford, na Inglaterra. A pesquisa encontrou associação entre maior tempo nas redes e mais sintomas de ansiedade e depressão, mas também reforçou um ponto essencial: transformar o debate em uma simples contagem de horas pode esconder parte importante do problema.

O estudo não prova que as redes sociais, sozinhas, causam sofrimento emocional. Ainda assim, os dados mostram por que pais, escolas, médicos e governos passaram a tratar o uso de telas como uma questão de saúde pública, especialmente quando o celular ocupa espaço do sono, da atividade física, da leitura, das relações presenciais e de outras experiências fundamentais na adolescência.

Estudo com adolescentes mostra uso intenso das redes sociais

A pesquisa publicada na BMC Public Health analisou dados do projeto Born in Bradford: Age of Wonder, uma investigação escolar feita com adolescentes de 12 a 15 anos. O levantamento estimou o tempo diário gasto em aplicativos de redes sociais e cruzou essas informações com sintomas de ansiedade e depressão.

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Entre os participantes, o tempo mediano de uso das redes sociais foi de 3,36 horas por dia, o equivalente a pouco mais de 3h20 diárias. Aos 15 anos, a proporção de jovens que usavam ao menos um dos cinco aplicativos mais populares chegou a 93%, mostrando como as redes já fazem parte da rotina comum dessa faixa etária.

Os pesquisadores observaram que durações maiores de uso estavam associadas a mais sintomas de saúde mental, mesmo depois de ajustes por fatores como idade, sexo, etnia, elegibilidade para refeições escolares gratuitas, necessidades educacionais especiais, privação social e período da coleta.

O dado que muda a conversa sobre tempo de tela

O ponto mais importante da pesquisa não é apenas o número de horas, mas o tamanho do possível impacto quando esse uso é colocado em linguagem prática.

Em um cenário hipotético em que a relação fosse causal, limitar o uso das redes sociais a 3 horas por dia reduziria a prevalência de sintomas clínicos de ansiedade e depressão de 10,7% para 9,5%.

Na prática, esse cálculo equivaleria a cerca de 13 casos a menos de sintomas clínicos de ansiedade e depressão em uma escola típica com 1.000 alunos. É um número relevante para políticas públicas, mas também exige cautela, porque o próprio estudo reconhece que não consegue demonstrar causalidade forte.

A pesquisa mostra uma associação estatística, não uma prova de que a rede social causa diretamente o problema. Também é possível que adolescentes que já enfrentam ansiedade, depressão ou isolamento passem mais tempo conectados, justamente porque buscam distração, pertencimento ou contato social.

Correlação não é causa no debate sobre redes sociais

Quando um estudo encontra que adolescentes que usam mais redes sociais têm mais sintomas de ansiedade e depressão, isso não significa automaticamente que uma coisa produziu a outra. A relação pode ser direta, inversa ou influenciada por fatores que não foram totalmente medidos.

Um jovem com dificuldades emocionais pode usar mais o celular para escapar de situações desconfortáveis.

Outro pode passar mais tempo online porque já tem uma rede social ativa, muitos amigos e vida digital intensa. Um terceiro pode ser afetado principalmente pelo tipo de conteúdo que consome, e não apenas pelo tempo total na tela.

Nem toda hora de tela tem o mesmo efeito

O grande erro das regras genéricas sobre telas é tratar atividades muito diferentes como se tivessem o mesmo peso.

Uma hora conversando com amigos, uma hora vendo vídeos curtos sem parar, uma hora jogando até de madrugada e uma hora lendo um conteúdo educativo entram todas no mesmo relógio, mas não produzem necessariamente o mesmo impacto.

A própria literatura científica tem insistido que o efeito das telas depende do contexto. O uso pode ser prejudicial quando substitui sono, estudo, movimento, leitura e convivência presencial.

Também pode ser mais arriscado quando envolve comparação social, exposição a conteúdo nocivo, cyberbullying, mensagens ofensivas ou pressão por aparência e popularidade.

Ao mesmo tempo, ambientes digitais podem oferecer apoio, contato com amigos, expressão criativa e pertencimento, especialmente para adolescentes que encontram online uma rede de acolhimento que não têm com a mesma facilidade fora da internet. O problema não está apenas no aparelho, mas no tipo de experiência que ele concentra.

O que a JAMA Network Open mostrou sobre reduzir telas

Outro estudo, publicado na JAMA Network Open, analisou uma intervenção de redução de mídia de tela em famílias.

Nesse trabalho, 89 famílias e 181 crianças e adolescentes participaram de um ensaio clínico em que o grupo de intervenção reduziu o uso recreativo de telas por duas semanas.

O que a JAMA Network Open mostrou sobre reduzir telas

Os participantes do grupo de intervenção tiveram de reduzir o uso de mídia de tela no tempo livre para 3 horas por semana ou menos por pessoa, além de entregar smartphones e tablets durante o período. O resultado foi uma melhora nas pontuações de dificuldades comportamentais e emocionais, medidas por questionário padronizado.

A maior melhora apareceu em sintomas internalizantes, como problemas emocionais e dificuldades com pares, além de comportamento pró-social. Esse achado fortalece a hipótese de que reduzir o uso recreativo de telas pode beneficiar parte dos jovens, mas o próprio estudo destaca a necessidade de novas pesquisas para saber se esses efeitos se sustentam no longo prazo.

A Organização Mundial da Saúde já orienta que crianças pequenas tenham limites claros de comportamento sedentário diante de telas. Para crianças de 2 a 4 anos, a recomendação é que o tempo sedentário de tela não passe de 1 hora por dia, com a observação de que menos é melhor.

Essa recomendação, no entanto, foi feita para crianças menores de 5 anos, não para adolescentes de 12, 13, 14 ou 15 anos.

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No caso dos adolescentes, a questão costuma ser mais complexa. Eles usam redes sociais para conversar, estudar, acompanhar notícias, organizar a vida social, consumir entretenimento e construir identidade. Por isso, a pergunta mais útil não é apenas quanto tempo passam na tela, mas o que fazem ali e o que deixam de fazer fora dela.

O risco de trocar sono, leitura e vida real por tela

Uma das maiores preocupações dos especialistas é o chamado efeito de substituição. A tela se torna mais problemática quando toma o lugar de atividades que protegem a saúde mental e o desenvolvimento, como dormir bem, praticar atividade física, ler, conversar presencialmente e manter vínculos familiares.

Quando o celular empurra o horário de dormir para mais tarde, interrompe a concentração, reduz o tempo de estudo ou transforma momentos de descanso em rolagem infinita, o impacto pode ir além do conteúdo visto na tela. O problema passa a ser a reorganização silenciosa da rotina do adolescente.

Esse ponto ajuda a explicar por que duas pessoas podem usar o celular pelo mesmo número de horas e ter efeitos muito diferentes.

Para uma, a rede social pode ser complemento da vida social. Para outra, pode ser fuga, comparação constante, exposição a conflitos e perda de sono.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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