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Etanol, biodiesel e outros biocombustíveis brasileiros podem ganhar um novo mercado em alto-mar com programa que entra na pauta do governo em setembro, prevê 26 ações para destravar investimentos e certificações e busca transformar o país de fornecedor em hub global de combustíveis renováveis para navios

Etanol, biodiesel e outros biocombustíveis brasileiros podem ganhar um novo mercado em alto-mar com programa que entra na pauta do governo em setembro, prevê 26 ações para destravar investimentos e certificações e busca transformar o país de fornecedor em hub global de combustíveis renováveis para navios

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Etanol, biodiesel e outros biocombustíveis brasileiros podem ganhar um novo mercado em alto-mar com programa que entra na pauta do governo em setembro, prevê 26 ações para destravar investimentos e certificações e busca transformar o país de fornecedor em hub global de combustíveis renováveis para navios

Escrito por Carla Teles

Publicado em 22/08/2026 às 14:24

Atualizado em 22/08/2026 às 14:28

Biocombustíveis Renováveis

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Biocombustíveis como etanol e biodiesel entram no radar do transporte marítimo com programa no CNPE para ampliar mercado de baixo carbono. Imagem: IA

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Os biocombustíveis brasileiros podem ganhar uma nova frente de demanda no transporte marítimo se avançar o Programa Nacional do Combustível Sustentável de Navegação, incluído na pauta da próxima reunião do Conselho Nacional de Política Energética, o CNPE. A proposta reúne recomendações para criar mercado, ajustar regras e preparar portos, produtores e sistemas de certificação para combustíveis de menor carbono usados por embarcações.

A inclusão do programa na reunião prevista para 2 de setembro de 2026 foi informada pela eixos em reportagem publicada em 20 de agosto. O texto parte de um relatório aprovado pelo CNPE em abril e reúne 26 recomendações que abrangem desde infraestrutura e logística até tributação, financiamento, pesquisa, qualidade e alinhamento com as metodologias da Organização Marítima Internacional, a IMO.

Programa de setembro tenta abrir mercado marítimo para biocombustíveis

O Programa Nacional do Combustível Sustentável de Navegação ainda não deve ser tratado como política já aprovada. O que está confirmado até agora é sua inclusão na pauta do CNPE, etapa que pode dar forma a uma política específica para reduzir emissões no transporte aquaviário.

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A expectativa descrita no material é criar condições para ampliar a procura por biocombustíveis e outras alternativas de baixo carbono no abastecimento de navios. Isso colocaria o setor marítimo ao lado de outras frentes já disputadas pela indústria de energia renovável.

Imagem: Agência Petrobras

O relatório que serve de base ao futuro programa distribui as 26 propostas por áreas como metas de descarbonização, alinhamento à IMO, financiamento, pesquisa e desenvolvimento, tributação, certificação, governança, infraestrutura e logística.

O desafio, portanto, não é simplesmente colocar etanol ou biodiesel dentro de um navio. Para ganhar escala, a cadeia precisa combinar produção, regras de qualidade, documentação, infraestrutura portuária, abastecimento e critérios ambientais reconhecidos internacionalmente.

Certificação é um dos gargalos que o governo quer enfrentar

Entre as recomendações está a criação de mecanismos de apoio e capacitação para que produtores brasileiros consigam atender aos esquemas de certificação exigidos no ambiente internacional de navegação.

Esse ponto é estratégico porque um combustível pode estar disponível no Brasil e ainda assim enfrentar barreiras para ser reconhecido como solução de baixo carbono em rotas internacionais. A proposta também prevê aproximação entre o RenovaBio e metodologias de análise de ciclo de vida utilizadas pela IMO.

Etanol e biodiesel aparecem entre as alternativas consideradas

O documento menciona estímulos a projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação para combustíveis aquaviários sustentáveis. A lista inclui alternativas como hidrogênio, metanol e amônia de baixo carbono, além de biocombustíveis líquidos.

Nesse grupo aparecem etanol e biodiesel, produtos nos quais o Brasil já possui cadeia produtiva estabelecida. A possibilidade de transferir parte dessa capacidade para o transporte marítimo é um dos elementos que tornam o programa relevante para o setor brasileiro de bioenergia.

Indústria já testa combustíveis renováveis antes da nova política

Mesmo antes de uma definição do CNPE, empresas já vêm realizando movimentos para utilizar etanol e biodiesel no abastecimento de embarcações. A própria fonte cita parcerias e testes que procuram demonstrar a viabilidade dessas alternativas.

Essas iniciativas funcionam como preparação de mercado enquanto a regulação ainda está sendo ajustada. Elas não significam, porém, que o uso comercial em larga escala esteja consolidado ou que todos os entraves técnicos e regulatórios já tenham sido resolvidos.

ANP também revisa regras para combustíveis usados por navios

Em paralelo ao debate no CNPE, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis abriu em julho a Consulta e Audiência Públicas nº 15/2026 para revisar as especificações e regras de comercialização dos combustíveis de uso aquaviário.

A proposta da ANP inclui o reconhecimento de biodiesel em teores de até 100% para uso aquaviário regular, além da possibilidade de comercialização de B100 diretamente a usuários pessoa jurídica para consumo próprio em embarcações, observadas as regras aplicáveis.

Consulta pública termina em 10 de setembro, e audiência será no dia 23

Há um ponto de cronograma que exige precisão. A reportagem da eixos associa 23 de setembro ao processo de consulta, mas a página oficial da ANP informa que a consulta pública ocorre de 28 de julho a 10 de setembro de 2026, enquanto a audiência pública está marcada para 23 de setembro.

Essa revisão regulatória aborda qualidade, rastreabilidade, certificação, mistura e comercialização de combustíveis aquaviários. A ANP também prevê tratamento para combustíveis alternativos ainda não contemplados de forma regular, incluindo etanol, metanol, amônia e hidrogênio em usos sujeitos às regras específicas da agência.

Infraestrutura portuária pode decidir se o mercado realmente ganha escala

Uma das 26 recomendações trata diretamente da adequação da infraestrutura dos portos. Isso é relevante porque a transição não depende apenas de disponibilidade de combustível, mas também de armazenamento, movimentação, abastecimento e controle de qualidade nos pontos onde os navios operam.

Sem uma cadeia logística preparada, a produção brasileira pode existir sem se converter automaticamente em combustível marítimo disponível em escala. Por isso, infraestrutura e logística aparecem no mesmo conjunto de medidas que financiamento e certificação.

Objetivo é fazer o Brasil avançar de fornecedor para polo internacional

O relatório aponta a intenção de criar ambiente regulatório mais previsível, atrair capital privado e ampliar o posicionamento brasileiro na transição energética da navegação. A ambição vai além de exportar matéria-prima ou combustível pronto.

A proposta é fazer o país ocupar também uma posição relevante no fornecimento, certificação, abastecimento e desenvolvimento de combustíveis renováveis para a navegação internacional. Isso conecta política energética, portos, indústria de biocombustíveis e estratégia comercial externa.

Setembro pode definir quanto dessa oportunidade realmente sai do papel

A reunião do CNPE de 2 de setembro coloca o tema em uma etapa decisória importante, mas ainda haverá desafios posteriores mesmo que o programa avance. Regras específicas, investimentos, adaptação portuária, certificações e decisões da IMO continuarão influenciando a velocidade de formação desse mercado.

O Brasil já possui produção relevante de etanol e biodiesel; agora, a discussão é se essa base conseguirá ser convertida em vantagem competitiva também no abastecimento marítimo de baixo carbono. Na sua opinião, o país deve priorizar o mercado de biocombustíveis para navios ou concentrar investimentos primeiro no transporte terrestre? Deixe sua opinião nos comentários.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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