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EUA enterraram mais de 21 mil toneladas de resíduos químicos perigosos perto de casas e escola, e décadas depois contaminação obrigou cerca de 950 famílias a deixar a região

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6 min de leitura

EUA enterraram mais de 21 mil toneladas de resíduos químicos perigosos perto de casas e escola, e décadas depois contaminação obrigou cerca de 950 famílias a deixar a região

Escrito por Fabio Lucas Carvalho

Publicado em 14/08/2026 às 09:51

Atualizado em 14/08/2026 às 09:52

Ciência e Tecnologia

Canal

Descubra a história do Love Canal e os perigos dos resíduos químicos que afetaram milhares de vidas em Niagara Falls.

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Durante mais de uma década, uma indústria despejou enormes volumes de resíduos perigosos no antigo canal de Niagara Falls; anos depois, produtos químicos chegaram ao solo, à água subterrânea, a quintais, porões, redes de esgoto e córregos próximos.

Um antigo projeto de canal abandonado em Niagara Falls, no estado de Nova York, acabou transformado em depósito industrial para mais de 21 mil toneladas americanas de resíduos químicos.

Décadas depois, o Love Canal se tornaria cenário de uma das crises ambientais mais conhecidas dos Estados Unidos, levando autoridades a retirar cerca de 950 famílias da região.

Entre 1942 e 1953, a Hooker Electrochemical Company, posteriormente ligada à atual Occidental Chemical Corporation, utilizou o local para descarte de produtos químicos perigosos. Os resíduos ficaram enterrados em uma área de aproximadamente 16 acres, posteriormente coberta com terra.

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Com o passar dos anos, uma escola e numerosas casas apareceram nas proximidades. O problema ganhou outra dimensão quando contaminantes começaram a alcançar o solo e a água subterrânea e produtos químicos foram encontrados além dos limites originais do depósito.

Moradores de Love Canal carregam, durante uma marcha, duas efígies e cartazes com os dizeres “Dioxina Mata”, por volta de 1978. Foto: Arquivos da Universidade.

Love Canal recebeu mais de 21 mil toneladas de resíduos químicos

Antes de se transformar em um dos casos ambientais mais conhecidos dos Estados Unidos, o Love Canal fazia parte de um projeto iniciado na região de Niagara Falls para a construção de um canal associado à produção de energia hidrelétrica.

A obra não foi concluída. A escavação abandonada ficou parcialmente cheia de água e chegou a ter uso recreativo antes de assumir uma finalidade completamente diferente.

Segundo o perfil oficial do Love Canal mantido pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, a EPA, entre 1942 e 1953 a Hooker Electrochemical Company utilizou o canal abandonado para descartar mais de 21 mil tons – toneladas curtas usadas nos Estados Unidos -de produtos químicos perigosos.

Documentação publicada posteriormente no Federal Register descreve o volume como aproximadamente 22 mil tons de resíduos químicos acondicionados em tambores ou despejados na forma líquida.

Entre os materiais citados aparecem hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, compostos orgânicos halogenados, pesticidas, clorobenzenos e dioxina.

Em 1953, o antigo depósito foi coberto com terra. A área foi repassada ao Niagara Falls Board of Education, responsável pela rede de ensino local, e posteriormente uma escola de ensino fundamental e diversas residências foram construídas nas proximidades do aterro coberto.

Manifestantes carregam cartazes no ato contra o reassentamento da área de Love Canal, organizado pela Citizens Clearinghouse for Hazardous Waste. Foto: Arquivo da Universidade.

Casas e escola ficaram próximas do antigo depósito

Durante anos, a enorme quantidade de produtos químicos permaneceu enterrada sob uma região que passava por ocupação urbana.

A crise não surgiu de uma única vez. A EPA registra que reclamações envolvendo odores e resíduos começaram a aparecer na área a partir dos anos 1960 e aumentaram durante a década seguinte.

Nos anos 1970, a combinação entre a presença dos resíduos enterrados e alterações no nível da água agravou o problema. Documentação federal registra que períodos de precipitação excepcionalmente elevada fizeram subir o nível da água dentro do aterro.

Esse movimento permitiu que contaminantes se espalhassem lateralmente pelo solo superficial e por áreas onde estavam instaladas estruturas de serviços urbanos. Produtos químicos acabaram chegando aos porões de casas próximas.

Também houve migração para redes sanitárias e de drenagem que ultrapassavam os limites do antigo depósito. Parte dessas estruturas desembocava em córregos próximos ligados ao sistema do rio Niagara.

A EPA resume o problema afirmando que os tambores enterrados vazaram e contaminaram o solo e a água subterrânea. Estudos conduzidos por autoridades estaduais e federais também identificaram produtos químicos tóxicos circulando por redes de esgoto e chegando a cursos d’água próximos.

Emergência de saúde mudou a rotina dos moradores

Em 1978, a situação deixou de ser apenas um problema ambiental local e passou a exigir medidas emergenciais.

O Departamento de Saúde de Nova York adotou medidas relacionadas à população de Love Canal. Em 2 de agosto de 1978, uma ordem do comissário estadual de Saúde recomendou, entre outras providências, a retirada temporária de mulheres grávidas e de crianças com menos de dois anos de idade das áreas consideradas mais expostas.

Um relatório especial do Departamento de Saúde do Estado de Nova York registra que a operação para auxiliar famílias começou imediatamente após a ordem estadual.

Naquele mesmo mês, o então presidente Jimmy Carter emitiu a primeira declaração federal de emergência para Love Canal. A medida abriu caminho para recursos destinados ao controle dos resíduos químicos e à retirada de moradores das propriedades diretamente próximas ao aterro.

A documentação federal contabiliza 239 propriedades nessa área inicial ao redor do depósito. A resposta, porém, seria ampliada dois anos depois.

Cerca de 950 famílias acabaram retiradas

Em maio de 1980, Jimmy Carter emitiu uma segunda declaração de emergência. Dessa vez, foi estabelecida uma área de emergência com aproximadamente 350 acres ao redor do Love Canal.

A medida autorizou US$ 20 milhões em recursos federais para aquisição de casas de moradores afetados, com participação financeira do estado de Nova York.

O impacto humano aparece com clareza nos números registrados pelo governo.

Segundo o documento publicado no Federal Register sobre o Love Canal, a Federal Emergency Management Agency, a FEMA, distribuiu os recursos e, juntamente com o Departamento de Conservação Ambiental de Nova York, participou da realocação de aproximadamente 950 das mais de 1.050 famílias afetadas.

As famílias deixaram uma área de aproximadamente dez quarteirões ao redor do aterro. Algumas pessoas que estavam dentro da área oficial de emergência decidiram permanecer e receberam autorização para continuar em suas propriedades.

Casas próximas ao aterro e a escola da 99th Street posteriormente foram demolidas. O governo federal e o estado de Nova York também compraram, demoliram ou recuperaram propriedades atingidas pela crise.

Contaminação exigiu décadas de obras

O trabalho não terminou com a retirada dos moradores.

Entre as medidas adotadas estiveram a instalação de sistemas para coletar líquidos contaminados, tratamento do lixiviado, cobertura do material poluído e intervenções em redes de esgoto e córregos atingidos.

Em 1984, uma cobertura de aproximadamente 40 acres, formada por uma barreira de polietileno de alta densidade e solo limpo, foi instalada sobre a região contaminada. Também foram criados sistemas para limitar a entrada de água e impedir que ela continuasse entrando em contato com os resíduos enterrados.

Entre 1986 e 1987, cerca de 68 mil pés lineares de redes sanitárias e de drenagem passaram por trabalhos de limpeza. Entre 1987 e 1989, aproximadamente 14 mil jardas cúbicas de sedimentos foram retiradas dos córregos Black e Bergholtz.

A EPA informa que as ações de limpeza foram concluídas em 1999. Em setembro de 2004, Love Canal foi retirado da lista federal de prioridades do programa Superfund.

Parte das áreas consideradas adequadas para ocupação voltou a receber moradores. Mais de 260 casas anteriormente abandonadas foram recuperadas e vendidas durante o processo de revitalização.

O antigo aterro, porém, não simplesmente desapareceu. Sistemas de contenção, coleta e tratamento continuam submetidos a operação, manutenção e monitoramento, incluindo inspeções da cobertura e de poços usados para acompanhar a água subterrânea. A EPA também realiza revisões periódicas para avaliar a continuidade das medidas de proteção implantadas no local.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

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