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Europa vai ganhar uma nova maravilha da engenharia com 1.400 metros de profundidade e 64 km sob os Alpes após gastar R$ 55 bilhões em projeto colossal que vai transformar uma das principais rotas do continente
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 13/08/2026 às 01:19
Atualizado em 13/08/2026 às 01:22
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Conexão ferroviária sob os Alpes avança em uma das obras de infraestrutura mais ambiciosas da Europa, reunindo escavações profundas, precisão de engenharia e uma rota estratégica entre Áustria e Itália, com potencial para alterar a circulação de passageiros e mercadorias no continente.
Em 28 de julho de 2026, a ligação subterrânea entre Áustria e Itália avançou para uma etapa decisiva, quando as duas galerias principais do Túnel de Base do Brennero foram conectadas sob a fronteira dos países, no coração dos Alpes.
Sob o Passo do Brennero, o encontro ocorreu a cerca de 1.400 metros abaixo da superfície e marcou um dos momentos centrais da construção ferroviária, que pretende criar uma ligação mais direta entre Innsbruck, na Áustria, e Fortezza, na Itália.
Segundo a BBT SE, empresa responsável pelo projeto, o rompimento aconteceu às 10h35, depois que a frente austríaca do lote H53 Pfons-Brenner alcançou as galerias já concluídas do lote italiano H61 Mules 2-3, confirmando o avanço planejado para aquele ponto da obra.
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Com a abertura entre os dois lados, trabalhadores e técnicos passaram a atravessar uma conexão contínua sob a montanha, embora o empreendimento ainda permaneça em construção e dependa de outras etapas antes de receber regularmente trens de passageiros e de carga.
Túnel do Brennero chega a 64 km com conexão de Innsbruck
Entre Innsbruck e Fortezza, o Túnel de Base do Brennero terá 55 quilômetros de extensão, formando o eixo principal de uma infraestrutura ferroviária projetada para atravessar os Alpes por uma rota subterrânea mais baixa e direta do que a passagem existente.
Ao incluir a conexão com uma estrutura subterrânea já existente na região de Innsbruck, o conjunto alcança 64 quilômetros, medida que coloca o empreendimento entre as maiores ligações ferroviárias subterrâneas do mundo e explica a extensão destacada na apresentação internacional do projeto.
No trecho situado sob o Passo do Brennero, a profundidade chegou a aproximadamente 1.400 metros, dimensão que ajuda a mostrar a complexidade da escavação e das operações necessárias para aproximar, com precisão, frentes de trabalho abertas a partir de países diferentes.
Enquanto as máquinas Virginia e Flavia conduziram a escavação das galerias italianas com grandes tuneladoras, a frente austríaca utilizou perfuração e detonação, combinando técnicas distintas de engenharia para alcançar o mesmo ponto definido previamente pelo planejamento e pelas medições do empreendimento.
Meses antes desse encontro, em setembro de 2025, a união do túnel exploratório registrou diferença de apenas alguns centímetros entre as frentes de escavação, resultado que serviu como referência técnica para o avanço posterior das galerias principais sob a fronteira.
Viagem entre Innsbruck e Fortezza deve ficar abaixo de 25 minutos
Quando entrar em operação, o novo eixo ferroviário deverá reduzir de cerca de 80 minutos para menos de 25 minutos o tempo de viagem entre Innsbruck e Fortezza, encurtando de forma expressiva o percurso entre os dois lados dessa travessia alpina.
Na estimativa divulgada pela Reuters em setembro de 2025, o empreendimento tinha custo projetado de € 8,5 bilhões, enquanto a abertura ao tráfego ferroviário estava prevista para 2032, depois da conclusão das demais etapas necessárias para colocar a estrutura em funcionamento.
Esse ganho de tempo está relacionado ao novo traçado subterrâneo, que permitirá aos trens evitar parte das limitações impostas pela rota montanhosa atual e ampliar a capacidade ferroviária em uma passagem estratégica para o deslocamento entre o norte e o sul da Europa.
Transporte de cargas está no centro da nova rota ferroviária
Além da circulação de passageiros, o transporte de mercadorias ocupa papel central no projeto, porque o Passo do Brennero concentra um fluxo intenso de caminhões, automóveis e produtos que cruzam os Alpes todos os anos entre a Itália e outros mercados europeus.
Segundo dados divulgados pela Reuters, mais de 2,5 milhões de caminhões, 14 milhões de veículos e 50 milhões de toneladas de produtos atravessam o Passo do Brennero anualmente, números que ajudam a dimensionar a pressão existente sobre essa importante rota alpina.
Hoje, aproximadamente 70% da carga transalpina que passa pelo Brennero circula pelas rodovias, enquanto cerca de 30% segue pelos trilhos, cenário que explica o interesse europeu em ampliar a participação ferroviária e reduzir congestionamentos e poluição associados ao tráfego rodoviário.
Obras continuam depois da ligação sob a fronteira
Apesar do encontro das galerias em julho de 2026, a obra não foi concluída naquele momento, já que as equipes ainda precisavam avançar em outros trechos e finalizar etapas indispensáveis para transformar a conexão escavada em uma ferrovia pronta para operação comercial.
Depois do rompimento sob a fronteira, a BBT SE informou que os trabalhos continuariam concentrados nas duas últimas tuneladoras responsáveis por avançar as galerias principais em direção a Innsbruck, até que os tubos ferroviários estejam conectados ao longo de toda a extensão planejada.
Na prática, o avanço de julho eliminou uma das principais barreiras físicas do empreendimento ao unir diretamente os trechos austríaco e italiano, permitindo que equipes que trabalharam durante anos em lados opostos dos Alpes finalmente se encontrassem dentro da própria estrutura subterrânea.
Passo do Brennero é estratégico para o transporte europeu
Por reunir uma ligação entre Áustria e Itália e atender uma passagem usada intensamente pelo transporte europeu, o Brennero ocupa posição estratégica no continente, especialmente para o fluxo de mercadorias que precisa atravessar os Alpes entre diferentes regiões e centros econômicos.
Quando estiver concluído, o novo túnel deverá oferecer uma alternativa ferroviária ao grande volume de veículos que atualmente cruza o Passo do Brennero, ampliando a capacidade de transporte por trilhos em uma das travessias alpinas mais movimentadas da Europa.
Com abertura prevista para 2032, o projeto ainda depende da conclusão das escavações restantes e das etapas ferroviárias posteriores, mas já apresenta uma conexão física entre os dois países em uma obra planejada para alterar tempos de viagem e a distribuição do transporte regional.
Se a nova ligação conseguir ampliar de maneira relevante a participação dos trens nessa travessia e reduzir a dependência das rodovias, até que ponto o Túnel do Brennero poderá transformar o transporte de passageiros e mercadorias entre o norte e o sul da Europa?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

