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Ex-catador começou a trabalhar como carroceiro aos 12 anos, só foi alfabetizado aos 28, conciliou por mais de uma década os estudos com o trabalho na reciclagem, ficou a 0,25 ponto de passar na segunda fase da OAB e persistiu até se formar em Direito aos 47 e receber a carteira de advogado para defender os próprios catadores

Ex-catador começou a trabalhar como carroceiro aos 12 anos, só foi alfabetizado aos 28, conciliou por mais de uma década os estudos com o trabalho na reciclagem, ficou a 0,25 ponto de passar na segunda fase da OAB e persistiu até se formar em Direito aos 47 e receber a carteira de advogado para defender os próprios catadores

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Ex-catador começou a trabalhar como carroceiro aos 12 anos, só foi alfabetizado aos 28, conciliou por mais de uma década os estudos com o trabalho na reciclagem, ficou a 0,25 ponto de passar na segunda fase da OAB e persistiu até se formar em Direito aos 47 e receber a carteira de advogado para defender os próprios catadores

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 02/08/2026 às 21:51

Curiosidades

Ex-catador supera alfabetização tardia, conclui Direito aos 47 anos e conquista a OAB para defender trabalhadores da reciclagem no Brasil.

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Rônei Alves da Silva começou a trabalhar ainda na infância, permaneceu sem alfabetização plena até os 28 anos e passou grande parte da vida entre ocupações informais, coleta de materiais recicláveis e responsabilidades familiares que retardaram sua permanência regular na escola.

Décadas depois, concluiu a graduação em Direito, superou uma reprovação por apenas 0,25 ponto no Exame da Ordem e recebeu a carteira profissional que lhe permite atuar como advogado, sem abandonar o compromisso assumido com os trabalhadores da reciclagem.

A mudança de profissão não rompeu o vínculo com o ambiente que marcou sua trajetória, porque a experiência acumulada nas ruas, no lixão e nas cooperativas continuou orientando as áreas jurídicas escolhidas para a nova etapa profissional.

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Ao conquistar a inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil, Rônei declarou que pretende usar a formação jurídica na defesa de catadores de materiais recicláveis, sobretudo em questões relacionadas aos direitos humanos, ao trabalho digno e ao reconhecimento da categoria.

De carroceiro aos 12 anos ao trabalho na reciclagem

Natural de Teresina, no Piauí, ele é o segundo de três filhos de uma empregada doméstica e chegou a Ceilândia, no Distrito Federal, aos 12 anos, idade em que começou a trabalhar como carroceiro para ajudar nas despesas da casa.

Ex-catador supera alfabetização tardia, conclui Direito aos 47 anos e conquista a OAB para defender trabalhadores da reciclagem no Brasil.

Segundo o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, o trabalho veio antes da continuidade dos estudos, enquanto atividades como venda ambulante, serviço militar, comércio de produtos gelados e coleta no antigo Lixão da Estrutural garantiam sua sobrevivência.

Mais do que uma fonte de renda, a reciclagem se tornou o espaço em que Rônei conheceu as dificuldades da categoria, participou da organização coletiva dos trabalhadores e passou a colaborar com iniciativas voltadas à valorização profissional e ao fortalecimento das cooperativas.

Foi nesse contexto que ele se consolidou como liderança do setor, acumulando experiência em mobilização social, representação institucional e defesa de melhores condições para pessoas que dependem da coleta, da separação e da comercialização de materiais recicláveis.

Alfabetização aos 28 anos abriu caminho para a universidade

A alfabetização ocorreu apenas aos 28 anos, depois de uma infância marcada por pobreza, exclusão e dificuldades de aprendizagem identificadas tardiamente, entre elas dislexia e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, conforme relatado pela fonte principal.

Retomar a educação formal exigiu reconstruir conhecimentos básicos enquanto o trabalho e as responsabilidades da vida adulta continuavam, mas o processo avançou até o ingresso no curso de Direito da Universidade Católica de Brasília, etapa que ampliou seu contato com normas e políticas públicas.

Concluída aos 47 anos, a graduação encerrou mais de uma década de estudos conciliados com o trabalho na reciclagem, período em que Rônei enfrentou dificuldades para pagar a instituição, manter os gastos acadêmicos e permanecer ligado aos trabalhadores que dependiam daquele setor.

Mesmo depois do diploma, o exercício da advocacia ainda dependia da aprovação no Exame da Ordem, requisito necessário para a inscrição nos quadros da OAB e para a atuação profissional em procedimentos, contratos, demandas administrativas e causas judiciais.

Ex-catador supera alfabetização tardia, conclui Direito aos 47 anos e conquista a OAB para defender trabalhadores da reciclagem no Brasil.

Reprovação por 0,25 ponto adiou a carteira da OAB

Na primeira etapa da prova, ele alcançou a pontuação necessária, mas a segunda fase, composta por uma peça profissional e questões discursivas, terminou com uma reprovação por apenas 0,25 ponto, diferença mínima que adiou a obtenção da carteira.

Em vez de interromper o percurso, Rônei manteve a preparação, voltou a prestar o exame e conseguiu a habilitação profissional, recebendo o documento em uma cerimônia realizada na sede da OAB do Distrito Federal diante de outros novos advogados.

Durante a solenidade, o ex-catador afirmou que pretende atuar na defesa de trabalhadores da reciclagem não apenas em Brasília, mas também em outras regiões do país, levando para a advocacia o conhecimento adquirido ao longo de décadas dentro da categoria.

Liderança entre catadores e atuação em cooperativas

Antes de alcançar a nova profissão, Rônei já havia ocupado posições de liderança, participado da criação da Central de Cooperativas de Materiais Recicláveis do Distrito Federal e Entorno e presidido a organização por dois mandatos consecutivos.

Sob sua representação, a central reuniu cooperativas responsáveis por mais de mil catadores, ampliando a presença da categoria em debates sobre políticas públicas, economia solidária, destinação de resíduos, inclusão social e condições de trabalho oferecidas aos profissionais do setor.

Entre os projetos associados à sua passagem pela entidade está a construção de um complexo de reciclagem no Distrito Federal, iniciativa articulada com órgãos públicos, entidades parceiras e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social para atender cooperativas locais.

Formação jurídica será usada na defesa dos catadores

A experiência adquirida nas ruas, no antigo lixão e nas organizações de catadores passou a dividir espaço com os conhecimentos jurídicos da universidade, criando uma trajetória profissional voltada a direitos humanos, direito ambiental e proteção dos trabalhadores da reciclagem.

Dentro desse percurso, o antigo Lixão da Estrutural ocupa posição central, pois foi naquele ambiente que Rônei acompanhou de perto as dificuldades dos catadores, fortaleceu sua participação coletiva e definiu temas que posteriormente orientariam sua atuação jurídica.

Já na universidade, o estudo do Direito modificou a maneira como ele analisava as questões ligadas às cooperativas, permitindo compreender normas, contratos, responsabilidades administrativas e instrumentos legais relacionados à coleta, à separação e à comercialização de resíduos.

Ao mesmo tempo, a formação acadêmica precisava disputar espaço com obrigações profissionais e financeiras, numa rotina que combinava provas, leituras e atividades universitárias com uma ocupação marcada por baixa renda, esforço físico e pouca proteção social.

A carteira profissional chegou depois de uma sequência iniciada pela alfabetização tardia e atravessada pela educação básica, pelo ingresso na universidade, pela conclusão do curso e pelo Exame da Ordem, sem que Rônei rompesse os vínculos com a categoria.

Com o novo documento, ele passou a poder representar juridicamente trabalhadores que antes acompanhava como liderança social, atuando em questões relacionadas a contratos, condições de trabalho, políticas de resíduos, acesso a direitos e reconhecimento das cooperativas.

Apresentada pelo próprio Rônei como prioridade, a defesa dos catadores reúne o conhecimento direto da rotina de coleta, a experiência na organização de cooperativas e a formação necessária para atuar em procedimentos administrativos, negociações e demandas jurídicas.

Qual parte dessa trajetória mais chama sua atenção: o trabalho iniciado aos 12 anos, a alfabetização aos 28 ou a persistência demonstrada depois de perder a aprovação por apenas 0,25 ponto e continuar estudando até receber a carteira profissional?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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