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Ex-doméstica chegou a Goiás aos 15 anos com um bebê no colo, viveu em barraco sem banheiro, estudou com livros retirados do lixo pelo marido gari, conseguiu bolsa integral em Direito, passou na OAB antes de se formar e venceu concurso para a Polícia Militar entre mais de 2 mil mulheres
Escrito por Carla Teles
Publicado em 07/08/2026 às 19:04
Atualizado em 07/08/2026 às 19:05
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A doméstica Andreia Tavares chegou a Goiás aos 15 anos com um bebê, viveu em barraco sem banheiro, estudou com livros recolhidos do lixo pelo marido gari, conseguiu bolsa integral em Direito, passou na OAB antes da formatura e conquistou vagas em concursos da Polícia Militar de Goiás, carreira goiana.
A doméstica Andreia Tavares chegou a Goiás aos 15 anos, vinda do Pará, levando um bebê de apenas um mês e acompanhada pelo marido, José Francisco. Sem dinheiro para pagar aluguel, a família viveu inicialmente em um barraco de lona sem banheiro, enquanto ela buscava maneiras de continuar estudando e José trabalhava como gari da prefeitura de Goiânia.
A trajetória tornou-se pública em fevereiro de 2020, quando Andreia, então com 31 anos, já havia concluído Direito, sido aprovada na OAB antes mesmo de terminar a graduação e conquistado aprovação nos concursos de cadete e soldado da Polícia Militar de Goiás. Ela disputou as seleções com mais de 2 mil mulheres e alcançou uma realidade profissional muito diferente daquela encontrada ao chegar ao estado ainda adolescente.
Mudança para Goiás aconteceu aos 15 anos
Andreia deixou o Pará ainda adolescente e iniciou uma nova vida em Goiás em condições financeiras muito limitadas. Além da própria adaptação, precisava cuidar do filho recém-nascido e dividir com José Francisco a responsabilidade de construir uma estrutura mínima para a família em um lugar novo.
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A primeira moradia do casal era um barraco de lona sem banheiro, situação determinada pela falta de recursos para pagar aluguel. O começo em Goiânia esteve distante da estabilidade que Andreia alcançaria anos depois, e naquele momento as prioridades estavam concentradas em alimentação, moradia, trabalho e cuidado com o bebê.
Família chegou a viver em espaço de 3 metros quadrados
Depois do barraco, a família conseguiu mudar para um pequeno cômodo de aproximadamente 3 metros quadrados. O espaço comportava uma cama e um fogão, enquanto roupas, panelas e outros pertences precisavam permanecer guardados dentro de caixas de papelão.
A mudança representava alguma proteção adicional, mas ainda deixava evidente a limitação financeira enfrentada pelo casal. Não havia estrutura confortável para estudar, armazenar materiais ou organizar a rotina doméstica, o que fazia com que qualquer tentativa de avançar na educação precisasse acontecer dentro de um cotidiano bastante apertado.
Marido gari encontrava livros descartados
José Francisco trabalhava como gari em Goiânia e começou a levar para casa livros encontrados durante o serviço. Em vez de serem descartadas definitivamente, as obras passaram a integrar a rotina de leitura de Andreia, que aproveitava o material disponível para ampliar seu repertório.
Ela lia principalmente livros literários e relacionou esse hábito ao desenvolvimento da escrita. Materiais que haviam sido jogados fora acabaram se transformando em parte de sua preparação educacional, mostrando como o acesso à leitura pode ocorrer de maneiras pouco convencionais quando recursos para comprar livros são limitados.
Leitura ajudou na redação do Enem
Andreia contou que o contato frequente com os livros contribuiu para que alcançasse nota 89 na redação do Enem. O desempenho foi importante em seu caminho até uma oportunidade de cursar Direito sem assumir o custo integral das mensalidades de uma faculdade particular.
A leitura não substituiu estudo formal ou preparação para as demais etapas, mas ampliou vocabulário, interpretação e capacidade de organizar ideias. O hábito construído com livros retirados do lixo ganhou consequência prática quando a pontuação ajudou a abrir uma oportunidade acadêmica que antes parecia distante da realidade financeira da família.
Trabalho como doméstica durou sete anos
Para contribuir com a renda da casa, Andreia trabalhou como doméstica durante aproximadamente sete anos. Durante o dia, realizava serviços em outras residências e, quando encerrava o expediente, retomava os estudos para tentar avançar em sua formação.
A rotina conciliava trabalho remunerado, maternidade e preparação acadêmica. O emprego permitia ajudar nas despesas familiares, enquanto os estudos funcionavam como caminho para uma mudança profissional, criando uma jornada em que as duas atividades precisavam coexistir durante vários anos.
Bolsa integral abriu caminho para Direito
O desempenho acadêmico permitiu que Andreia conquistasse uma bolsa de 100% pelo Programa Universidade para Todos, o ProUni. Com as mensalidades cobertas, ela conseguiu ingressar no curso de Direito, etapa que alterou as possibilidades profissionais disponíveis até então.
Para quem havia passado anos trabalhando como doméstica, entrar na faculdade significava iniciar uma formação completamente diferente de suas ocupações anteriores. A bolsa integral foi decisiva porque eliminou um custo que dificilmente caberia no orçamento familiar, permitindo concentrar os recursos disponíveis na manutenção da casa e nos demais gastos da graduação.
Faculdade precisou caber dentro da rotina familiar
Ingressar no curso não encerrou os desafios cotidianos. Andreia continuava sendo mãe, precisava administrar compromissos familiares e ainda enfrentava as exigências acadêmicas de uma graduação em Direito, com leituras, avaliações, trabalhos e preparação para a carreira.
O percurso exigiu organização para transformar períodos livres em tempo de estudo. A formação universitária não aconteceu isolada das responsabilidades domésticas e financeiras, mas dentro de uma rotina construída em conjunto com José, que havia acompanhado Andreia desde a chegada a Goiás.
Aprovação na OAB veio antes do diploma
Antes mesmo de concluir o curso de Direito, Andreia foi aprovada no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil. O resultado significava superar uma das etapas mais importantes para quem pretende exercer a advocacia depois de completar a graduação e cumprir os requisitos profissionais aplicáveis.
A aprovação antecipada também demonstrou que o aprendizado desenvolvido durante a faculdade já permitia enfrentar uma avaliação profissional exigente. Andreia chegou ao fim do curso com uma etapa essencial da carreira jurídica vencida, ampliando as alternativas que poderia seguir depois da formatura.
Formatura encerrou uma longa etapa
A conclusão de Direito representou uma mudança expressiva em relação ao período em que a família vivia no barraco de lona. Os anos entre as duas situações incluíram trabalho como doméstica, leitura de livros encontrados pelo marido, preparação para o Enem, obtenção da bolsa e graduação.
O diploma não foi resultado de uma única prova ou oportunidade isolada. Cada etapa dependia da anterior: a leitura contribuiu para o desempenho acadêmico, o resultado ajudou na conquista da bolsa e a graduação permitiu avançar para a OAB e para outras seleções profissionais.
Polícia Militar abriu uma nova possibilidade
Depois da formação jurídica, Andreia decidiu participar de concursos da Polícia Militar de Goiás. Ela se candidatou tanto ao cargo de soldado quanto ao de cadete, ampliando suas possibilidades de ingresso na instituição.
O processo colocou a ex-doméstica diante de uma concorrência numerosa. Mais de 2 mil mulheres participaram da disputa, e Andreia conseguiu aprovação nas duas seleções, acrescentando uma carreira policial às possibilidades abertas pela formação em Direito.
Aprovação veio em dois concursos
Passar tanto para soldado quanto para cadete permitiu que Andreia avançasse na estrutura da Polícia Militar. Em 2020, ela já aparecia como aspirante a oficial, estágio profissional anterior à patente de tenente dentro da trajetória relatada naquele período.
A conquista trouxe uma mudança objetiva na vida familiar. Além do reconhecimento profissional, a nova ocupação proporcionou maior estabilidade financeira, permitindo que condições básicas que antes eram difíceis de alcançar passassem a fazer parte da rotina do casal.
Casa própria simbolizou nova fase
Quando sua história foi relatada em 2020, Andreia afirmou que a família já possuía casa própria. Ela também tinha um carro, enquanto José contava com uma motocicleta, bens que contrastavam com o período em que roupas e panelas precisavam ficar armazenadas em caixas de papelão.
A diferença não apaga os anos de dificuldades, mas ajuda a medir uma mudança concreta de padrão de vida. A estabilidade profissional conquistada após a entrada na Polícia Militar alterou a estrutura material da família, oferecendo condições que não existiam quando o casal chegou a Goiás.
Filho acompanhou toda a transformação
O bebê que Andreia carregava quando chegou ao estado também cresceu durante esse percurso. Em 2020, Cristhyan Tavares estava com 16 anos, idade próxima daquela que a própria mãe tinha quando deixou o Pará e começou a nova vida ao lado de José.
A coincidência de idades ajuda a revelar o tempo envolvido nessa transformação. Em aproximadamente uma geração, a família passou de um barraco sem banheiro para uma casa própria, enquanto Andreia saiu do trabalho doméstico, concluiu uma graduação e ingressou na carreira policial.
Marido também planejava voltar aos estudos
Depois de anos apoiando a formação da esposa, José Francisco manifestou interesse em retornar à escola. Aos 37 anos naquele momento, ele havia estudado até a oitava série e pretendia ingressar na Educação de Jovens e Adultos para concluir o ensino médio.
Ainda não havia uma graduação escolhida, e o objetivo imediato era terminar a educação básica. A mudança de papéis dentro da família ganhou significado porque Andreia passou a ter condições de apoiar os estudos do marido, repetindo em outra direção a parceria que havia recebido durante sua própria formação.
Livros descartados se tornaram parte da história
Entre todos os elementos da trajetória, os livros encontrados durante o trabalho de José permanecem como um dos detalhes mais marcantes. Eles não garantiram sozinhos a aprovação de Andreia, mas forneceram leitura quando comprar obras regularmente não fazia parte das possibilidades financeiras da casa.
Aquilo que havia sido descartado por outras pessoas ganhou utilidade dentro de um barraco e ajudou a fortalecer um hábito de estudo. Mais tarde, esse repertório passou a integrar uma sequência que incluiu Enem, bolsa integral, curso de Direito, OAB e concurso público.
Da rotina doméstica à carreira policial
A trajetória de Andreia reúne diferentes mudanças profissionais sem apagar a importância das etapas anteriores. O período trabalhando como doméstica contribuiu para a manutenção da família, enquanto os estudos gradualmente abriram novas possibilidades até a formação universitária.
Sua história também mostra que a transformação não ocorreu de maneira instantânea. Foram anos entre a chegada a Goiás aos 15 anos e a conquista de estabilidade profissional, atravessando maternidade, trabalho, limitações de moradia, faculdade e concursos antes de alcançar a situação registrada em 2020.
Uma conquista construída dentro da família
Andreia passou na OAB antes de terminar Direito e venceu seleções da Polícia Militar disputadas por mais de 2 mil mulheres, mas a trajetória inclui também o apoio cotidiano de José e a criação do filho durante todo esse processo. O resultado final foi construído por decisões acumuladas ao longo de vários anos.
Da antiga rotina como doméstica à aprovação na carreira policial, cada mudança surgiu de uma combinação entre estudo, trabalho e suporte familiar. Qual parte dessa trajetória mais chamou sua atenção: os livros encontrados pelo marido, a bolsa integral em Direito, a aprovação antecipada na OAB ou a conquista dos concursos da Polícia Militar? Deixe seu comentário.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

