7 min de leitura
Ex-esposa morreu de câncer e deixou ao antigo companheiro o pedido para que ele criasse seu filho, ele assumiu o menino ainda pequeno, enfrentou nove anos de processo de adoção e só em 2022 conseguiu entregar a nova certidão com seu sobrenome ao garoto que já chamava de filho
Escrito por Carla Teles
Publicado em 14/08/2026 às 15:12
Atualizado em 14/08/2026 às 15:13
Curiosidades
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
A adoção de Bruno por Rodrigo Medina levou cerca de nove anos após a morte da mãe do menino por câncer, período em que ele criou a criança, enfrentou burocracias e aguardou a formalização até receber em 2022 a certidão de nascimento com seu sobrenome incluído como pai legal oficialmente.
A história de adoção de Rodrigo Medina Lopes e Bruno começou muito antes de qualquer decisão judicial. Rodrigo já conhecia o menino desde o nascimento por ser pai de sua irmã mais velha e, quando a mãe de Bruno adoeceu gravemente, passou a ajudar ainda mais nos cuidados. Antes de morrer de câncer em 2013, ela pediu ao ex-companheiro que ficasse responsável pelo garoto caso não sobrevivesse ao tratamento, e Rodrigo aceitou assumir uma função que, na prática, acabaria transformando aquela relação em vínculo de pai e filho.
O caso foi relatado pelo UOL em 7 de junho de 2022, quando Rodrigo tinha 45 anos e Bruno, 11. Depois de aproximadamente nove anos de espera, a adoção foi formalizada em 20 de maio daquele ano. A conquista ganhou repercussão depois que Rodrigo gravou a reação do garoto ao receber a nova certidão de nascimento, agora com o sobrenome Lopes e o reconhecimento jurídico da paternidade que já fazia parte da rotina dos dois havia anos.
Rodrigo conhecia Bruno desde o nascimento
Rodrigo havia sido casado com Rejane Carneiro por mais de uma década, e os dois tiveram uma filha juntos. Depois da separação, ela iniciou outro relacionamento e teve Bruno, nascido em dezembro de 2010. O pai biológico, segundo os relatos apresentados nas fontes, não assumiu a paternidade, e Rodrigo continuou próximo da antiga família por causa da filha que tinha com Rejane.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Com o passar do tempo, Bruno deixou de ser apenas o irmão de sua filha para ocupar um espaço cada vez maior na vida de Rodrigo. Ele acompanhou momentos simples da infância, ajudou nos cuidados e esteve presente quando a saúde da mãe do menino começou a piorar. Essa convivência anterior seria decisiva quando surgiu o pedido que mudaria definitivamente a configuração da família.
Diagnóstico de câncer mudou o rumo da família
Quando Bruno ainda era bebê, sua mãe recebeu o diagnóstico de um tumor no útero. O tratamento durou quase dois anos, período em que Rodrigo permaneceu próximo e ajudou nos cuidados com a criança enquanto Rejane enfrentava a doença.
À medida que a situação se agravava, surgiu uma preocupação concreta sobre o futuro do garoto. Antes de morrer, Rejane pediu que Rodrigo cuidasse de Bruno para que ele permanecesse junto da irmã e fosse criado por alguém em quem ela confiava. O pedido foi feito diante de familiares, que concordaram com a decisão.
Pedido de adoção nasceu antes da morte da mãe
A partir daquele momento, a relação deixou de ser apenas de proximidade familiar. Rodrigo assumiu a responsabilidade cotidiana por Bruno e passou a exercer, na prática, todas as funções associadas à paternidade.
A adoção, porém, não seria imediata. Embora houvesse concordância da família materna e um vínculo afetivo já estabelecido, o processo precisaria passar pelos trâmites legais exigidos para reconhecer Rodrigo formalmente como pai do menino.
Avó materna permaneceu como responsável legal
Durante boa parte da espera, a responsabilidade legal por Bruno permaneceu vinculada à avó materna. Isso criava uma diferença importante entre a vida real da família e aquilo que constava oficialmente nos documentos.
No cotidiano, Rodrigo levava Bruno à escola, cuidava da rotina, morava com ele e tomava decisões próprias de um pai, mas ainda encontrava limites burocráticos porque juridicamente não ocupava essa posição. Situações aparentemente simples, como viagens, acabavam expondo esse descompasso.
Processo de adoção levou cerca de nove anos
O pedido passou por entrevistas, avaliações, visitas de assistentes sociais, acompanhamento psicológico e outras etapas do procedimento judicial. Rodrigo relatou que a formalização se estendeu por aproximadamente nove anos.
Uma das questões envolvidas estava relacionada à tentativa de localizar ou obter manifestação do pai biológico. Enquanto o vínculo afetivo com Rodrigo crescia ano após ano, a adoção seguia sem uma conclusão definitiva, criando uma espera longa para uma família que já funcionava como tal.
Paternidade foi construída muito antes do documento
Durante esses anos, Bruno cresceu chamando Rodrigo de pai e convivendo com ele diariamente. Para Rodrigo, a certidão seria importante por reconhecer uma relação que já existia, mas não seria ela que criaria o vínculo entre os dois.
Ele próprio resumiu essa diferença ao explicar que Bruno já era seu filho havia muito tempo. O documento oficial serviria para colocar no papel aquilo que a convivência, o cuidado e a responsabilidade já tinham consolidado dentro de casa.
Adoção também trouxe desafios de paternidade solo
Rodrigo não apresentou a experiência apenas como uma história de superação. Em relatos posteriores, ele destacou as dúvidas e dificuldades enfrentadas ao criar um filho sozinho, mesmo contando com uma rede de apoio.
Ele afirmou que se sentiu despreparado em vários momentos e questionou a forma como a sociedade enxerga homens que assumem sozinhos esse papel. Para Rodrigo, cuidar de Bruno nunca deveria ser tratado como um ato heroico, mas como responsabilidade assumida diante de uma criança que dependia dele.
Descoberta da certidão aconteceu por acaso
O desfecho do processo veio de forma inesperada. Rodrigo estava tentando organizar uma viagem de avião com Bruno e entrou em contato com o fórum para verificar a situação da documentação.
Foi então que recebeu a notícia de que a certidão já estava pronta. Depois de nove anos esperando pela adoção, ele descobriu praticamente por acaso que o processo havia finalmente sido concluído, reação que o levou a interromper o trajeto e chorar ao perceber o significado daquele momento.
Nova certidão trouxe o sobrenome Lopes
A nova certidão de nascimento passou a registrar Rodrigo formalmente como pai de Bruno. O menino também recebeu o sobrenome Lopes, marcando juridicamente uma relação familiar construída ao longo de quase toda a sua infância.
A mudança produziu efeitos práticos imediatos. Bruno poderia ser incluído formalmente como dependente em plano de saúde, registros escolares, documentos e outras situações que antes dependiam de autorizações ou da responsável legal registrada.
Vídeo registrou a reação de Bruno
Rodrigo decidiu deixar o celular gravando quando apresentou a nova certidão ao filho. Bruno sabia que a adoção estava em andamento, mas não tinha conhecimento de quando o documento seria finalmente emitido.
A reação acabou sendo compartilhada nas redes sociais e alcançou milhares de pessoas. O impacto do vídeo veio justamente da simplicidade do momento: um garoto vendo no papel o sobrenome e a paternidade que já reconhecia na própria vida cotidiana.
Rodrigo também enfrentou câncer durante a espera
Outro elemento adicionou peso emocional à conclusão do processo. Rodrigo revelou que havia sido diagnosticado com câncer no intestino em 2021, enquanto ainda aguardava a formalização da adoção.
Esse diagnóstico também influenciou sua decisão de registrar a entrega da certidão. Ele queria guardar aquele momento e deixar uma lembrança da conquista, especialmente depois de anos marcados por perdas familiares, responsabilidades e incertezas.
Adoção encerrou uma espera, mas não criou a família
Assista o vídeo
Quando a Justiça finalmente formalizou a adoção em 2022, Rodrigo e Bruno já acumulavam quase uma década de convivência como pai e filho. A mudança jurídica teve enorme importância, mas apenas confirmou uma realidade que havia sido construída diariamente desde a morte de Rejane.
Para Rodrigo, a sensação também estava ligada ao cumprimento de uma promessa. Ao assumir Bruno, criá-lo e finalmente conseguir incluir seu sobrenome na certidão, ele entendeu que havia realizado o desejo deixado pela mãe do menino antes de morrer.
Rodrigo rejeita ser tratado como herói
Mesmo depois da repercussão, Rodrigo evitou transformar a própria história em exemplo de heroísmo. Ele afirmou que se vê como alguém que assumiu responsabilidades e enfrenta desafios como qualquer outro pai.
Essa postura também acrescenta uma dimensão importante à história de adoção. O centro do caso não está em uma decisão isolada tomada há nove anos, mas na continuidade do cuidado durante toda a infância de Bruno, inclusive quando a documentação ainda não reconhecia oficialmente aquele vínculo.
Nova certidão colocou no papel uma relação construída durante anos
A morte da mãe de Bruno deixou um pedido difícil, mas também uma direção clara: manter o menino próximo da família e sob os cuidados de alguém em quem ela confiava. Rodrigo assumiu esse compromisso e atravessou um processo de adoção que se estendeu por cerca de nove anos até finalmente receber a confirmação judicial.
Em 2022, a nova certidão colocou o sobrenome de Rodrigo no documento de Bruno, encerrando uma espera burocrática que acompanhou praticamente toda a infância do garoto. Na sua opinião, o que mais pesa em uma história como essa: o vínculo construído no dia a dia ou o reconhecimento legal que só chegou anos depois? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

