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Ex-funcionário de um McDonald’s em Londres voltou ao interior de São Paulo, abriu a própria hamburgueria aplicando os processos que aprendeu na rede e montou uma franquia que faturava cerca de 8,4 milhões de reais por ano
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 01/08/2026 às 16:12
Atualizado em 01/08/2026 às 16:15
Curiosidades
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Marcos Nunes lavou louça e montou lanche fora do Brasil antes de virar chefe de cozinha do McDonald’s em Londres. Voltou, abriu a Let’s Eat em Itu em 2010 com R$ 100 mil e transformou o restaurante em rede de franquias espalhada pelo interior paulista.
O aprendizado que virou negócio não foi de gastronomia, foi de processo. Marcos Nunes trabalhou em restaurantes nos Estados Unidos e depois em Londres, onde chegou a chefe de cozinha de uma unidade do McDonald’s em três meses, e usou justamente esse método de organização para montar a própria hamburgueria em Itu, no interior de São Paulo, conforme reportagem de Juliana Américo Lourenço da Silva publicada pelo InfoMoney em 25 de março de 2015.
A casa foi aberta em 2010 com investimento de R$ 100 mil e se chama Let’s Eat. Em março de 2015, quando a reportagem foi publicada, a rede faturava aproximadamente R$ 700 mil por mês, o equivalente a cerca de R$ 8,4 milhões por ano, e tinha cinco unidades, sendo uma própria em Campinas e quatro franquias em Indaiatuba, Piracicaba, Itu e na capital paulista.
A temporada nos Estados Unidos
O primeiro contato com cozinha profissional aconteceu em 1998. Estudante de administração, ele decidiu passar um ano nos Estados Unidos para estudar inglês e trabalhou em vários restaurantes e casas de fast food durante o período.
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Não começou por cima. Passou por lavagem de louça, montagem de lanches, atendimento e apoio de salão, percorrendo praticamente todas as funções de uma operação. Ele morou no Mississippi, e é dessa temporada que vem a ideia de recriar no Brasil um pedaço da experiência americana. A paixão por gastronomia existia desde a infância, e o contato prático transformou curiosidade em projeto.
O cargo que ele conquistou em Londres
De volta ao Brasil, concluiu a faculdade e decidiu morar em Londres para acumular mais experiência. Lá, trabalhou em bares e em restaurantes de serviço rápido, e a passagem que ele destaca é a do McDonald’s.
Em três meses subiu de cargo e virou chefe de cozinha. Segundo o relato dele, era trabalho pesado para montar lanches e aprender todos os processos, mas foi onde se identificou e enxergou a oportunidade, o que rapidamente o levou a um posto de confiança. É esse repertório de padronização que ele aponta como base da própria cozinha, pela agilidade e pela eficiência.
A hamburgueria que abriu em Itu
A primeira loja foi inaugurada em 2010 em Itu, com R$ 100 mil de investimento, especializada em hambúrgueres gourmet e comida mexicana, inspirada nos restaurantes americanos de refeição casual.
A proposta declarada não era vender lanche, e sim experiência gastronômica, combinando matéria prima de qualidade, ambiente e atendimento. Nunes descreve o modelo com os termos slow food e comfort food, e resume a fórmula em três pilares: mix de produtos, decoração e atendimento. As unidades trazem referências ao cinema americano, aos quadrinhos e aos esportes norte-americanos.
A inauguração não saiu como planejado
Vale registrar que o começo não foi limpo. Na noite de abertura, a parte elétrica falhou e o restaurante ficou sem energia, o que atrasou a entrega dos pratos e transformou a estreia em correria.
O ajuste veio depois, mês a mês. O empresário conta que foi observando as deficiências da operação, identificando o que precisava mudar e trabalhando qualidade e agilidade. Foi esse processo de correção contínua, e não a estreia, que chamou atenção de investidores interessados em levar a marca para outras cidades.
Quando a hamburgueria virou franquia
A segunda unidade surgiu em 2014, em Indaiatuba, e foi a primeira franquia da marca. Em 2015, para abrir uma loja, era preciso investimento mínimo inicial de R$ 460 mil já com a taxa de franquia, mais R$ 30 mil de capital de giro.
A meta anunciada naquele ano era crescer 80% e chegar a 20 unidades até dezembro, com a primeira loja do Nordeste prevista para Aracaju. O prazo não se cumpriu como projetado, mas a expansão continuou. Em 2021, a rede tinha onze lojas no interior paulista e anunciava mais quatro para janeiro de 2022, com faturamento 25% maior naquele ano.
Onde a rede chegou depois
O crescimento seguiu pelo interior de São Paulo e cruzou a divisa. Em 2023, a marca estava presente em dezessete cidades: Americana, Araraquara, Atibaia, Campinas, Cerquilho, Guarujá, Indaiatuba, Itu, Jundiaí, Limeira, Mogi Guaçu, Piracicaba, Poços de Caldas, Rio Claro, São Carlos, Taubaté e Valinhos.
Em julho daquele ano, com as aberturas anunciadas para Assis e Botucatu, a rede alcançava 19 unidades, com meta de encerrar 2023 com 23 lojas. A marca também recebeu o Selo de Excelência em Franchising da Associação Brasileira de Franchising em 2023. O cardápio se ampliou para incluir também o segmento de churrasco americano.
A cozinha central é o coração do modelo
O detalhe operacional que sustenta a expansão é uma cozinha central que produz cerca de 80% dos itens usados nas cozinhas dos restaurantes da rede. Os produtos são preparados ali e enviados às unidades para finalização.
O objetivo é duplo: garantir padronização de sabor entre lojas distantes e simplificar o trabalho do franqueado, que passa a controlar estoque com menos variáveis. É exatamente a lógica de operação de rede grande que Nunes conheceu em Londres, aplicada em escala menor. Segundo ele, boa parte dos franqueados opera mais de uma loja, o que ele atribui à rentabilidade do modelo.
O que a trajetória mostra sobre o setor
Existe um ponto no relato dele que contraria a narrativa comum do empreendedorismo gastronômico. Nunes afirma ser fundamental trabalhar e conhecer o setor a fundo antes de garantir resultado, e trata a experiência no exterior como bagagem, não como aventura.
O que ele importou não foi cardápio, foi método. A montagem de lanche cronometrada, a divisão de estações, a padronização de porção e o controle de estoque são competências que existem justamente nas redes de fast food criticadas por quem passa por elas. A hamburgueria dele vende posicionamento oposto ao do fast food e roda sobre a engrenagem aprendida dentro de um.
E você, já trabalhou em rede de fast food e levou algum aprendizado dali para outra área? Conta aqui nos comentários o que aprendeu, e diga também se acha que padronização de rede combina com hambúrguer artesanal ou se uma coisa mata a outra.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

