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Ex-jornaleiro que escondia dos colegas que fazia balé para escapar das provocações ganha bolsa para estudar dança em Portugal, passa a trabalhar também como modelo, junta US$ 18 mil em 10 meses e volta ao Brasil para comprar uma casa para a mãe e a irmã mais nova
Escrito por Geovane Souza
Publicado em 18/08/2026 às 15:00
Atualizado em 18/08/2026 às 15:01
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A trajetória de Wanderley Lopes mostra como formação profissional, trabalho no exterior e renda obtida fora dos palcos se combinaram no início de uma carreira que chegaria ao posto de primeiro bailarino do Teatro Guaíra
Muito antes de ocupar posição de destaque em uma das principais companhias públicas de dança do Brasil, Wanderley Lopes trabalhava com a entrega de jornais em Curitiba. A entrada no balé abriu um caminho profissional que passaria por formação especializada, uma bolsa de estudos em Portugal, trabalhos de publicidade e uma longa carreira no Balé Teatro Guaíra.
A experiência portuguesa chama atenção também pelo lado financeiro. Durante aproximadamente dez meses no país, Wanderley conciliou a formação em dança com trabalhos como modelo e participação em publicidade, conseguindo acumular cerca de US$ 18 mil.
O dinheiro obtido nessa fase acabou sendo utilizado após sua volta ao Brasil, inclusive para a compra de uma casa destinada à mãe e à irmã. A decisão familiar, porém, ocorreu dentro de uma mudança profissional mais ampla que levou o antigo jornaleiro a permanecer por décadas no mercado da dança.
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A formação no Teatro Guaíra abriu uma profissão distante do trabalho que Wanderley exercia nas ruas de Curitiba
Wanderley passou parte da juventude na Casa do Pequeno Jornaleiro, instituição na qual os internos trabalhavam com distribuição e venda de jornais. Foi durante esse período que começou a se aproximar da dança e buscar formação no Teatro Guaíra.
O ingresso em uma escola de dança significava entrar em uma atividade com exigências técnicas bastante específicas. Além da preparação física, bailarinos profissionais passam por treinamento contínuo de técnica, interpretação, ensaios e preparação para diferentes repertórios.
Wanderley avançou nesse processo até integrar profissionalmente o Balé Teatro Guaíra. Registros sobre sua carreira indicam que ele entrou para a companhia ainda jovem e, posteriormente, alcançou o posto de primeiro bailarino.
A mudança também colocou Wanderley em um setor profissional restrito. Diferentemente de atividades com grande número de empregadores, companhias de dança possuem elencos pequenos e processos seletivos competitivos, o que torna formação técnica e experiência de palco determinantes para a continuidade da carreira.
Uma bolsa levou o bailarino brasileiro a Portugal e ampliou sua formação profissional
A carreira ganhou uma dimensão internacional quando Wanderley recebeu uma bolsa para estudar dança em Portugal. A oportunidade permitiu que ele deixasse temporariamente o Brasil para aprimorar a técnica e entrar em contato com outro ambiente profissional.
Durante a permanência no país, Wanderley também teve experiência ligada à Fundação Calouste Gulbenkian, instituição portuguesa historicamente associada à produção cultural e à dança.
A passagem pelo exterior não significou, entretanto, viver exclusivamente do balé. O brasileiro encontrou uma segunda atividade profissional que ajudaria a sustentar sua permanência e, principalmente, elevar sua renda durante aquele período.
Trabalhos como modelo e em publicidade criaram uma segunda fonte de renda durante a permanência na Europa
Em Portugal, Wanderley começou a participar de trabalhos como modelo e campanhas publicitárias, conciliando essas atividades com os estudos e a dança. A estratégia permitiu diversificar os ganhos enquanto ele continuava investindo na formação artística.
Em aproximadamente dez meses, conseguiu acumular cerca de US$ 18 mil, segundo relato posteriormente publicado sobre sua trajetória. O valor não correspondia apenas ao trabalho como bailarino, mas ao conjunto de atividades realizadas naquele período.
A experiência mostra uma característica comum a parte dos profissionais das artes cênicas: a combinação de diferentes fontes de renda. Bailarinos, atores e músicos frequentemente transitam entre espetáculos, publicidade, ensino, produção cultural e trabalhos temporários relacionados à própria imagem ou formação.
No caso de Wanderley, essa renda complementar teve efeito concreto. Quando decidiu retornar ao Brasil após saber da gravidez da irmã, trouxe consigo o dinheiro economizado durante a temporada portuguesa.
Os US$ 18 mil acumulados no exterior financiaram uma decisão familiar após o retorno ao Brasil
Depois de voltar ao país, Wanderley utilizou as economias para comprar uma casa para a mãe e para a irmã mais nova. O episódio tornou-se uma das passagens mais conhecidas de sua história, mas ocorreu quando sua carreira profissional ainda estava em desenvolvimento.
A compra mostra o tamanho do impacto financeiro que a passagem por Portugal teve naquele momento. Para um jovem que poucos anos antes trabalhava com jornais e ainda construía espaço profissional na dança, a temporada internacional permitiu formar uma reserva relevante em menos de um ano.
Em seguida, Wanderley retomou sua trajetória no Brasil e permaneceu vinculado ao Teatro Guaíra. A experiência no exterior, portanto, não se transformou em mudança definitiva para a Europa, mas em uma etapa de formação e trabalho dentro de uma carreira construída principalmente no Paraná.
A experiência de dez meses no exterior seria pequena diante das décadas seguintes no Balé Teatro Guaíra
Wanderley Lopes acabaria se tornando primeiro bailarino do Balé Teatro Guaíra, além de trabalhar posteriormente como coreógrafo e produtor cultural. Sua ligação com a companhia atravessou décadas.
Em registros divulgados quando anunciou sua despedida dos palcos, em 2019, sua trajetória já somava aproximadamente 30 anos como primeiro bailarino, período incomum em uma profissão marcada por forte desgaste físico e carreiras frequentemente mais curtas sobre o palco.
Além da atuação como bailarino, Wanderley passou a exercer funções ligadas à produção cultural e à criação coreográfica, ampliando a participação profissional no setor depois dos anos dedicados às apresentações.
A história iniciada com a entrega de jornais em Curitiba acabou, assim, transformando-se em uma carreira profissional de longa duração. A bolsa em Portugal, os trabalhos de publicidade e os US$ 18 mil economizados em dez meses representam apenas uma etapa de um percurso que se consolidaria principalmente dentro do Balé Teatro Guaíra.
A trajetória de Wanderley mostra uma realidade pouco conhecida do trabalho profissional com dança, desde a formação técnica e as oportunidades no exterior até a necessidade de combinar diferentes fontes de renda. Você imaginava que um bailarino pudesse conciliar os palcos com publicidade e trabalhos como modelo dessa forma? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Geovane Souza.

