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Ex-trabalhador rural passa 21 anos entre lavouras de feijão, algodão e amendoim, trabalha outros 32 anos em posto de combustível e entra em Medicina aos 58, realizando um sonho cerca de 40 anos após concluir a escola

Ex-trabalhador rural passa 21 anos entre lavouras de feijão, algodão e amendoim, trabalha outros 32 anos em posto de combustível e entra em Medicina aos 58, realizando um sonho cerca de 40 anos após concluir a escola

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Ex-trabalhador rural passa 21 anos entre lavouras de feijão, algodão e amendoim, trabalha outros 32 anos em posto de combustível e entra em Medicina aos 58, realizando um sonho cerca de 40 anos após concluir a escola

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 10/08/2026 às 00:03

Atualizado em 10/08/2026 às 00:04

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Ex-trabalhador rural entra em Medicina aos 58 após décadas entre lavouras e posto de combustível, retomando um antigo sonho de vida.

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Trajetória de um trabalhador brasileiro atravessa décadas de esforço, mudanças profissionais e decisões familiares até chegar a uma reviravolta acadêmica pouco comum. Depois de construir a vida longe da universidade, ele passa a enfrentar um desafio que exige reorganizar rotina, patrimônio e planos pessoais.

José Aparecido da Silva, de 58 anos, trocou uma trajetória marcada pelo trabalho rural e por mais de três décadas no setor de combustíveis pelo início da graduação em Medicina.

Conhecido como Cido do Posto, ele ingressou na Faculdade de Medicina de Presidente Prudente, da Universidade do Oeste Paulista, depois de retomar os estudos por conta própria e prestar vestibular cerca de 40 anos após concluir a educação básica na rede pública.

Segundo a Unoeste, José começou a trabalhar ainda criança, acompanhando os pais na roça aos sete anos.

Ao longo dos 21 anos seguintes, passou por lavouras de feijão, amendoim e algodão em municípios do oeste paulista, antes de construir uma nova trajetória profissional ligada a postos de combustível.

Trabalho rural começou ainda na infância

Na colheita manual do algodão, a rotina começou quando ele ainda não tinha força física para lidar sozinho com os sacos usados no trabalho.

Quando era pequeno, conforme relata a universidade, José recolhia as plumas em uma lata e somente depois transferia o material para o saco de estopa.

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Já adulto, ampliou a experiência profissional ao trabalhar como motorista de caminhão canavieiro antes de deixar a atividade rural.

Nascido em Álvares Machado, no interior de São Paulo, ele também passou pelo distrito de Costa Machado, em Mirante do Paranapanema.

Foi nessa região que frequentou a rede pública de ensino, na Escola Estadual Zulenka Rapchan, onde cursou etapas que atualmente correspondem aos ensinos fundamental e médio.

Décadas mais tarde, conteúdos aprendidos naquele período voltariam a fazer parte de sua rotina durante a preparação para o vestibular.

De frentista a gerente de posto de combustível

Ex-trabalhador rural entra em Medicina aos 58 após décadas entre lavouras e posto de combustível, retomando um antigo sonho de vida.

Depois do casamento com Maria do Socorro, a mudança para Presidente Prudente abriu uma nova fase na vida profissional de José.

Na cidade, ele permaneceu durante 32 anos no setor de combustíveis, período em que desempenhou diferentes funções e construiu a carreira pela qual se tornou conhecido.

Primeiro, trabalhou como frentista; mais tarde, passou pelo caixa, tornou-se cotista de um posto e chegou à função de gerente geral.

A sequência de atividades manteve José no mesmo setor por mais de três décadas, até a decisão de alterar completamente a rotina para iniciar a graduação.

O ingresso em Medicina exige dedicação em tempo integral e, por isso, José decidiu deixar o trabalho no posto e reorganizar a própria vida financeira.

De acordo com a Unoeste, os primeiros meses de estudo serão custeados com recursos obtidos pela venda de suas cotas no estabelecimento e, possivelmente, de um imóvel.

Medicina aos 58 anos após décadas longe da escola

Longe de uma preparação tradicional em cursinho, José retomou os conteúdos escolares por iniciativa própria.

Cerca de quatro décadas depois de concluir a escola, ele revisou as matérias sozinho antes de realizar o processo seletivo que lhe garantiu uma vaga na 63ª turma da Faculdade de Medicina de Presidente Prudente.

A chegada à universidade foi marcada por uma cerimônia de recepção aos novos estudantes no Teatro César Cava, localizado no campus da instituição.

Ao lado da esposa, Maria do Socorro, e da neta Nicolly, José participou do evento que marcou oficialmente o início de uma nova etapa acadêmica.

Essa mudança coloca o trabalhador diante de uma rotina bastante diferente daquela construída desde a infância.

Depois de passar pelo campo, pelas estradas e pelo setor de combustíveis, ele passa a ocupar uma sala de aula universitária como estudante de Medicina aos 58 anos.

Filha médica já havia percorrido o mesmo caminho

Antes mesmo da matrícula do pai, a Medicina já fazia parte da história da família.

Ana Caroline, filha de José, concluiu o mesmo curso na Unoeste e atua no Programa Mais Médicos no município de Capela do Alto, no interior paulista, além de realizar plantões em unidades de saúde.

Ex-trabalhador rural entra em Medicina aos 58 após décadas entre lavouras e posto de combustível, retomando um antigo sonho de vida.

Outro filho do casal, Wallas Douglas, seguiu uma trajetória profissional diferente.

Conforme as informações divulgadas pela universidade, ele vive em Lagos, em Portugal, onde trabalha como cozinheiro.

Assim, enquanto Ana Caroline percorreu anteriormente a formação médica que o pai agora inicia, Wallas construiu a vida profissional fora do Brasil.

Os dois caminhos fazem parte da trajetória familiar que acompanha José nesta nova fase.

Trajetória passou pela lavoura, estrada e posto

Antes de chegar à faculdade, o percurso profissional de José acumulou mudanças significativas.

O trabalho iniciado ainda criança nas lavouras foi seguido pela experiência no transporte de cana-de-açúcar e, posteriormente, por mais de três décadas de atuação em postos de combustível.

A entrada na universidade também trouxe decisões que ultrapassam o ambiente acadêmico.

A Unoeste informou que José pretende realizar o Exame Nacional do Ensino Médio para buscar alternativas que possam contribuir com o custeio da formação.

Enquanto essa possibilidade é considerada, a reorganização patrimonial permitirá manter os primeiros meses do curso sem a renda obtida no trabalho que exerceu durante 32 anos.

A escolha representa uma mudança relevante para alguém que construiu praticamente toda a vida adulta em atividades profissionais fora do ensino superior.

Mudanças de saúde também marcaram a nova fase

Outras transformações já haviam ocorrido antes da aprovação no vestibular.

Em 2019, José passou por duas cirurgias, sendo uma delas realizada após a identificação de uma alteração arterial durante o atendimento para uma operação da vesícula.

Posteriormente, ele modificou hábitos cotidianos e perdeu 28 quilos ao incorporar caminhadas e corridas à rotina.

As atividades físicas passaram a fazer parte de seus dias antes mesmo de a graduação começar.

Conforme a universidade, José chegou a percorrer distâncias de até 10 quilômetros e continuou caminhando regularmente.

Em parte dessas atividades, contou com a companhia da esposa, que também perdeu peso durante o mesmo processo de mudança de hábitos.

Novo estudante integra turma de Medicina em Presidente Prudente

Aos 58 anos, José inicia o curso e deve completar 59 em dezembro.

Na 63ª turma da Faculdade de Medicina de Presidente Prudente, ele passa a dividir a rotina acadêmica com os demais ingressantes recebidos pela coordenação e pelo corpo docente da instituição.

Entre a conclusão da educação básica e esse novo desafio, passaram-se quase quatro décadas.

Para disputar a vaga, José precisou retornar aos conteúdos escolares, revisar matérias por conta própria e enfrentar um vestibular depois de construir uma carreira inteiramente distante do ambiente universitário.

A experiência da filha acrescenta outro componente à nova rotina familiar.

Ana Caroline percorreu antes o caminho acadêmico que o pai começa agora, enquanto José deixa uma carreira consolidada no setor de combustíveis para ocupar o lugar de calouro na mesma área profissional escolhida por ela.

Antes da faculdade, foram 21 anos ligados à atividade rural e outros 32 anos construindo uma carreira em postos de combustível.

Agora, a rotina passa a incluir as exigências de um curso integral, ao mesmo tempo em que José reorganiza trabalho, patrimônio e estudos para seguir a formação iniciada aos 58 anos.

Até que ponto uma mudança de carreira depois de décadas de trabalho pode transformar a maneira como outras pessoas enxergam a própria relação com estudo, profissão e idade?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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