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Ex-vendedor de balas acordava às 4h para trabalhar, ganhou uma bolsa, estudou Administração e se tornou o primeiro dos nove irmãos a concluir faculdade
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo
Publicado em 05/08/2026 às 17:48
Atualizado em 05/08/2026 às 17:49
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Ex-vendedor de balas se forma em Administração, torna-se o primeiro universitário entre nove irmãos e recebe promoção durante a cerimônia.
O ex-vendedor de balas Cassiano de Souza concluiu o curso de Administração aos 31 anos e tornou-se o primeiro entre nove irmãos a conquistar um diploma universitário. A formatura, realizada em 8 de março de 2025, marcou também uma nova mudança profissional: durante a cerimônia, ele recebeu a notícia de que seria promovido na universidade onde passou a trabalhar depois de ganhar uma bolsa de estudos.
As informações foram publicadas pelo g1 em 13 de março de 2025. Quatro anos antes da graduação, Cassiano sustentava sua rotina comercializando doces no cruzamento das ruas Mariz e Barros e São Francisco Xavier, na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro.
Ex-vendedor recebeu promoção no dia da formatura
Cassiano trabalhou por dois anos na portaria da Unisuam, instituição particular onde também estudava. Após concluir Administração, foi transferido para o setor de atendimento, função na qual poderá aproveitar uma habilidade que já demonstrava quando abordava motoristas: conversar e criar vínculos com diferentes pessoas.
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A notícia da promoção foi comunicada durante a formatura. O ex-vendedor contou que não conseguiu conter as lágrimas ao perceber que o encerramento da graduação também abriria uma nova etapa dentro da instituição.
O emprego teve papel essencial para que ele permanecesse no curso. A bolsa cobria os estudos, mas despesas com transporte e alimentação continuariam pesando no orçamento. Por isso, a universidade decidiu oferecer também uma oportunidade de trabalho.
Mensagens entregues no sinal mudaram a trajetória
A aproximação que transformou a vida de Cassiano começou durante a pandemia. A publicitária Luiza Strella percebeu que ele não se limitava a oferecer balas: as abordagens eram acompanhadas por cumprimentos, palavras de carinho e mensagens otimistas.
Dessa observação nasceu o projeto “Eu não vendo balas”. A proposta era apresentar a pessoa por trás do vendedor ambulante e combater a invisibilidade enfrentada por trabalhadores que muitas vezes se aproximam dos carros e encontram vidros fechados.
Luiza criou uma estratégia de venda e um slogan para o ambulante. As mensagens distribuídas com os produtos ampliaram a repercussão do trabalho e fizeram a história chegar a Alfredo, que se emocionou e decidiu conhecer Cassiano pessoalmente.
Depois de vê-lo atuando no sinal, Alfredo procurou o reitor da Unisuam, Arapuã Motta, e pediu ajuda para realizar o sonho do ex-vendedor de entrar em uma faculdade. A mobilização resultou na bolsa integral e, posteriormente, no emprego dentro da instituição.
Rotina começava antes do nascer do sol
A oportunidade não eliminou o esforço necessário para que Cassiano mudasse de vida. Antes de chegar aos cruzamentos, ele acordava às 4h para organizar as balas, grampear as embalagens, preparar a bandeja e sair para trabalhar.
Parte das pessoas ao redor acreditava que ele continuaria para sempre vendendo nos sinais. Cassiano, porém, passou a conciliar a adaptação ao ambiente universitário com as responsabilidades profissionais e financeiras.
Ao relembrar o percurso, ele reconheceu a importância das pessoas que abriram portas, mas ressaltou que também precisou responder com dedicação. Para o recém-formado, receber ajuda não substitui o compromisso de estudar, trabalhar e continuar tentando nos períodos difíceis.
Diploma representa mudança para toda a família
Ser o primeiro de nove irmãos a concluir uma graduação ampliou o significado da conquista. O diploma não marcou somente a passagem do comércio informal para uma atividade administrativa, mas criou uma referência dentro da própria família.
A história também mostra que a transformação não ocorreu por um único gesto. O projeto criado por Luiza deu visibilidade ao trabalhador; Alfredo conectou a história à universidade; a Unisuam ofereceu condições de permanência; e Cassiano sustentou a oportunidade com anos de estudo e trabalho.
O ex-vendedor levará para uma função profissional a mesma facilidade de lidar com pessoas que despertou a atenção de quem passava pelo sinal. O sorriso e as mensagens que antes acompanhavam pacotes de balas tornaram-se parte de uma trajetória que terminou com diploma, promoção e a quebra de uma barreira educacional entre os nove irmãos.
Com informações do g1
Fonte
G1
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

