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Ex-vigilante chegava em casa à meia-noite, estudava até 2h da manhã e acordava às 4h30 para trabalhar, entrou em cursinho popular perto dos 40 anos, conquistou vaga em Arquivologia na Ufes, se formou, fez mestrado e doutorado e voltou anos depois à mesma universidade onde havia sido aluno, agora como professor efetivo

Ex-vigilante chegava em casa à meia-noite, estudava até 2h da manhã e acordava às 4h30 para trabalhar, entrou em cursinho popular perto dos 40 anos, conquistou vaga em Arquivologia na Ufes, se formou, fez mestrado e doutorado e voltou anos depois à mesma universidade onde havia sido aluno, agora como professor efetivo

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Ex-vigilante chegava em casa à meia-noite, estudava até 2h da manhã e acordava às 4h30 para trabalhar, entrou em cursinho popular perto dos 40 anos, conquistou vaga em Arquivologia na Ufes, se formou, fez mestrado e doutorado e voltou anos depois à mesma universidade onde havia sido aluno, agora como professor efetivo

Escrito por Geovane Souza

Publicado em 10/08/2026 às 16:57

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Ex-vigilante supera rotina exaustiva, entra na Ufes perto dos 40 anos e se torna professor da universidade.

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Antes de se tornar professor universitário, Luiz Carlos da Silva trabalhou como engraxate, vendeu laranjas e passou anos como vigilante. Aos quase 40 anos, uma rotina de poucas horas de sono e um cursinho popular abriram o caminho para Arquivologia na Ufes, instituição onde se formou em 2006 e para a qual retornou em 2009 como docente.

Durante parte de sua vida adulta, Luiz Carlos da Silva terminava o dia quando muita gente já estava dormindo. Morador do Forte São João, em Vitória, ele chegava em casa por volta da meia-noite, estudava até aproximadamente 2h da manhã e, pouco mais de duas horas depois, precisava levantar novamente.

Às 4h30 começava outra jornada. O destino era a Praia da Costa, em Vila Velha, onde trabalhava como vigilante, emprego que garantia renda enquanto tentava construir um caminho até o ensino superior.

A rotina seria difícil mesmo para um estudante de 18 ou 20 anos. Luiz Carlos, porém, já estava próximo dos 40 quando decidiu entrar em um cursinho popular e disputar uma vaga na Universidade Federal do Espírito Santo.

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Segundo reportagem publicada por A Gazeta, Luiz Carlos havia trabalhado desde cedo como engraxate e vendedor de laranjas, além de ter se tornado vigilante concursado do Estado antes de conseguir entrar na universidade. A mesma reportagem registrou a sequência de noites curtas de sono enfrentada durante a preparação para o vestibular.

A vontade de estudar começou em Minas Gerais, mas faltava dinheiro até para sair da cidade

Luiz Carlos viveu parte da juventude em Rio Piracicaba, no interior de Minas Gerais. Na época em que muitos colegas começaram a deixar a cidade para estudar em Belo Horizonte, sua família não tinha condições financeiras de bancar uma mudança e as despesas de uma faculdade.

A falta de oportunidade na cidade onde morava acabou levando-o ao Espírito Santo. Ele foi para Vitória, onde tinha parentes, imaginando que poderia estudar na Ufes, mas o plano precisou ser adiado porque antes era necessário garantir trabalho, renda e condições mínimas para permanecer na capital capixaba.

Foi nesse período que passou por diferentes ocupações e chegou ao serviço de vigilância. O diploma continuava distante, mas a universidade não havia desaparecido dos planos.

Um cursinho popular em 2002 colocou a Ufes novamente ao alcance

Ex-vigilante supera rotina exaustiva, entra na Ufes perto dos 40 anos e se torna professor da universidade.

A mudança decisiva ocorreu em 2002, quando Luiz Carlos entrou no Programa Universidade para Todos, conhecido pela sigla Pupt, e começou a se preparar para o vestibular. O programa funcionava como cursinho preparatório voltado a estudantes que buscavam acesso ao ensino superior.

Registros posteriores de administrações municipais capixabas descrevem o Pupt como um cursinho pré-vestibular gratuito realizado em parceria com a Ufes, por meio da Fundação Ceciliano Abel de Almeida. A iniciativa não deve ser confundida com o ProUni federal, programa de bolsas em universidades privadas criado posteriormente.

A preparação exigia encaixar livros e exercícios em uma rotina dominada pelo trabalho. Era nesse período que Luiz Carlos chegava ao Forte São João à meia-noite, estudava até 2h e acordava às 4h30 para voltar ao serviço.

O esforço produziu o resultado que ele tentava alcançar havia anos. Luiz Carlos foi aprovado em Arquivologia na Ufes, entrando pela primeira vez como aluno na universidade em que mais tarde daria aulas.

Quatro anos depois veio o diploma e, em 2009, ele voltou à Ufes como professor

A graduação não foi apenas uma passagem pela universidade. A página institucional do Departamento de Arquivologia da Ufes informa que Luiz Carlos concluiu o bacharelado em Arquivologia em 2006, quatro anos depois de entrar no cursinho que o ajudou a chegar ao vestibular.

Três anos depois da formatura, o caminho ganhou uma reviravolta difícil de imaginar durante as madrugadas de estudo. Em 31 de julho de 2009, ele ingressou no quadro da Universidade Federal do Espírito Santo como professor do magistério superior no Departamento de Arquivologia.

O dado consta nos registros funcionais da própria universidade. Atualmente, o sistema da Ufes continua identificando Luiz Carlos como servidor ativo permanente, professor do magistério superior e doutor, vinculado ao Departamento de Arquivologia.

Assim, o antigo candidato que precisava estudar depois da meia-noite retornou à mesma instituição, desta vez para ocupar a sala de aula como docente. A experiência profissional também passou a caminhar ao lado da pesquisa acadêmica.

O professor não parou na graduação e levou a pesquisa até o doutorado na UFMG

Depois de se tornar professor, Luiz Carlos continuou estudando. Seu campo de pesquisa passou a envolver gestão documental, políticas públicas de arquivos, acesso à informação e funcionamento de arquivos públicos, temas ligados diretamente à Arquivologia.

No mestrado em Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais, pesquisou a gestão documental do Arquivo Público do Estado do Espírito Santo. O Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UFMG registra que a dissertação foi defendida em 5 de julho de 2013, sob orientação do professor Renato Pinto Venâncio.

Anos depois, voltou ao programa para o doutorado. A pesquisa avançou sobre os desafios de implementação de políticas públicas de arquivos, as funções arquivísticas e o acesso à informação na Prefeitura de Vitória.

Quando a história de Luiz Carlos foi publicada por A Gazeta, em novembro de 2018, o doutorado ainda estava em andamento. A UFMG registra que a defesa ocorreu em 19 de março de 2020, com trabalho intitulado O desafio da implementação da política pública de arquivos: as funções arquivísticas e o acesso à informação na Prefeitura Municipal de Vitória, ES.

A rotina que começou antes das 5h terminou dentro da universidade que parecia distante

A distância entre o jovem que vendia laranjas e engraxava sapatos e o professor universitário não foi percorrida de uma vez. Entre os dois momentos houve mudança de estado, empregos, trabalho como vigilante, cursinho popular, vestibular, graduação, concurso para professor, mestrado e doutorado.

Também houve consequências práticas na vida da família. Na entrevista de 2018, Luiz Carlos contou que o estudo havia mudado sua qualidade de vida e recordou que, quando morava no Forte São João, nem sequer tinha um endereço regular e dependia de favores para algumas situações básicas.

Sua trajetória acabou formando uma sequência pouco comum dentro da própria Ufes. Ele entrou na universidade como aluno perto dos 40 anos, formou-se em 2006 e, três anos depois, voltou como professor, passando a ensinar no mesmo curso que havia mudado sua carreira.

Mais de duas décadas depois daquele cursinho iniciado em 2002, os registros institucionais mostram que a decisão tomada depois de anos trabalhando longe da universidade teve continuidade acadêmica. O antigo vigilante chegou ao doutorado e permanece ligado ao ensino de Arquivologia na instituição que um dia parecia fora de alcance.

E você, conseguiria manter uma rotina de chegar em casa à meia-noite, estudar até 2h e levantar às 4h30 em busca de um diploma? Conte nos comentários o que mais chamou sua atenção na trajetória de Luiz Carlos e se você conhece alguma história semelhante de alguém que voltou a estudar depois de muitos anos.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Geovane Souza.

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