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Ex-vigilante de São Paulo deixou o Brasil e virou caminhoneiro na Europa, passa até 3 semanas dormindo na carreta, cruza França, Alemanha e Holanda, enfrenta controle de horas ao volante e diz que pode receber até € 4.500 por mês

Ex-vigilante de São Paulo deixou o Brasil e virou caminhoneiro na Europa, passa até 3 semanas dormindo na carreta, cruza França, Alemanha e Holanda, enfrenta controle de horas ao volante e diz que pode receber até € 4.500 por mês

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Ex-vigilante de São Paulo deixou o Brasil e virou caminhoneiro na Europa, passa até 3 semanas dormindo na carreta, cruza França, Alemanha e Holanda, enfrenta controle de horas ao volante e diz que pode receber até € 4.500 por mês

Escrito por Carla Teles

Publicado em 18/08/2026 às 16:12

Atualizado em 18/08/2026 às 16:13

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Na Europa, caminhoneiro mostra o transporte internacional com tacógrafo, descanso obrigatório e rotina do transporte rodoviário. Imagem; Captura de vídeo do youtube

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Israel trabalha como caminhoneiro no transporte internacional europeu, passa duas a três semanas na estrada, conduz cargas entre países como França, Alemanha e Holanda e segue limites de direção e descanso fiscalizados por tacógrafo, enquanto relata diferenças salariais conforme o país e a operação realizada pelas empresas de transporte profissional.

Israel trabalha há cerca de dois anos como caminhoneiro no transporte internacional europeu, passa normalmente entre duas e três semanas na estrada e cruza diferentes países transportando alimentos e cargas frigorificadas. A rotina inclui direção, espera, carga, descarga, descanso obrigatório e controle dos períodos ao volante por meio do tacógrafo.

Nascido em São Paulo, ele contou na entrevista fornecida que antes trabalhava como segurança e vigilante no Brasil e atualmente vive em Portugal. A entrevista foi feita pelo youtuber Toguro em seu canal, no Youtube, em 08 de maio de 2026. Para verificar tecnicamente as regras citadas pelo motorista, a referência oficial é a Comissão Europeia, por meio das normas de condução e descanso estabelecidas pelo Regulamento (CE) nº 561/2006.

Caminhoneiro pode dirigir normalmente até 9 horas por dia na União Europeia

Durante a entrevista, Israel explica que dispõe normalmente de nove horas efetivas de direção por dia. O relato coincide com a regra apresentada pela Comissão Europeia: o tempo diário normal de condução é limitado a nove horas, podendo ser ampliado para dez horas em apenas duas ocasiões durante a semana.

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A regulamentação também estabelece limites acumulados. Um caminhoneiro sujeito às regras europeias pode registrar no máximo 56 horas de condução em uma semana e 90 horas em duas semanas consecutivas. Esses limites são específicos para direção e não devem ser confundidos com todo o período em que o profissional permanece envolvido na operação logística.

Pausa de 45 minutos entra na rotina após 4 horas e meia de direção

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A legislação também interfere diretamente na forma como as viagens são planejadas. Conforme a Comissão Europeia, depois de no máximo 4 horas e 30 minutos dirigindo, o motorista deve realizar uma pausa de pelo menos 45 minutos, respeitadas as possibilidades previstas para divisão desse intervalo.

Na prática, isso significa que uma longa rota entre diferentes países não pode ser tratada apenas como uma sequência contínua de quilômetros. Paradas obrigatórias precisam ser incorporadas ao planejamento da entrega, juntamente com abastecimento, carga, descarga, espera em terminais e eventuais trocas entre motoristas.

Tacógrafo registra direção, descanso e ajuda na fiscalização

Israel relata que o caminhão utilizado na operação possui tacógrafo, equipamento que registra sua atividade durante a jornada. Ele afirma que a fiscalização pode acessar esses dados para verificar quanto tempo o veículo esteve sendo conduzido e se os períodos obrigatórios foram respeitados.

A Comissão Europeia confirma que os registros do tacógrafo são utilizados em controles realizados tanto nas estradas quanto nas instalações das empresas. A medida integra uma estrutura regulatória criada para aumentar a segurança rodoviária, melhorar as condições de trabalho dos condutores e reduzir distorções de concorrência entre operadores de transporte.

Doze horas de operação não significam doze horas contínuas ao volante

Em determinado momento da entrevista, Israel fala em uma amplitude próxima de 12 horas quando trabalha sozinho e em uma organização diferente quando há dois motoristas. Essa referência precisa ser separada do tempo efetivo de direção. A regra geral não autoriza simplesmente um caminhoneiro a dirigir 12 horas consecutivas.

O próprio motorista diferencia essas atividades ao explicar que, além das nove horas normais ao volante, existem períodos dedicados a espera, carregamento e outras tarefas. A Comissão Europeia estabelece nove horas como limite diário normal de condução e permite chegar a dez apenas duas vezes por semana. Portanto, tempo de direção, amplitude operacional, disponibilidade e descanso são conceitos distintos.

Descanso diário normalmente precisa chegar a pelo menos 11 horas

Outra parte relevante da rotina está fora do volante. Pelas regras europeias, o descanso diário normal é de pelo menos 11 horas, embora a regulamentação permita reduções específicas em determinadas condições. Já o descanso semanal regular chega a 45 horas consecutivas, também com hipóteses próprias de redução e compensação.

Israel conta que, durante operações internacionais, permanece duas ou três semanas na estrada e dorme na cabine do caminhão durante parte desse período. Ficar semanas fora de casa não significa permanecer dirigindo continuamente, porque a operação continua submetida às pausas e aos períodos de repouso previstos na legislação.

Trabalho em dupla muda a operação, mas não elimina o controle de horas

Na experiência apresentada, Israel divide algumas viagens com outro motorista brasileiro. Esse modelo permite organizar a operação de maneira diferente, já que um profissional pode assumir atividades enquanto o outro está em período distinto da jornada. Mesmo assim, os registros individuais continuam sendo essenciais para separar condução, disponibilidade e descanso.

O relato também mostra por que números como “21 horas” mencionados em uma operação com dois motoristas não devem ser interpretados como 21 horas de direção para cada profissional. Uma operação logística pode permanecer ativa por muitas horas sem que um único caminhoneiro esteja legalmente autorizado a passar todo esse período dirigindo.

Rotas passam por França, Alemanha, Holanda e outros países europeus

Israel descreve uma rotina de transporte internacional que atravessa países como França, Alemanha e Holanda e também cita operações por Espanha, Bélgica, Estônia e Lituânia. Segundo ele, as rotas dependem das cargas disponibilizadas pela empresa e podem mudar conforme a necessidade operacional.

O caminhoneiro afirma transportar frutas, alimentos em geral e produtos congelados, utilizando inclusive carreta frigorificada. Essa dinâmica mostra uma característica central do transporte rodoviário europeu: uma mesma viagem pode integrar diferentes mercados e exigir sucessivas etapas de coleta, entrega, espera e deslocamento internacional.

Permanecer três semanas na estrada transforma a cabine em base de trabalho

Ao relatar que passa normalmente entre duas e três semanas fora, Israel descreve a cabine como parte importante da rotina profissional. É ali que os motoristas permanecem durante muitas das paradas entre etapas da operação, embora os descansos devam continuar obedecendo às regras aplicáveis ao transporte rodoviário.

A permanência prolongada longe da residência também exige organização de alimentação, higiene, estacionamento e troca de motoristas. A profissão não se resume às horas efetivamente dirigidas: há uma cadeia de atividades antes, durante e depois de cada deslocamento, incluindo espera por instruções da empresa e disponibilidade de novas cargas.

Salário de até € 4.500 é relato do motorista, não média oficial europeia

Questionado sobre remuneração, Israel afirma que os valores mudam conforme país, empresa e tipo de operação. Na experiência relatada por ele, um caminhoneiro internacional poderia chegar a aproximadamente € 4.500 em determinadas operações ligadas a países como Holanda, podendo haver remunerações menores em outros mercados.

Ele também menciona valores próximos de € 3.500 em situações relacionadas à Espanha e a outras operações. Esses números são declarações pessoais do motorista e não representam uma média salarial oficial para todos os caminhoneiros da União Europeia, já que a fonte técnica utilizada para esta matéria trata das regras de condução e descanso, e não de salários.

Carga, descarga e espera também ocupam parte do dia profissional

Um dos pontos mais importantes do relato aparece quando Israel diferencia as horas ao volante do restante do trabalho. Depois de cumprir períodos de direção, o profissional ainda pode enfrentar espera em empresas, carregamento, descarregamento e preparação da próxima etapa da viagem.

Essa distinção ajuda a entender por que analisar apenas “quantas horas o caminhoneiro trabalha” pode produzir uma visão incompleta. A logística rodoviária combina condução com períodos operacionais em que o veículo está parado, mas o motorista continua vinculado à atividade da viagem.

Furtos de combustível aparecem como risco durante algumas paradas

Israel também relata já ter enfrentado furto de combustível durante paradas. Segundo ele, em determinadas situações criminosos retiram diesel dos tanques enquanto os caminhoneiros estão descansando. O entrevistado cita especialmente experiências ocorridas na França e também menciona episódios relacionados a outros itens transportados ou utilizados na operação.

Essas declarações devem ser entendidas como experiências individuais do motorista, e não como indicador de que determinado país seja mais ou menos seguro que outro. Ainda assim, o relato expõe um problema operacional concreto: períodos obrigatórios de parada também exigem atenção à escolha de áreas de estacionamento e à segurança dos veículos e cargas.

Categorias profissionais e adaptação fazem parte da entrada no setor

Ao explicar como trabalha com veículos pesados, Israel menciona as categorias C e E utilizadas em sua atividade. Ele também relata que atualmente trabalha para uma empresa e que sua experiência no transporte rodoviário europeu começou há aproximadamente dois anos.

As exigências formais para dirigir profissionalmente podem variar conforme habilitação, país, situação contratual e tipo de veículo. Por isso, o relato de Israel não deve ser utilizado como orientação jurídica ou como regra universal para qualquer brasileiro que queira trabalhar como caminhoneiro na Europa.

A profissão continua funcionando mesmo sem a história pessoal do motorista

A experiência de Israel ajuda a visualizar uma estrutura que existe independentemente de sua trajetória: nove horas normais de condução diária, extensão limitada para dez horas, máximo de 56 horas semanais e 90 horas em duas semanas, pausas obrigatórias, descanso e fiscalização por tacógrafo.

É essa combinação que define parte importante do trabalho de um caminhoneiro profissional no transporte internacional europeu. Salário, país, carga e empresa podem variar, mas os limites regulatórios transformam a organização das viagens e condicionam desde o planejamento das rotas até o momento em que o veículo precisa parar. Você trabalharia duas ou três semanas seguidas na estrada dentro de uma rotina tão controlada por horários e descansos? Deixe sua opinião nos comentários.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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