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Exército dos EUA usa laser de alta energia pela primeira vez na fronteira com o México e derruba três drones ligados a cartéis no Vale do Rio Grande em duas noites seguidas

Exército dos EUA usa laser de alta energia pela primeira vez na fronteira com o México e derruba três drones ligados a cartéis no Vale do Rio Grande em duas noites seguidas

5 min de leitura

Exército dos EUA usa laser de alta energia pela primeira vez na fronteira com o México e derruba três drones ligados a cartéis no Vale do Rio Grande em duas noites seguidas

Escrito por Douglas Avila

Publicado em 29/08/2026 às 21:09

Atualizado em 29/08/2026 às 21:37

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A Joint Task Force-Southern Border confirmou que o laser AMP-HEL, sistema de classe 20 kW montado em veículo tático, neutralizou três aeronaves não tripuladas ligadas a cartéis nas noites de 25 e 26 de agosto, no sul do Texas, no primeiro emprego real de uma arma de energia dirigida do Exército em solo americano.

O anúncio saiu na noite de quinta-feira, 27 de agosto, pelo comando da força-tarefa sediada em Fort Bliss. Nos dias seguintes, ganhou repercussão em veículos como Army Recognition, Washington Times, DroneXL e Unmanned Airspace. Segundo o comunicado, os três drones foram classificados como hostis. O motivo: apoio direto a atividades que representavam ameaça física a militares e a agentes da Customs and Border Protection, a CBP.

O major-general Curtis Taylor, comandante da JTF-SB, afirmou que as redes de cartéis vêm empregando cada vez mais aeronaves não tripuladas. Elas servem para facilitar o contrabando de pessoas e vigiar ativamente o pessoal da CBP e de outras forças de segurança. Conforme o oficial, os engajamentos bem-sucedidos demonstram a prontidão da força-tarefa e sua vantagem tecnológica.

O Comando Norte dos Estados Unidos, o USNORTHCOM, não detalhou o ponto exato das derrubadas nem qual organização criminosa operava os equipamentos. A DroneXL observa que a informação divulgada se limita ao Vale do Rio Grande, região de fronteira no extremo sul do Texas. Não ficou claro se os alvos estavam sobre território americano ou mexicano no momento do disparo.

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O que é o laser AMP-HEL e como ele derruba um drone

AMP-HEL é a sigla de Army Multipurpose High Energy Laser. Trata-se de um programa de prototipagem conduzido pelo Rapid Capabilities and Critical Technologies Office do Exército americano. O coração do sistema é o LOCUST, arma a laser de classe 20 kW desenvolvida originalmente pela BlueHalo, empresa que hoje faz parte da AeroVironment. Na prática, o equipamento concentra um feixe de luz invisível sobre um ponto da estrutura do drone. Depois de alguns segundos, componentes derretem ou falham, e a aeronave cai.

De acordo com a própria AeroVironment, os dois primeiros protótipos foram entregues em setembro de 2025. Eles foram instalados sobre o Infantry Squad Vehicle, veículo leve da General Motors Defense. Em seguida, em 18 de dezembro de 2025, a empresa entregou o segundo incremento: outras duas unidades montadas sobre o JLTV, o utilitário blindado da Oshkosh que substitui o Humvee. Essa versão recebeu um diretor de feixe de abertura maior, para melhorar a eficácia contra o alvo. Ou seja, o Exército chegou à fronteira com quatro protótipos em duas plataformas diferentes.

O alvo típico é o que os militares chamam de Grupo 1 e Grupo 2. São categorias de drones pequenos e médios, justamente o perfil dos quadricópteros comerciais e das aeronaves FPV usadas pelos cartéis. Além disso, a Army Recognition lembra que a mesma tecnologia foi demonstrada em junho de 2026 no campo de provas de White Sands, no Novo México. A apresentação teve a presença do secretário de Guerra Pete Hegseth, dentro do programa Golden Dome for America.

Custo por disparo contra míssil de centenas de milhares de dólares

A conta que sustenta o interesse do Pentágono é simples. Derrubar um drone barato com um míssil interceptador significa gastar centenas de milhares e potencialmente milhões de dólares por engajamento, segundo a Army Recognition. Já o laser consome basicamente eletricidade gerada pelo próprio veículo. A revista Interesting Engineering, ao cobrir a entrega dos protótipos, citou uma estimativa de cerca de 3 dólares por disparo. A fabricante não confirma o número oficialmente, porém ele dá a ordem de grandeza da diferença.

Há um segundo argumento além do preço. Uma bateria de mísseis tem um número limitado de tiros antes de precisar recarregar. O laser, por outro lado, dispara enquanto houver energia, o que o setor descreve como um carregador praticamente ilimitado. Segundo a DroneXL, a fronteira registrou mais de mil avistamentos de drones por mês no início de 2026. Por isso, ali a lógica do custo por tiro pesa muito mais do que em um campo de batalha convencional.

Dá pra entender também por que o anúncio veio com tanto cuidado nos detalhes. Em fevereiro, conforme relata o site DefenseScoop, um laser emprestado pelo Pentágono à CBP derrubou balões de Mylar perto de El Paso. Semanas depois, militares abateram um drone que a própria CBP havia lançado nas proximidades de Fort Hancock, sem aviso prévio à força-tarefa. A FAA chegou a fechar temporariamente o espaço aéreo da região. O episódio rendeu críticas de parlamentares dos dois partidos. Só em abril o Departamento de Defesa e a FAA assinaram um acordo de segurança que liberou o emprego do sistema.

O que muda para a fronteira e para o mercado de defesa

O uso operacional muda o patamar do programa. Até agora, o AMP-HEL era um protótipo testado em campos de prova. A partir de agosto, passa a ser um sistema com histórico real contra alvos que ninguém controlava. Isso importa porque o Exército assinou em julho de 2026 os contratos do Joint Laser Weapon System, o sucessor do programa. Conforme a Army Recognition, o valor inicial é de 86 milhões de dólares, com teto de 847 milhões. Assim, um resultado positivo no Texas fortalece o caso de quem defende uma frota inteira de caminhões-laser.

Para as forças de segurança da fronteira, a novidade é menos sobre a arma e mais sobre a resposta. Um drone de cartel que vigia uma patrulha da CBP hoje pode cair de forma silenciosa, sem projéteis e sem custo relevante para o orçamento. No entanto, o USNORTHCOM não disse de que lado da fronteira estavam os alvos. Esse silêncio mostra que a questão jurídica ainda vai gerar debate, sobretudo do lado mexicano.

Fico imaginando o que essa demonstração diz para o restante do mundo, incluindo o Brasil. A extensa fronteira terrestre brasileira conhece bem o uso de drones por facções para vigiar presídios e rotas de tráfico. Hoje, esse problema é enfrentado sobretudo com bloqueadores de sinal. A gente já viu Israel colocar em serviço a sua arma a laser Iron Beam. Agora, os Estados Unidos mostram que o laser tático cabe num utilitário e funciona contra alvos de baixo custo. O ciclo que começou em campo de prova fechou com três drones no chão em duas noites.

Você acha que um laser de 3 dólares por disparo faria diferença nas fronteiras e nos presídios do Brasil?

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Fontes

Army Recognition — U.S. Army uses AMP-HEL laser weapon for first time to destroy cartel-linked drones at Southern Border

DroneXL — Pentagon downs 3 cartel drones with laser, won’t say whose airspace

Unmanned Airspace — US military shoots down cartel-linked drones with high-energy laser

DefenseScoop — Border task force shoots down cartel-linked drones with AV laser

AeroVironment — AV delivers JLTV-mounted LOCUST Laser Weapon Systems to U.S. Army


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Douglas Avila.

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