Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Exército reúne mais de 500 militares em Goiás e testa pela primeira vez defesa em camadas contra drones, combinando blindados Gepard, radares, bloqueadores de sinal, centros eletrônicos e equipamentos de interceptação aérea durante exercício no Campo de Instrução de Formosa

Exército reúne mais de 500 militares em Goiás e testa pela primeira vez defesa em camadas contra drones, combinando blindados Gepard, radares, bloqueadores de sinal, centros eletrônicos e equipamentos de interceptação aérea durante exercício no Campo de Instrução de Formosa

8 min de leitura

Exército reúne mais de 500 militares em Goiás e testa pela primeira vez defesa em camadas contra drones, combinando blindados Gepard, radares, bloqueadores de sinal, centros eletrônicos e equipamentos de interceptação aérea durante exercício no Campo de Instrução de Formosa

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 17/08/2026 às 23:00

Atualizado 17/08/2026 às 23:16

Forças Armadas

Militares testaram em Goiás uma defesa em camadas contra drones com blindados Gepard, radares SABER, bloqueadores e centros eletrônicos.

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

O Sagitta Primus 2026 mobilizou integrantes de 23 organizações do Exército e recebeu apoio da Força Aérea Brasileira. Os militares treinaram detecção, proteção de pontos sensíveis, camuflagem, comando e controle, enquanto uma seção anti-SARP coordenou respostas físicas e eletrônicas contra aeronaves remotamente pilotadas em diferentes alcances e altitudes em Formosa.

Segundo o Exército Brasileiro, mais de 500 militares de 23 organizações participaram do Exercício Sagitta Primus 2026 no Campo de Instrução de Formosa, em Goiás. A atividade reuniu defesa antiaérea, guerra eletrônica, blindados, radares e meios de comando e controle, além de participantes e equipamentos da Força Aérea Brasileira.

Pela primeira vez em uma edição do exercício, uma experimentação doutrinária colocou em campo uma seção dedicada ao enfrentamento de Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas, conhecidos como drones. A estrutura combinou recursos físicos e eletrônicos dentro de uma proteção organizada por alcance e altitude. O teste procurou verificar como sensores, centros de decisão e diferentes meios de resposta podem funcionar de maneira coordenada.

Mais de 500 militares representaram 23 organizações em Formosa

O Campo de Instrução de Formosa recebeu unidades com funções diferentes dentro da defesa antiaérea. Os mais de 500 militares precisaram atuar como partes de uma mesma estrutura, conectando observação do espaço aéreo, identificação de ameaças, transmissão de informações, escolha do meio disponível e proteção das posições instaladas no terreno.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

A presença de 23 organizações ampliou a complexidade do treinamento porque cada grupo levou pessoal, equipamentos e procedimentos específicos. A participação da Força Aérea acrescentou outra dimensão à atividade, aproximando capacidades terrestres e aéreas. O número de participantes refletiu a necessidade de integrar funções que dependem umas das outras para produzir uma resposta coerente.

Ocupação de posições iniciou a sequência de defesa antiaérea

O exercício incluiu a ocupação de posições e a preparação dos locais destinados aos sensores, centros eletrônicos e sistemas de armas. Essa etapa antecede o acompanhamento das ameaças porque define onde cada elemento será instalado e como as informações circularão entre quem observa, quem analisa e quem toma decisões.

Os militares também treinaram camuflagem e proteção dos próprios pontos de operação. A defesa antiaérea precisa preservar radares, viaturas e estruturas de comando enquanto mantém capacidade de acompanhar o espaço aéreo. A atividade tratou a sobrevivência dos meios em solo como parte da missão, e não apenas como apoio aos equipamentos de interceptação.

Identificação e localização de alvos orientaram as decisões

Militares testaram em Goiás uma defesa em camadas contra drones com blindados Gepard, radares SABER, bloqueadores e centros eletrônicos.
imagem: Exército Brasileiro

Depois da preparação das posições, as equipes trabalharam na identificação de ameaças e na localização dos alvos simulados. Essas informações permitem diferenciar um objeto acompanhado no espaço aéreo, estimar sua direção e encaminhar os dados aos centros responsáveis pela coordenação da resposta.

Militares testaram em Goiás uma defesa em camadas contra drones com blindados Gepard, radares SABER, bloqueadores e centros eletrônicos.
imagem: Exército Brasileiro

O monitoramento contínuo também foi empregado na proteção de pontos sensíveis. O objetivo não era apenas perceber a presença de drones, mas reunir elementos suficientes para que cada situação fosse acompanhada dentro do cenário do exercício. Sensores e operadores formaram a primeira camada da defesa ao transformar sinais dispersos em uma situação aérea compreensível.

Blindado Gepard e Guarani participaram dos tiros de treinamento

Militares testaram em Goiás uma defesa em camadas contra drones com blindados Gepard, radares SABER, bloqueadores e centros eletrônicos.
imagem: Exército Brasileiro

Entre os meios utilizados estavam o canhão do blindado antiaéreo Gepard e metralhadoras calibre .50 instaladas em viaturas blindadas Guarani. Os disparos fizeram parte das atividades com armas coletivas e permitiram observar o desempenho de plataformas terrestres inseridas em uma estrutura maior de vigilância e comando.

Militares testaram em Goiás uma defesa em camadas contra drones com blindados Gepard, radares SABER, bloqueadores e centros eletrônicos.
imagem: Exército Brasileiro

O emprego conjunto não transformou cada viatura em uma solução isolada. Os sistemas de tiro dependiam das informações produzidas pelos sensores e da coordenação dos centros antiaéreos. O exercício posicionou os blindados como componentes de uma rede, ligados ao monitoramento e às decisões tomadas antes de qualquer resposta física.

Radares SABER apoiaram a vigilância do espaço aéreo

Militares testaram em Goiás uma defesa em camadas contra drones com blindados Gepard, radares SABER, bloqueadores e centros eletrônicos.
imagem: Exército Brasileiro

Os radares de busca SABER M60 e SABER M200 apoiaram a localização e o acompanhamento de alvos. As informações produzidas pelos sensores foram integradas aos Centros de Operações Antiaéreas Eletrônicos, responsáveis por organizar o quadro aéreo e apoiar a coordenação entre as unidades distribuídas no campo.

A Força Aérea Brasileira descreve o SABER M60 como um radar tridimensional de tecnologia nacional capaz de acompanhar simultaneamente até 60 alvos e integrar sistemas de controle e alerta. No Sagitta Primus, a presença de diferentes radares ampliou a capacidade de observação usada pelos militares durante o treinamento.

Primeira seção anti-SARP virou experimento doutrinário

A novidade central do Sagitta Primus 2026 foi a atuação de uma seção anti-SARP dentro da estrutura antiaérea. A experimentação foi coordenada pelo Centro de Doutrina do Exército e buscou observar como os novos recursos poderiam ser incorporados aos procedimentos já empregados pelas unidades.

O caráter doutrinário significa que o exercício não se limitou a demonstrar equipamentos. As equipes precisaram avaliar organização, responsabilidades, circulação de informações e integração entre capacidades. A experiência produziu referências para ajustar a maneira como a defesa antiaérea poderá coordenar meios específicos contra drones.

Proteção em camadas reuniu respostas físicas e eletrônicas

O conceito testado separou as respostas em dois grandes grupos. Os meios cinéticos atuam diretamente contra o drone físico, enquanto os não cinéticos buscam interromper ou neutralizar os sinais associados ao controle da aeronave. A combinação cria alternativas para situações com distâncias, altitudes e características diferentes.

Organizar essas capacidades em camadas permite que sensores e centros de decisão relacionem cada ameaça aos recursos disponíveis. A proposta não depende de um único equipamento capaz de resolver todos os cenários. O princípio avaliado foi a complementaridade entre detecção, guerra eletrônica e interceptação física dentro de uma mesma defesa.

Bloqueadores foram operados pelo 1º Batalhão de Guerra Eletrônica

Na parte não cinética, o exercício empregou os bloqueadores SCE 0100, da IACIT, e SCJ 2000M, da AICOX. Os equipamentos ficaram sob responsabilidade de militares do 1º Batalhão de Guerra Eletrônica, unidade especializada que participou da integração entre defesa antiaérea e ações sobre o espectro eletromagnético.

O Comando de Artilharia do Exército e o Centro de Instrução de Guerra Eletrônica também apoiaram as atividades. A presença dessas organizações aproximou operadores, instrutores e responsáveis pela evolução dos procedimentos. A guerra eletrônica entrou no treinamento como uma camada coordenada com os demais meios, e não como uma ação separada.

Empresas apresentaram torres, interceptadores e drones de combate

Empresas integrantes da Base Industrial de Defesa foram convidadas para demonstrar soluções anti-SARP. Entre os recursos apresentados estavam torres destinadas à identificação e análise de sinais, equipamentos voltados à interceptação de frequências e drones preparados para interceptação física de outras aeronaves remotamente pilotadas.

A demonstração permitiu que os militares observassem tecnologias que podem complementar os sistemas já empregados. A presença das empresas também colocou diferentes conceitos em contato com o cenário elaborado pelo exercício. As inovações foram avaliadas dentro de uma atividade militar mais ampla, ao lado de radares, centros eletrônicos e plataformas blindadas.

Comando e controle conectou sensores, decisões e respostas

Os Centros de Operações Antiaéreas Eletrônicos tiveram a função de reunir informações e apoiar a coordenação dos elementos distribuídos no terreno. Sem essa ligação, radares, bloqueadores e sistemas de tiro poderiam produzir dados ou respostas sem uma visão comum do que acontecia no espaço aéreo acompanhado.

O desempenho de um equipamento isolado representa apenas parte da capacidade de uma estrutura integrada. O Sagitta Primus concentrou-se também no fluxo entre detecção, análise e decisão, aspecto essencial quando diferentes unidades participam da mesma missão. O comando e controle funcionou como elo entre as camadas testadas pelos militares em Formosa.

Defesa antiaérea também pode receber missão de superfície

No Exército, a missão principal da Artilharia Antiaérea é proteger tropas ou localidades contra ameaças aeroespaciais hostis. Essa atuação pode dificultar reconhecimentos, impedir ataques ou neutralizar o uso do espaço aéreo adversário, sempre integrada aos sistemas responsáveis pelo controle e pela defesa.

A estrutura também pode receber, de forma eventual, missões contra alvos terrestres ou navais em complemento a outros meios. O Comando de Defesa Antiaérea do Exército, responsável pela atividade, está sediado no Forte dos Andradas, em Guarujá, e é subordinado ao Comando Militar do Sudeste. O combate a drones passa a integrar uma atribuição mais ampla de proteção de forças e áreas sensíveis.

Exercício colocou a integração acima de um equipamento isolado

O Sagitta Primus 2026 reuniu sistemas tradicionais de artilharia antiaérea e tecnologias direcionadas às novas ameaças remotamente pilotadas. A experimentação aproximou blindados, radares, bloqueadores, centros eletrônicos, guerra eletrônica e soluções apresentadas pela indústria, mantendo cada recurso dentro de uma cadeia coordenada.

O resultado mais relevante do treinamento está na avaliação dessa combinação e nos ajustes doutrinários que poderão surgir dela.

Na sua opinião, qual capacidade deveria receber maior prioridade: radares para detectar drones, bloqueadores de sinal, sistemas de interceptação, integração entre Forças ou treinamento dos militares? Conte nos comentários qual dessas frentes considera mais decisiva.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

Sair da versão mobile