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Expedição da NOAA encontra dentes de megalodonte com mais de 7 centímetros a 5,6 quilômetros de profundidade perto das Ilhas Cook, fossilizados há milhões de anos e cobertos por ferro, manganês e elementos de terras raras que podem revelar como as correntes oceânicas circularam no passado remoto do planeta

Expedição da NOAA encontra dentes de megalodonte com mais de 7 centímetros a 5,6 quilômetros de profundidade perto das Ilhas Cook, fossilizados há milhões de anos e cobertos por ferro, manganês e elementos de terras raras que podem revelar como as correntes oceânicas circularam no passado remoto do planeta

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Expedição da NOAA encontra dentes de megalodonte com mais de 7 centímetros a 5,6 quilômetros de profundidade perto das Ilhas Cook, fossilizados há milhões de anos e cobertos por ferro, manganês e elementos de terras raras que podem revelar como as correntes oceânicas circularam no passado remoto do planeta

Escrito por Carla Teles

Publicado em 04/08/2026 às 17:33

Atualizado em 04/08/2026 às 17:34

Ciência e Tecnologia

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Dentes de megalodonte nas Ilhas Cook acumulam ferro, manganês e terras raras, preservando pistas sobre antigas correntes oceânicas.

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Dentes fossilizados de megalodonte foram localizados por veículos operados remotamente no fundo do Pacífico Sul, perto das Ilhas Cook, a 5,6 quilômetros de profundidade, com camadas de ferro, manganês e elementos de terras raras capazes de preservar pistas sobre a circulação oceânica de milhões de anos atrás no planeta inteiro.

Uma expedição da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos encontrou dentes fossilizados de megalodonte durante uma exploração da planície abissal próxima às Ilhas Cook, no Pacífico Sul. Alguns exemplares medem mais de sete centímetros e foram identificados no fundo do oceano por veículos operados remotamente, em uma região situada a aproximadamente 5,6 quilômetros abaixo da superfície, onde sedimentos e minerais se acumulam lentamente durante longos períodos geológicos.

As informações foram publicadas pela Popular Science em 4 de agosto de 2026, enquanto a NOAA ainda realizava uma missão submarina de quase um mês na região. Além de registrar imagens, os equipamentos da expedição coletaram amostras e dados de sensores destinados a ampliar o conhecimento sobre os recursos naturais das Ilhas Cook, incluindo nódulos polimetálicos, minerais de terras raras e vestígios de animais extintos preservados no fundo do mar.

Dentes medem mais de sete centímetros

Imagem: NOAA Ocean Exploration, 2026 Exploração ROV das Ilhas Cook.

O tamanho dos dentes chamou a atenção dos pesquisadores porque vários exemplares ultrapassam sete centímetros de comprimento. Com base nessa dimensão, a equipe considera provável que os fósseis tenham pertencido ao megalodonte, um tubarão pré-histórico de grandes proporções que viveu nos oceanos durante milhões de anos antes de desaparecer há mais de três milhões de anos.

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Os dentes representam uma das principais fontes de informação sobre esse predador, pois o esqueleto dos tubarões é formado principalmente por cartilagem e tecido conjuntivo, materiais que se degradam com facilidade depois da morte. Como consequência, corpos completos são extremamente raros no registro fóssil, enquanto os dentes, mais resistentes, conseguem atravessar longos períodos preservados em sedimentos marinhos.

Expedição explora o Pacífico Sul

A missão da NOAA ocorre nas proximidades das Ilhas Cook e utiliza veículos operados remotamente para percorrer áreas profundas da planície abissal. Esses equipamentos enviam imagens em tempo real, recolhem objetos encontrados no solo oceânico e registram informações sobre temperatura, composição da água, relevo e características geológicas de regiões que seriam inacessíveis a mergulhadores.

A exploração também procura fornecer dados para que as Ilhas Cook compreendam melhor os recursos existentes em suas águas. A região possui nódulos polimetálicos ricos em materiais considerados valiosos, mas os mesmos ambientes também guardam fósseis, organismos vivos e registros químicos capazes de revelar processos naturais ocorridos muito antes da presença humana no planeta.

Fósseis estavam a 5,6 quilômetros

Uma das etapas da expedição foi programada para alcançar aproximadamente 5,6 quilômetros de profundidade, perto da fronteira norte das Ilhas Cook com a Samoa Americana. A descida do veículo remoto até o fundo poderia levar cerca de três horas, seguida por aproximadamente quatro horas de exploração direta da planície abissal antes do início do retorno à superfície.

A pressão nessa profundidade é centenas de vezes superior à encontrada ao nível do mar, exigindo câmeras, cabos, braços mecânicos e estruturas projetadas para suportar condições extremas. Mesmo nesse ambiente escuro e frio, os equipamentos conseguem localizar objetos relativamente pequenos, aproximar-se do solo e recolher amostras sem destruir completamente as camadas minerais formadas sobre elas.

Megalodonte deixou poucos restos corporais

Assim como os tubarões modernos, o megalodonte possuía um esqueleto composto majoritariamente por cartilagem. Esse material oferece vantagens para a movimentação de um animal marinho, mas apresenta pouca resistência aos processos de decomposição e fossilização, deixando poucos restos corporais disponíveis para estudos realizados milhões de anos depois.

Os dentes seguem um caminho diferente porque são formados por tecidos duros e resistentes. Cada tubarão substitui dentes repetidamente ao longo da vida, fazendo com que inúmeros exemplares sejam perdidos no oceano e se acumulem em diferentes regiões. Parte desse material acaba enterrada em sedimentos e, sob condições favoráveis, transforma-se em fóssil.

Minerais cobriram os dentes lentamente

Depois de alcançarem o fundo do oceano, os dentes começaram a absorver minerais presentes na água e nos sedimentos. Ao longo de milhares ou milhões de anos, ferro, manganês e elementos de terras raras foram depositados gradualmente sobre as superfícies fossilizadas, formando camadas escuras e incrustações metálicas visíveis nos exemplares recolhidos.

Esse revestimento não surgiu de uma única vez. O crescimento mineral ocorre de forma extremamente lenta no ambiente abissal, acompanhando mudanças na composição química da água, na circulação das correntes e na chegada de partículas ao fundo. Por isso, cada camada pode preservar informações de diferentes momentos da história oceânica.

Terras raras podem guardar pistas

Imagem: NOAA Ocean Exploration.

Entre os elementos absorvidos pelos dentes está o neodímio, integrante do grupo conhecido como terras raras. A concentração e a composição isotópica desse material podem variar conforme a origem das massas de água, permitindo que pesquisadores comparem amostras e reconstruam movimentos antigos ocorridos dentro dos oceanos.

Os dentes de megalodonte podem funcionar como arquivos químicos naturais, porque permaneceram expostos durante longos períodos em contato com a água e os sedimentos. Ao analisar os elementos incorporados aos fósseis, os cientistas podem obter indícios sobre onde determinadas correntes se formavam, por quais regiões circulavam e como o sistema oceânico mudou ao longo do tempo.

Ferro e manganês formaram incrustações

O ferro e o manganês encontrados sobre os dentes também aparecem em nódulos polimetálicos espalhados pela planície abissal. Essas formações crescem ao redor de pequenos fragmentos, conchas, rochas ou restos biológicos, acumulando minerais retirados diretamente da água ou liberados pelos sedimentos depositados no fundo marinho.

No caso dos fósseis, o próprio dente pode servir como núcleo para esse crescimento. A superfície deixada pelo antigo tubarão transforma-se em suporte para novas camadas minerais, unindo um vestígio biológico de milhões de anos a processos geológicos que continuaram acontecendo muito depois da extinção do animal.

Nódulos guardam mais que metais

O interesse econômico pelos nódulos polimetálicos está relacionado à presença de materiais utilizados em diferentes tecnologias, mas a expedição mostrou que essas estruturas também podem envolver fósseis e registros ambientais. Remover uma formação sem análise detalhada poderia significar perder informações sobre a história da vida e dos oceanos.

A presença de dentes de megalodonte reforça a necessidade de estudar o contexto completo em que esses objetos aparecem. O valor científico não está somente no fóssil isolado, mas também na posição em que foi encontrado, nas camadas acumuladas sobre ele e na relação com outros materiais distribuídos pela planície abissal.

Correntes antigas podem ser reconstruídas

A circulação oceânica transporta calor, nutrientes, oxigênio e elementos químicos por grandes distâncias. Mudanças nessas correntes podem alterar o clima, a produtividade dos mares e a distribuição dos organismos, tornando sua reconstrução importante para compreender como o planeta funcionava em períodos anteriores.

Os elementos preservados nos dentes podem complementar outros registros, como sedimentos, conchas e formações minerais. Quanto maior o número de amostras analisadas em diferentes profundidades e regiões, mais detalhado pode se tornar o mapa das antigas correntes, permitindo identificar mudanças graduais ou transformações associadas a eventos climáticos e geológicos.

Achado ocorreu durante transmissão ao vivo

Um dos dentes foi localizado durante o nono mergulho da expedição de 2026, enquanto a equipe interagia ao vivo com o primeiro-ministro das Ilhas Cook, Mark Brown. O objeto foi identificado pelas câmeras do veículo remoto e recolhido com o auxílio dos braços mecânicos instalados no equipamento submarino.

A transmissão permitiu que o público acompanhasse o processo de exploração quase no mesmo momento em que a equipe observava o fundo do mar. Esse tipo de divulgação aproxima a pesquisa de ambientes normalmente invisíveis, mostrando como decisões de coleta são tomadas e como pequenos objetos podem ganhar importância científica durante uma missão de grande escala.

Extinção ocorreu há mais de três milhões de anos

O megalodonte desapareceu há mais de três milhões de anos, intervalo suficiente para que seus dentes afundassem, fossem soterrados e recebessem sucessivas camadas minerais. A fonte fornecida não estabelece a idade exata de cada exemplar recuperado, portanto não é possível determinar apenas pela descoberta quando aqueles dentes específicos foram perdidos pelo animal.

Mesmo assim, o contexto confirma que os fósseis permaneceram no ambiente marinho por um período extremamente longo. A combinação entre tamanho, forma e localização ajuda os pesquisadores a avaliar sua origem, enquanto análises laboratoriais poderão detalhar composição química, estado de preservação e possíveis relações com outros exemplares conhecidos.

Descoberta amplia estudo do oceano profundo

A planície abissal costuma ser percebida como um ambiente vazio, mas as imagens da expedição mostram uma região formada por minerais, sedimentos, fósseis e organismos adaptados à ausência de luz. Cada mergulho acrescenta informações sobre um espaço que ocupa grande parte do fundo oceânico e ainda permanece pouco observado diretamente.

Os dentes encontrados demonstram como diferentes campos científicos podem se cruzar em uma mesma amostra. Paleontologia, oceanografia, química e geologia estão reunidas no mesmo fóssil, permitindo que o vestígio de um animal extinto ajude a investigar não apenas sua existência, mas também a circulação das águas em um passado remoto.

Megalodonte permanece no fundo do Pacífico

A expedição da NOAA trouxe novos exemplares à superfície, mas outros dentes de megalodonte provavelmente continuam espalhados pelo fundo do Pacífico Sul, cobertos lentamente por minerais e sedimentos. As futuras etapas da missão poderão localizar novas amostras, embora o cronograma dependa de condições meteorológicas, funcionamento dos equipamentos e segurança operacional.

Os fósseis com mais de sete centímetros não revelam apenas a presença de um antigo predador. Eles podem preservar pistas químicas sobre a movimentação dos oceanos durante milhões de anos. Na sua opinião, áreas abissais com registros científicos tão raros deveriam receber proteção especial antes de qualquer exploração mineral? Deixe seu comentário.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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