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Fábrica de chocolate erguida sobre um rio em 1872 deixou o esqueleto de ferro à mostra, ganhou ponte recordista de 44,5 metros e empregava 1.500 pessoas

Fábrica de chocolate erguida sobre um rio em 1872 deixou o esqueleto de ferro à mostra, ganhou ponte recordista de 44,5 metros e empregava 1.500 pessoas

4 min de leitura

Fábrica de chocolate erguida sobre um rio em 1872 deixou o esqueleto de ferro à mostra, ganhou ponte recordista de 44,5 metros e empregava 1.500 pessoas

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 03/08/2026 às 17:29

Atualizado em 03/08/2026 às 17:30

Indústria

Em 1872, uma fábrica de chocolate foi erguida sobre o rio Marne, em Noisiel, na França.

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A antiga fábrica Menier transformou a força do rio Marne em produção industrial, inovou na arquitetura com ferro aparente e tijolos coloridos, construiu uma ponte de concreto com 44,5 metros de vão e chegou a 1.500 trabalhadores em 1899, tornando o complexo de Noisiel um marco da indústria francesa.

Em 1872, uma fábrica de chocolate foi erguida sobre o rio Marne, em Noisiel, na França. Quatro pilares de pedra assentados no leito do rio sustentavam o edifício, criando a impressão de que a construção surgia diretamente das águas.

A fábrica Menier não escondeu sua estrutura atrás das paredes. O esqueleto de ferro permaneceu visível na fachada, enquanto tijolos coloridos preenchiam os espaços e formavam desenhos ligados ao cacau.

As informações foram divulgadas pelo Centro do Patrimônio Mundial da UNESCO, plataforma institucional dedicada ao patrimônio cultural mundial. O antigo moinho cresceu até se tornar um complexo com ponte, ferrovia própria, eletricidade e 1.500 trabalhadores em 1899.

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O antigo moinho aproveitava a força do rio Marne

A trajetória da Menier começou no início do século XIX e esteve inicialmente ligada à produção farmacêutica. Mais tarde, o chocolate ganhou espaço e passou a ocupar o centro de uma operação industrial cada vez maior.

O antigo moinho aproveitava a força do rio Marne

Antes da construção do grande edifício, a produção funcionava junto a um moinho movido pelo Marne. A corrente do rio fornecia força hidráulica, ou seja, o movimento da água ajudava a acionar os equipamentos.

Entre 1869 e 1872, Émile Menier, filho de Jean Menier, mandou erguer o edifício criado por Jules Saulnier, responsável pelo projeto. A construção manteve a ligação com o rio e ampliou a capacidade da fábrica.

O esqueleto de ferro ficou exposto na arquitetura industrial

A estrutura metálica não foi coberta para imitar uma construção tradicional. Pilares ocos de formato quadrado e reforços diagonais de ferro permaneceram aparentes do lado externo.

Esse conjunto formava a ossatura do edifício, uma espécie de esqueleto responsável por sustentar grande parte da construção. Os tijolos foram colocados nos espaços entre as peças metálicas para completar as paredes.

A escolha transformou a própria estrutura em parte da aparência da fábrica. Em vez de esconder como o prédio se mantinha em pé, a fachada mostrava com clareza o papel do ferro na sustentação do edifício.

Tijolos coloridos levaram o cacau para a fachada

O Centro do Patrimônio Mundial da UNESCO, plataforma institucional dedicada ao patrimônio cultural mundial, detalhou que tijolos ocos preenchiam os espaços da estrutura metálica.

Parte desses tijolos recebeu acabamento brilhante e cores diferentes. Eles foram organizados em desenhos semelhantes a grades e decorados com flores de cacaueiro, relacionando a fachada ao produto fabricado no local.

A combinação entre ferro exposto e tijolos decorados representou uma inovação técnica para aquele período. A solução despertou interesse e apareceu em publicações dentro e fora da França.

O complexo ganhou prédio de resfriamento, catedral e ponte recordista

O crescimento da produção exigiu novas construções. Um dos edifícios foi equipado para resfriar o chocolate, uma etapa necessária dentro da operação da fábrica.

O complexo ganhou prédio de resfriamento, catedral e ponte recordista

Outro prédio foi erguido em uma ilha, com formato quadrangular, pilares metálicos, paredes de tijolos coloridos e grandes áreas de vidro. Por causa de sua aparência marcante, a construção passou a ser chamada de catedral.

Uma ponte foi instalada para ligar esse edifício à outra margem do Marne. Construída em concreto, ela alcançou um vão recordista de 44,5 metros, distância livre existente entre os principais apoios da estrutura.

Eletricidade e ferrovia própria acompanharam os 1.500 trabalhadores

A eletricidade chegou ao complexo em 1875, poucos anos depois da conclusão do edifício sobre o rio. A nova fonte de energia passou a complementar o aproveitamento da força hidráulica.

A fábrica também recebeu uma linha ferroviária especial entre Emerainville e Noisiel. A ligação integrou a ferrovia a uma estrutura industrial que já reunia diferentes prédios, pontes e áreas de produção.

Eletricidade e ferrovia própria acompanharam os 1.500 trabalhadores

Em 1899, a fábrica de chocolate empregava 1.500 pessoas. A unidade hidráulica de Noisiel havia alcançado grande importância na indústria francesa e já estava muito distante do pequeno moinho que existia no começo da operação.

A fábrica está na lista indicativa francesa, mas não possui o título definitivo

O complexo foi incluído na lista indicativa francesa em 1º de fevereiro de 2002, dentro da categoria cultural. Essa relação reúne locais que um país considera possíveis candidatos a uma futura inscrição internacional.

Estar nessa lista não significa possuir o título de Patrimônio Mundial. A antiga fábrica Menier permanece na relação preliminar e não integra a lista definitiva de bens reconhecidos mundialmente.

A construção preserva diferentes fases do crescimento industrial em Noisiel. O moinho, o edifício sobre o rio, a estrutura metálica, os tijolos decorados, a ferrovia e a ponte mostram como a produção se expandiu ao longo de quatro gerações.

Qual escolha de engenharia foi mais ousada: erguer a fábrica sobre o rio, expor o ferro ou construir a ponte recordista? Deixe sua opinião.

Fonte

UNESCO


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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