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Família brasileira abandona tudo e cruza a fronteira com apenas R$ 10 mil após acreditar na promessa de uma vida mais barata no Paraguai, mas o plano desmorona e transforma o recomeço em uma sequência de dificuldades longe de casa

Família brasileira abandona tudo e cruza a fronteira com apenas R$ 10 mil após acreditar na promessa de uma vida mais barata no Paraguai, mas o plano desmorona e transforma o recomeço em uma sequência de dificuldades longe de casa

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Família brasileira abandona tudo e cruza a fronteira com apenas R$ 10 mil após acreditar na promessa de uma vida mais barata no Paraguai, mas o plano desmorona e transforma o recomeço em uma sequência de dificuldades longe de casa

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 19/08/2026 às 20:19

Atualizado em 19/08/2026 às 20:25

Economia

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Família brasileira abandona tudo e cruza a fronteira com apenas R$ 10 mil após acreditar na promessa de uma vida mais barata no Paraguai, mas o plano desmorona e transforma o recomeço em uma sequência de dificuldades longe de casa

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Família levou R$ 10 mil ao Paraguai atraída pelo custo baixo, mas caso expõe diferença entre impostos menores, salários locais, emprego informal e custo real de mudança.

Um relato que viralizou nas redes sociais em agosto de 2026 colocou em evidência um contraste importante da economia paraguaia. Um brasileiro afirma ter se mudado com a família levando cerca de R$ 10 mil, motivado pela expectativa de encontrar um custo de vida mais favorável, mas diz que a reserva financeira terminou rapidamente. Publicações que reproduziram o vídeo relatam que ele passou então a buscar ajuda para retornar ao Brasil.

No video ele relata:Pessoas do meu Brasil, se você tem o sonho de vir pro Paraguai, não venha. Não venha. Eu tô morando aqui no Paraguai há 40 dias. Eu vim com R$ 10.000. Meu dinheiro já acabou, gente. Eu vim, como todo brasileiro, com sonho de, assim como nos Estados Unidos, você conquistar uma casa, você conquistar um carro, você conquistar uma vida melhor. E não foi assim que aconteceu para mim. Sabe por quê? Porque pobre. Pessoas da direita que não tem dinheiro e vem para cá, não dá. É a mesma coisa do Brasil. Isso aqui é só para rico, gente.”

Paraguai realmente tem números econômicos que atraem brasileiros

A imagem de uma economia favorável não nasceu do nada. O Banco Central do Paraguai projetou crescimento de 4,2% para o PIB em 2026, depois de estimar expansão de 6% em 2025. Serviços, indústria, construção e demanda doméstica aparecem entre os motores dessa expansão.

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Abaixo o relato do homem no instagram:

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A inflação também permanece controlada. Em julho de 2026, o índice de preços caiu 0,1% no mês, enquanto a inflação acumulada no ano ficou em 1,8% e a taxa em 12 meses em apenas 1,6%.

É um cenário macroeconômico que ajuda a explicar por que vídeos sobre “morar barato no Paraguai” ganham alcance. O problema começa quando indicadores nacionais são tratados como garantia de prosperidade individual.

Impostos baixos são reais, mas não significam automaticamente vida barata

O sistema tributário também alimenta a fama do país. A Dirección Nacional de Ingresos Tributarios informa que o IVA paraguaio trabalha com alíquotas de 5% e 10%, dependendo do produto ou serviço. Já a alíquota geral do Imposto de Renda Empresarial é de 10% sobre a renda líquida.

Essas condições podem ser especialmente atraentes para empresas, investidores e profissionais que chegam ao Paraguai mantendo renda externa.

Para uma família que depende de encontrar emprego depois da mudança, porém, a equação é diferente. O que importa não é apenas quanto o Estado cobra, mas quanto entra mensalmente no orçamento e quanto custa instalar uma nova residência.

Salário mínimo paraguaio chegou a G. 3,044 milhões em 2026

Desde 1º de julho de 2026, o salário mínimo para atividades gerais no Paraguai está fixado em 3.044.000 guaranis mensais, após reajuste de 5%. O valor diário para trabalhadores remunerados por jornada passou a G. 117.077.

Esse dado ajuda a colocar o caso dos R$ 10 mil em perspectiva. Uma reserva inicial pode financiar mudança, moradia, alimentação, transporte e documentação durante algum tempo, mas ela não substitui uma fonte recorrente de renda.

A situação muda completamente quando o migrante recebe em reais ou dólares, trabalha remotamente ou chega ao país com emprego e renda previamente definidos.

Desemprego é relativamente baixo, mas isso conta apenas parte da história

O mercado de trabalho paraguaio também apresenta números positivos à primeira vista. No primeiro trimestre de 2026, havia aproximadamente 3,2 milhões de pessoas ocupadas, e a taxa de ocupação chegou a 68,6% da população com 15 anos ou mais considerada pela pesquisa.

A taxa de desemprego ficou em 5,3%, com aproximadamente 178 mil pessoas procurando trabalho.

Mas conseguir alguma ocupação não significa necessariamente acessar um emprego formal com estabilidade e proteção previdenciária.

Informalidade de 60,1% muda a conta para quem chega procurando emprego

Esse é um dos números mais importantes para compreender a economia real do país. Segundo o Instituto Nacional de Estadística, 60,1% dos trabalhadores não agropecuários paraguaios estavam na informalidade em 2025, o equivalente a aproximadamente 1,66 milhão de pessoas.

Entre trabalhadores que recebiam menos de um salário mínimo, a informalidade chegava a 79,8%. No comércio, restaurantes e hotéis, alcançava 63,9%, enquanto na construção chegava a 81,7%.

Isso ajuda a entender por que crescimento econômico e desemprego relativamente baixo não significam que todo recém-chegado encontrará imediatamente emprego formal com renda suficiente.

R$ 10 mil podem parecer muito antes da mudança e pouco depois dela

O principal ensinamento econômico do relato viral não é que o Paraguai seja caro. Também não é que as vantagens tributárias do país sejam falsas.

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O problema está em confundir vantagem macroeconômica com orçamento doméstico.

Uma mudança internacional concentra despesas logo no início: transporte, instalação, aluguel, eventuais garantias, regularização, alimentação e um período até que uma nova renda seja estabelecida. Sem salário previamente garantido, cada mês transforma a reserva acumulada em capital de sobrevivência.

Assim, os mesmos R$ 10 mil podem produzir resultados radicalmente diferentes para quem chega empregado, para quem recebe renda do Brasil e para quem atravessa a fronteira dependendo de conseguir trabalho depois.

Caso viral expõe o lado menos comentado do “Paraguai barato”

O Paraguai de 2026 apresenta fundamentos capazes de atrair brasileiros: inflação de apenas 1,6% em 12 meses até julho, crescimento projetado de 4,2%, tributação relativamente baixa e expansão do emprego.

Ao mesmo tempo, possui salário mínimo de G. 3,044 milhões e informalidade laboral superior a 60%.

Mudar para uma economia de impostos menores não cria automaticamente renda maior. Para quem depende do mercado de trabalho local, emprego, salário, reserva financeira e custo de instalação pesam tanto quanto IVA, inflação ou crescimento do PIB.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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