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Família planta 11 mil árvores ao redor de nascentes em São Paulo e, dez anos depois, vê água ganhar força, mata crescer e animais voltarem à propriedade que havia perdido parte de sua vitalidade

Família planta 11 mil árvores ao redor de nascentes em São Paulo e, dez anos depois, vê água ganhar força, mata crescer e animais voltarem à propriedade que havia perdido parte de sua vitalidade

4 min de leitura

Família planta 11 mil árvores ao redor de nascentes em São Paulo e, dez anos depois, vê água ganhar força, mata crescer e animais voltarem à propriedade que havia perdido parte de sua vitalidade

Escrito por Noel Budeguer

Publicado em 17/08/2026 às 16:27

Atualizado em 17/08/2026 às 16:28

Curiosidades

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Uma propriedade rural em Jundiaí, no interior de São Paulo, tornou-se símbolo de uma transformação construída lentamente: depois do plantio de cerca de 11 mil mudas nativas ao redor das nascentes, a família Fumache relata aumento da presença de água, fortalecimento das áreas recuperadas e retorno de animais após uma década de restauração ambiental.

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Uma propriedade rural em Jundiaí, no interior de São Paulo, tornou-se símbolo de uma transformação construída lentamente: depois do plantio de cerca de 11 mil mudas nativas ao redor das nascentes, a família Fumache relata aumento da presença de água, fortalecimento das áreas recuperadas e retorno de animais após uma década de restauração ambiental.

Em uma propriedade rural na região da Roseira, em Jundiaí, no interior de São Paulo, o cenário observado hoje é muito diferente daquele que preocupava a família Fumache anos atrás. Áreas antes mais secas passaram a ser ocupadas por vegetação nativa, árvores cresceram ao redor das nascentes e animais voltaram a aparecer onde a degradação havia deixado marcas visíveis.

A mudança não aconteceu rapidamente. Foram necessários dez anos de recuperação ambiental e aproximadamente 11 mil mudas nativas plantadas dentro da propriedade para que os moradores começassem a perceber uma transformação mais evidente na paisagem e, principalmente, na água.

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Nascente perdia força antes do projeto começar

Roberto Fumache acompanha aquela terra há décadas. Em relatos publicados durante o desenvolvimento do projeto, ele lembrou que sua avó chegou a conhecer a nascente com um volume de água muito maior. Com o passar dos anos e a degradação das áreas próximas, porém, o curso d’água foi perdendo força.

A preocupação ganhou ainda mais peso depois da crise hídrica de 2014 e 2015, período que colocou a segurança do abastecimento de água no centro das discussões em São Paulo. Em Jundiaí, estudos já haviam identificado mais de 1,4 mil nascentes, aumentando a pressão por ações capazes de proteger áreas estratégicas para os mananciais.

Foi nesse contexto que a propriedade da família acabou escolhida para marcar o início de uma iniciativa que ganharia dimensão municipal.

Em 2016, propriedade virou ponto zero da recuperação

Roberto Fumache e Renê Fumache na propriedade da família, em Jundiaí (SP), onde cerca de 11 mil mudas nativas foram plantadas ao redor das nascentes ao longo de dez anos de recuperação ambiental. Fonte: Prefeitura de Jundiaí.

No dia 22 de março de 2016, Dia Mundial da Água, a área dos Fumache recebeu o lançamento do Programa Nascentes Jundiaí. Vinte crianças de uma escola municipal participaram do primeiro plantio nas margens da nascente, incluindo mudas de espécies nativas como o pau-viola.

A propriedade estava entre as primeiras áreas rurais selecionadas para restauração. A estratégia era recuperar principalmente Áreas de Preservação Permanente, proteger cursos d’água e reconstruir gradualmente a cobertura vegetal em pontos considerados importantes para a segurança hídrica do município.

A família aderiu ao processo e continuou acompanhando a transformação. Anos depois, a propriedade também passou a integrar políticas de Pagamento por Serviços Ambientais, criadas para remunerar produtores que preservam florestas, nascentes e áreas em recuperação.

Onze mil mudas mudaram a paisagem ao longo de dez anos

Área rural ligada ao Programa Nascentes Jundiaí, com vegetação recuperada e paisagem preservada após anos de ações voltadas à proteção de nascentes, solo e cobertura vegetal no município. Fonte: Prefeitura de Jundiaí.

Não houve uma virada repentina. As mudas precisaram crescer, formar cobertura vegetal, proteger o solo e criar novamente condições para que aquela área funcionasse como um ambiente natural mais equilibrado.

Em 2019, Roberto já dizia que o resultado exigiria paciência. Naquele momento, a recuperação ainda estava em andamento e a memória de uma nascente muito mais volumosa continuava servindo como referência para a família.

Sete anos depois, o cenário relatado pelos proprietários mudou. Em maio de 2026, Renê Vander Fumache afirmou que a família percebe mais água e maior força nas nascentes. Roberto também relatou o retorno de aves e outros animais a pontos da propriedade onde antes predominava uma condição mais seca.

Não há, contudo, uma série pública de medições de vazão que permita determinar em números quanto a água aumentou. O crescimento observado é um relato dos moradores, enquanto a recuperação da vegetação e os milhares de plantios são documentados pelo município.

Projeto já recuperou área equivalente a 59 campos de futebol

O caso dos Fumache se tornou parte de uma iniciativa maior. Ao completar dez anos, em 2026, o Programa Nascentes Jundiaí contabilizava aproximadamente 42 hectares restaurados e 52 mil mudas nativas plantadas, área que a prefeitura compara a 59 campos de futebol.

Isso significa que as cerca de 11 mil árvores plantadas na propriedade da família representam mais de um quinto das mudas registradas em todo o programa durante o período.

A localização também aumenta o peso dessa restauração. O rio Jundiaí-Mirim responde por aproximadamente 95% da água utilizada no abastecimento de Jundiaí, tornando a proteção das nascentes e da vegetação da bacia uma questão que ultrapassa os limites de cada propriedade rural.

Depois de uma década, o que começou com pequenas mudas ao redor de uma nascente em São Paulo transformou-se em mata mais fechada, presença renovada de animais e uma percepção de que a água voltou a ganhar espaço naquele terreno. Quantas nascentes poderiam apresentar uma mudança semelhante se áreas degradadas recebessem o mesmo tempo e continuidade de recuperação?

Fontes

Prefeitura de Jundiaí

The Nature Conservancy


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

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