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Faxineira entrega documentos ao ex-patrão acreditando que teria carteira assinada e, sete anos depois, enfrenta restaurantes em seu nome, contas bloqueadas e dívida acima de R$ 2 milhões

Faxineira entrega documentos ao ex-patrão acreditando que teria carteira assinada e, sete anos depois, enfrenta restaurantes em seu nome, contas bloqueadas e dívida acima de R$ 2 milhões

5 min de leitura

Faxineira entrega documentos ao ex-patrão acreditando que teria carteira assinada e, sete anos depois, enfrenta restaurantes em seu nome, contas bloqueadas e dívida acima de R$ 2 milhões

Escrito por Noel Budeguer

Publicado em 26/08/2026 às 18:12

Atualizado em 26/08/2026 às 18:13

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Jeniffer da Silva afirma que entregou documentos pessoais e assinou papéis confiando na promessa de formalização do emprego. Cerca de 15 dias depois, soube que seus dados teriam sido usados para abrir empresas sem autorização. Anos depois, as consequências incluem dívida milionária, bloqueio de contas e bens penhorados.

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Jeniffer da Silva afirma que entregou documentos pessoais e assinou papéis confiando na promessa de formalização do emprego. Cerca de 15 dias depois, soube que seus dados teriam sido usados para abrir empresas sem autorização. Anos depois, as consequências incluem dívida milionária, bloqueio de contas e bens penhorados.

Uma promessa de carteira assinada teria sido o início de um problema que acompanha há aproximadamente sete anos a faxineira Jeniffer da Silva, atualmente desempregada e mãe de quatro filhos. Segundo relato apresentado pelo Balanço Geral RJ, da Record, ela entregou seus documentos pessoais ao então patrão e assinou papéis acreditando que o procedimento serviria para formalizar seu vínculo de trabalho.

O que Jeniffer afirma ter descoberto pouco tempo depois era muito diferente. De acordo com a reportagem, cerca de 15 dias após entregar os documentos, ela recebeu a informação de que o antigo patrão já não morava na mesma residência e que seus dados teriam sido utilizados para abrir empresas. Entre os negócios vinculados ao nome da trabalhadora estariam restaurantes japoneses que ela diz nunca ter autorizado.

Documentos entregues para registro do emprego teriam sido usados para abrir empresas

Jeniffer da Silva relata ao Balanço Geral RJ que entregou documentos ao ex-patrão acreditando que teria a carteira assinada e acabou enfrentando empresas vinculadas ao seu nome e uma dívida superior a R$ 2 milhões. — Foto: Reprodução/Record TV

A história começou quando, segundo Jeniffer, o patrão informou que assinaria sua carteira de trabalho. A faxineira então forneceu a documentação solicitada e também assinou papéis apresentados por ele, acreditando que as assinaturas faziam parte do procedimento necessário para regularizar sua contratação.

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A Record relata que aproximadamente duas semanas depois ela descobriu a possível utilização dos documentos para outros fins. Por isso, embora o problema já dure cerca de sete anos, não seria correto afirmar que Jeniffer levou todo esse período para descobrir a existência das empresas: segundo o relato divulgado, os primeiros sinais apareceram apenas cerca de 15 dias depois da entrega da documentação.

O caso ganhou uma dimensão ainda maior porque os estabelecimentos teriam sido registrados sem que ela reconhecesse a abertura ou administração dos negócios. A reportagem não informa quantas empresas foram criadas, quais eram os nomes dos restaurantes, os respectivos CNPJs ou por quanto tempo permaneceram em atividade.

Dívida ultrapassou R$ 2 milhões e contas foram bloqueadas

As consequências financeiras relatadas por Jeniffer são expressivas. Segundo o Balanço Geral RJ, as dívidas atribuídas a ela ultrapassam R$ 2 milhões, enquanto suas contas acabaram bloqueadas e bens foram atingidos por penhoras, colocando a trabalhadora diante de obrigações que afirma não ter contraído.

A publicação não apresenta um detalhamento do montante, portanto não é possível determinar, a partir das informações disponíveis, quanto corresponde a tributos, dívidas bancárias, obrigações trabalhistas, fornecedores ou outros débitos empresariais. Também não foram divulgados os processos responsáveis pelos bloqueios e pelas penhoras mencionadas na reportagem.

Jeniffer afirma continuar tentando demonstrar que não participou voluntariamente da abertura e da gestão dos negócios. A Record informa ainda que a situação financeira passou a provocar crises emocionais na faxineira, que atualmente está desempregada e precisa lidar com as consequências do caso enquanto busca uma solução.

Investigação foi suspensa por falta de provas

Jeniffer da Silva aparece ao lado da advogada Cindy Caldas Lima Silva, segurando documentos com informações sobre os restaurantes que, segundo sua defesa, teriam sido abertos em seu nome em shoppings. — Foto: Reprodução/Record TV

Outro ponto importante apresentado pela Record é que uma investigação relacionada ao caso teria sido suspensa por falta de provas. A reportagem, porém, não esclarece qual órgão conduzia essa apuração, quando ela foi iniciada ou quais elementos seriam necessários para que o procedimento tivesse continuidade.

Também não foi divulgada, na publicação consultada, uma versão do ex-patrão citado por Jeniffer. Dessa forma, as acusações de utilização indevida dos documentos e de abertura das empresas devem ser tratadas como alegações feitas pela trabalhadora, e não como uma responsabilidade criminal já estabelecida definitivamente pela Justiça.

A ausência de mais informações oficiais torna impossível determinar, por enquanto, como exatamente as empresas foram registradas ou quais documentos assinados por Jeniffer teriam sido utilizados. O que está documentado pela reportagem é que ela atribui ao episódio iniciado há cerca de sete anos a dívida superior a R$ 2 milhões e os problemas patrimoniais enfrentados atualmente.

Receita permite bloquear CPF para entrada em novos CNPJs

Casos envolvendo uso indevido de dados também chamam atenção para ferramentas que podem ajudar cidadãos a acompanhar a utilização do próprio CPF. A Receita Federal mantém um serviço gratuito que permite impedir que um CPF seja incluído em novos CNPJs, abrangendo funções como titular, sócio, representante e administrador.

A proteção vale para registros feitos em Juntas Comerciais, cartórios, OAB e também alcança modalidades como MEI. No entanto, a própria Receita esclarece que o impedimento funciona apenas para novas inclusões feitas depois da ativação da proteção, sem retirar automaticamente o cidadão de empresas das quais já conste como participante.

O serviço oficial permite ainda consultar empresas das quais determinado CPF participa. Essa possibilidade é especialmente relevante para detectar vínculos empresariais desconhecidos antes que eventuais obrigações associadas a uma empresa cresçam durante anos.

No caso de Jeniffer, entretanto, a reportagem da Record não informa se algum desses mecanismos chegou a ser utilizado posteriormente. Sete anos após a entrega dos documentos ao antigo patrão, a faxineira afirma continuar tentando reverter uma situação que começou com a expectativa de finalmente ter o emprego formalizado e acabou associando seu nome a empresas, bloqueios patrimoniais e uma dívida milionária.

Fontes

Record

Receita Federal


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

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