Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Fazendeiro britânico transformou mais de 120 hectares usados pela pecuária em área de recuperação da natureza, cavou mais de 60 lagoas, plantou 10 mil árvores e trouxe castores e espécies desaparecidas de volta às terras

Fazendeiro britânico transformou mais de 120 hectares usados pela pecuária em área de recuperação da natureza, cavou mais de 60 lagoas, plantou 10 mil árvores e trouxe castores e espécies desaparecidas de volta às terras

6 min de leitura

Fazendeiro britânico transformou mais de 120 hectares usados pela pecuária em área de recuperação da natureza, cavou mais de 60 lagoas, plantou 10 mil árvores e trouxe castores e espécies desaparecidas de volta às terras

Escrito por Caio Aviz

Publicado em 19/08/2026 às 22:53

Atualizado em 19/08/2026 às 22:54

Sustentabilidade

Canal

Imagem ilustrativa representa a transformação promovida por Derek Gow no oeste da Inglaterra, onde antigas pastagens deram lugar a lagoas, áreas úmidas, milhares de árvores e novos habitats para a fauna.

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Derek Gow decidiu devolver antigas pastagens à natureza e transformou mais de 300 acres em uma paisagem com lagoas, árvores, áreas úmidas, castores, ratos-d’água, pôneis, búfalos e outras espécies

Durante anos, Derek Gow trabalhou em uma propriedade rural tradicional no oeste da Inglaterra, onde a terra era utilizada para a criação de bovinos e ovinos.

Com o tempo, porém, o fazendeiro, conservacionista e escritor decidiu seguir um caminho diferente.

Em vez de manter toda a área destinada à pecuária convencional, Gow começou a transformar antigas pastagens em um grande projeto de rewilding, estratégia que busca recuperar processos naturais e permitir que a biodiversidade volte a ocupar áreas modificadas pela atividade humana.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

Hoje, sua equipe trabalha para devolver à natureza mais de 300 acres de antigas terras de criação de animais, equivalentes a aproximadamente 121 hectares.

E a transformação não ficou apenas na retirada do gado.

Ao longo do processo, foram escavadas mais de 60 lagoas e áreas alagadas, plantadas cerca de 10 mil árvores e espalhado feno verde sobre aproximadamente 200 acres.

Antiga fazenda começou a voltar para a natureza

A mudança representa praticamente uma inversão na maneira como parte da propriedade era utilizada.

Onde antes predominavam terras destinadas à criação de bovinos e ovinos, a proposta passou a ser recriar uma paisagem capaz de sustentar diferentes espécies e recuperar processos ecológicos.

Segundo a Derek Gow Consultancy, o trabalho de rewilding já alcança mais de 300 acres.

Isso corresponde a aproximadamente 121 hectares de antigas terras pecuárias em processo de recuperação ambiental.

O objetivo não é construir um parque completamente controlado.

A estratégia procura criar condições para que água, vegetação, grandes herbívoros e animais silvestres voltem a modificar a paisagem de maneira mais natural.

Derek Gow, conservacionista britânico conhecido por projetos de rewilding e recuperação de espécies, em cenário ilustrativo de área úmida semelhante aos ambientes restaurados em suas terras no oeste da Inglaterra.

Mais de 60 lagoas foram abertas nas antigas pastagens

Um dos números mais expressivos da transformação está na água.

A equipe escavou mais de 60 lagoas, depressões e áreas úmidas dentro da propriedade.

Esses ambientes mudam profundamente as condições de uma antiga pastagem.

Áreas alagadas podem criar habitats para anfíbios, insetos, aves e pequenos mamíferos, além de aumentar a diversidade de ambientes disponíveis dentro da mesma propriedade.

O projeto também criou bancos de subsolo voltados para o sul e instalou grandes pilhas de madeira e pedras.

Na prática, elementos que poderiam parecer desorganização em uma fazenda convencional passam a ter função dentro da recuperação da biodiversidade.

Cerca de 10 mil árvores foram plantadas

A água foi apenas uma parte da transformação.

A Derek Gow Consultancy informa que aproximadamente 10 mil árvores foram plantadas durante o processo de recuperação.

Além disso, cerca de 200 acres receberam aplicação de feno verde.

A técnica ajuda a transportar sementes de plantas presentes em áreas de maior diversidade para terrenos onde a vegetação precisa ser recuperada.

Com árvores, áreas úmidas, madeira morta, pedras e diferentes tipos de vegetação, uma paisagem anteriormente simplificada pela atividade pecuária começa a ganhar maior variedade estrutural.

E é justamente essa diversidade que abre espaço para o retorno de diferentes animais.

Recomendado para você

Meio Ambiente

Leonardo DiCaprio compra ilha de 42 hectares em Belize após área sofrer erosão e desmatamento e lança projeto para recuperar vegetação, proteger a costa e ampliar a biodiversidade ao redor da propriedade

Ator adquiriu Blackadore Caye por cerca de US$ 1,75 milhão e colocou recuperação ambiental no centro de um empreendimento que prevê vegetação nativa, conservação de habitats e energia renovável

Fora das…

Caio Aviz

8

Castores voltaram para modificar a paisagem

Entre os moradores mais emblemáticos da área estão os castores-europeus.

Os animais foram reintroduzidos no projeto e desempenham um papel especialmente importante porque conseguem alterar o próprio ambiente onde vivem.

Ao construir barragens e modificar cursos d’água, castores podem formar novas áreas úmidas e transformar a dinâmica da paisagem.

Na propriedade de Gow, eles dividem espaço com gansos-cinzentos, ratos-d’água, camundongos-das-colheitas, rãs-de-piscina-do-norte e vaga-lumes, espécies citadas pela própria organização como integrantes da paisagem em recuperação.

A propriedade, portanto, deixou de ser apenas uma área onde árvores foram plantadas.

Ela passou a funcionar como um ambiente onde diferentes espécies participam diretamente da transformação do território.

Pôneis, búfalos, bovinos e porcos também fazem parte do projeto

Curiosamente, devolver terras à natureza não significou retirar todos os grandes animais da propriedade.

O projeto utiliza pôneis Exmoor, búfalos-d’água, bovinos Galloway e porcos do tipo Iron Age para pastoreio e modificação da vegetação.

A diferença está na função desses animais.

Em vez de uma criação convencional concentrada na produção pecuária, eles são utilizados para ajudar a moldar o terreno.

Ao pastar, pisotear, remexer o solo e consumir diferentes plantas, esses animais criam alterações na vegetação e contribuem para formar ambientes variados dentro da propriedade.

Trabalho com castores começou muito antes da transformação da fazenda

A ligação de Derek Gow com a recuperação de espécies britânicas não começou apenas com o rewilding de suas terras.

O conservacionista trabalha há décadas com programas de reintrodução.

A Derek Gow Consultancy informa que ele desempenhou papel significativo no retorno do castor-europeu, do rato-d’água e da cegonha-branca à Inglaterra.

Gow começou a trabalhar com ratos-d’água ainda em 1995 e fundou sua consultoria em 2003.

No caso dos castores, sua atuação inclui diferentes projetos desenvolvidos no Reino Unido.

A lista divulgada pela organização registra trabalhos em locais como Ham Fen, Cotswold Water Park e Knapdale, além de estudos relacionados a projetos posteriores de reintrodução.

Ratos-d’água também se tornaram prioridade

Outra espécie ocupa posição central no trabalho desenvolvido pela equipe.

Os ratos-d’água, que já foram muito comuns nas paisagens de água doce britânicas, sofreram um declínio populacional extremamente acentuado.

Segundo a própria consultoria, a perda de habitat reduziu a população britânica desses animais em mais de 90%.

A pressão exercida pelo vison-americano, espécie introduzida, também se tornou uma ameaça importante.

A estrutura comandada por Gow mantém uma grande unidade dedicada à reprodução desses animais.

Atualmente, são mais de 170 recintos externos de reprodução, além de instalações internas, com produção anual de aproximadamente 2 mil ratos-d’água destinados a diferentes projetos britânicos.

Projeto ultrapassou os limites da propriedade

O trabalho desenvolvido no oeste da Inglaterra acabou se conectando a iniciativas realizadas em diferentes regiões do Reino Unido.

A consultoria afirma ter participado ou liderado projetos envolvendo castores-europeus, cegonhas-brancas, ratos-d’água e camundongos-das-colheitas, entre outras espécies.

No caso dos ratos-d’água, a organização informa que suas equipes participaram, ao longo do tempo, da reprodução e soltura de mais de 40 mil animais, em parceria com diferentes instituições.

Assim, a transformação das antigas pastagens funciona também como parte de uma trajetória mais ampla dedicada à recuperação da fauna britânica.

Fazenda virou espaço para aprender sobre rewilding

A propriedade também passou a receber atividades educacionais.

A equipe promove cursos de rewilding prático, manejo de castores e conservação de ratos-d’água, além de receber profissionais, estudantes universitários e grupos escolares.

A organização informa que as atividades de campo são realizadas em uma propriedade com cerca de 400 acres, aproximadamente 162 hectares, que inclui a área dedicada ao rewilding.

Isso transformou o local não apenas em uma paisagem em recuperação, mas também em um espaço onde as técnicas utilizadas podem ser observadas e discutidas.

De fazenda convencional a laboratório vivo de recuperação ambiental

A história de Derek Gow mostra uma transformação que aconteceu gradualmente sobre uma paisagem anteriormente dedicada à pecuária.

Primeiro vieram mudanças no uso das terras.

Depois, mais de 60 lagoas, aproximadamente 10 mil árvores, centenas de acres tratados com feno verde e estruturas destinadas a aumentar a variedade de habitats.

Na sequência, animais começaram a ocupar e modificar novamente a paisagem.

Castores passaram a trabalhar sobre a água, enquanto pôneis, búfalos, bovinos e porcos ajudam a modificar a vegetação.

O resultado é uma propriedade onde mais de 120 hectares antes utilizados pela pecuária estão sendo devolvidos à natureza, enquanto espécies que desapareceram ou sofreram fortes declínios em diferentes partes da Grã-Bretanha ganham novos espaços.

Mais do que abandonar uma antiga fazenda, Derek Gow decidiu mudar a função de parte das terras e permitir que processos naturais voltassem a participar da construção da paisagem.

O que mais chama sua atenção nessa transformação: os 10 mil árvores plantadas, as mais de 60 lagoas abertas ou o retorno de animais como castores e ratos-d’água às antigas terras de pecuária?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

Sair da versão mobile