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Fenômeno que pode ser o mais intenso dos últimos 150 anos já obriga engenheiros a reorganizar frentes de obra em Santa Catarina, e os canteiros passaram a receber boletins diários de chuva e vento para os cinco dias seguintes
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 08/08/2026 às 09:57
Atualizado em 08/08/2026 às 10:03
Construção
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O El Niño atingiu a categoria forte no início de agosto de 2026 e deve seguir se fortalecendo até o fim do ano. Em Santa Catarina, uma construtora com 16 megaobras simultâneas passou a incorporar previsão climática ao planejamento e a acionar protocolos de segurança antes da chegada de eventos severos.
Previsão do tempo deixou de ser assunto de fim de expediente e virou ferramenta de planejamento para os engenheiros que tocam obras de grande porte em Santa Catarina. Com o El Niño em atuação e previsão de ganhar intensidade entre agosto e novembro de 2026, empresas do setor passaram a reorganizar a rotina dos canteiros, conforme reportagem assinada por Gabrielle Tavares e publicada pelo ND Mais em 7 de agosto de 2026.
O fenômeno é provocado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial e deve persistir pelo menos até o início de 2027. A mudança não está na obra em si, está na ordem em que as coisas são feitas. Na FG Empreendimentos, que mantém 16 megaobras em execução simultânea no Estado, as condições climáticas já integram o planejamento da engenharia.
O que os dados oficiais dizem sobre este El Niño
O evento atingiu a categoria forte no início de agosto, com anomalia de 1,5 grau acima da média na região Niño 3.4, indicador de referência do fenômeno. O parâmetro vem do boletim da NOAA, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, divulgado em 3 de agosto, com dados coletados entre 5 de julho e 1º de agosto de 2026.
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A tendência apontada é de mais aquecimento. Segundo a Climatempo, o relatório da NOAA registra calor acumulado nas camadas mais rasas do Pacífico Equatorial, e ondas oceânicas de Kelvin ajudam a manter esse aquecimento deslocando água mais quente pela região. A projeção é de que este seja o El Niño mais forte já observado, pelo menos desde 1950, quando começaram os monitoramentos. A possibilidade de o evento se tornar o mais intenso dos últimos 150 anos foi levantada pelo R7 e citada pelo ND Mais, mas está fora do intervalo coberto pelas séries oficiais.
A duração também tem número. A previsão mais recente da NOAA indica 97% de probabilidade de o El Niño seguir ativo até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte.
O boletim diário que chega antes da primeira betonada
A ferramenta central da adaptação é simples e diária. A Climatempo envia às obras boletins com previsão de chuva, velocidade dos ventos e rajadas para os cinco dias seguintes. Esse horizonte curto é o que permite decidir o que entra na programação da semana.
O monitoramento não fica restrito à mesa de planejamento. A estratégia inclui alinhamento com fornecedores e equipes operacionais e protocolos específicos para eventos severos. Quando há previsão de condições adversas, as equipes são acionadas preventivamente para adotar medidas de segurança nos canteiros e nas áreas próximas às obras. Cinco dias de antecedência é tempo suficiente para mudar a ordem do trabalho, mas não para mudar a obra.
Como a sequência das frentes de trabalho é reorganizada
A lógica descrita pela empresa é de troca de posição, não de paralisação. Atividades mais suscetíveis às intempéries são antecipadas quando a previsão permite, o sequenciamento das frentes de trabalho é reorganizado e ganham prioridade as etapas que podem ser executadas em ambientes protegidos.
Gustavo Simas, diretor de produção da FG, afirma que a programação é atualizada conforme as condições meteorológicas e que esse rearranjo é o que mantém produtividade e previsibilidade nos cronogramas. Já Mario Merolli, diretor de engenharia da companhia, sustenta que empreendimentos dessa magnitude exigem planejamento de longo prazo e capacidade de adaptação, com trabalho contínuo sobre diferentes cenários. Na prática, o objetivo declarado é evitar que a chuva vire parada de obra, transformando dias ruins em dias de serviço interno.
O ciclone que testou o protocolo na primeira semana de agosto
A reportagem traz um caso concreto de aplicação. Fabio Maciel de Almeida, engenheiro responsável pela área de segurança da companhia, relata que os alertas sobre o ciclone previsto para atingir o Sul do país começaram a chegar na segunda-feira, dia 3 de agosto.
A partir daquelas informações, todas as obras foram orientadas previamente a aplicar os protocolos previstos para esse tipo de condição climática. É o desenho completo do sistema funcionando: boletim externo, decisão interna, orientação para o canteiro. A reportagem não informa quais medidas específicas compõem esses protocolos, nem se houve interrupção de atividades durante a passagem do ciclone.
O que essa reportagem mostra e o que ela não mostra
Vale registrar o alcance do que foi apurado. Todas as declarações vêm de três executivos da mesma empresa, a FG Empreendimentos, e não há na reportagem manifestação de outra construtora, de entidade do setor, de sindicato de trabalhadores ou de órgão público sobre o impacto do El Niño nas obras catarinenses.
Também não há números que dimensionem o problema. O texto não informa quantos dias de obra foram perdidos por chuva neste ano, qual o custo da adaptação, se houve atraso em alguma entrega, quantos trabalhadores estão envolvidos nas 16 megaobras citadas ou em que cidades esses canteiros estão. O que existe é a descrição de um método, não a medição do resultado dele. Se a estratégia funciona, isso só aparece na comparação entre cronograma previsto e cronograma cumprido, e essa comparação não foi apresentada.
Por que o assunto interessa a quem não trabalha em obra
A rotina de canteiro parece distante, mas o efeito chega ao consumidor final por dois caminhos. Atraso em obra de grande porte pressiona custo, e custo pressiona preço de entrega ou prazo de chaves na mão de quem comprou na planta.
Há ainda a dimensão de segurança, que a própria reportagem coloca em primeiro plano. Um canteiro com estrutura provisória, guindaste montado e material estocado a céu aberto é vulnerável a vento forte e a chuva concentrada, e o risco não fica dentro do tapume. A orientação preventiva alcança também as áreas próximas às obras, ou seja, a calçada e a rua de quem mora ao lado.
O El Niño de 2026 chega em um Estado que conhece bem o preço de eventos climáticos extremos. Desta vez, ao menos, o aviso veio com meses de antecedência e com boletim diário na mão de quem toma decisão.
Conta nos comentários: você acha que planejamento climático em obra é avanço real ou virou discurso corporativo enquanto o prazo continua estourando na entrega? E quem comprou imóvel na planta em Santa Catarina, a construtora já falou alguma coisa sobre possível impacto do clima no cronograma?
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

