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Ferrovia levava café ao porto, sustentava feiras e gerava renda, mas abandono e o fim dos trens esvaziou Baturité e mudou a economia da cidade

Ferrovia levava café ao porto, sustentava feiras e gerava renda, mas abandono e o fim dos trens esvaziou Baturité e mudou a economia da cidade

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4 min de leitura

Ferrovia levava café ao porto, sustentava feiras e gerava renda, mas abandono e o fim dos trens esvaziou Baturité e mudou a economia da cidade

Escrito por Romário Pereira de Carvalho

Publicado em 06/08/2026 às 12:39

Atualizado em 06/08/2026 às 12:40

Economia

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Imagem: Ilustração

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Durante décadas, os trens sustentaram comerciantes, agricultores e famílias em Baturité, mas o fim dos passageiros esvaziou a estação, mudou profissões, apagou parreirais e concentrou nas rodovias a circulação econômica do município e da região

A ferrovia de Baturité transformou o município em um centro de circulação de pessoas e mercadorias, mas o fim dos trens de passageiros, por volta de 1989, desmontou a economia formada ao redor da estação, eliminou fontes de renda e transferiu para as rodovias grande parte do transporte regional.

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Ferrovia de Baturité conectou produção local ao Porto de Fortaleza

A Estrada de Ferro de Baturité começou a transportar produtos em 1882. Naquele período, o município respondia por 2% das exportações brasileiras de café, conforme dados da prefeitura apresentados no material-base.

Os trilhos permitiam levar a produção local até o Porto de Fortaleza, na região do Poço da Draga. A linha foi ampliada ao longo das décadas seguintes e chegou ao Crato em 1926.

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Essa conexão fortaleceu a circulação entre municípios do interior e a capital. Café, algodão e couro estavam entre as mercadorias transportadas, enquanto os vagões de passageiros mantinham um fluxo frequente de consumidores pela estação.

A movimentação também criou uma economia de pequena escala. Quando os trens chegavam, uma grande feira se formava nas proximidades, reunindo vendedores de tapioca, macaxeira, seriguela, doces, frutas, água e outros produtos.

Um dos símbolos desse período eram as uvas de Baturité. As frutas eram cultivadas nos quintais próximos à estação e entregues aos viajantes em cestas artesanais produzidas com cipó.

Abandono da ferrovia: Fim dos passageiros desmontou a feira da estação

O transporte de passageiros permaneceu ativo até aproximadamente 1989. Quando a operação terminou, o bairro do Putiú e as áreas próximas à estação perderam o movimento que sustentava vendedores, agricultores, ferroviários e trabalhadores dos armazéns.

Sem os viajantes, os comerciantes deixaram de encontrar compradores concentrados no mesmo ponto. Famílias que dependiam da venda de alimentos, frutas e peças artesanais precisaram buscar novas formas de renda.

Alguns antigos armazéns ferroviários foram transformados em oficinas mecânicas. Parte dos vendedores passou a trabalhar na Feira de Baturité, enquanto outros procuraram oportunidades na Central de Abastecimento do Ceará, a Ceasa.

A mudança econômica atingiu até os quintais das residências. Os parreirais desapareceram gradualmente, assim como a produção das cestas de cipó utilizadas para comercializar os cachos de uva entre os passageiros.

O Putiú ainda concentra ex-ferroviários e descendentes de trabalhadores ligados aos trens. A presença dessas famílias mantém parte da memória da atividade, mas não recupera o dinamismo comercial criado pelas chegadas e partidas diárias.

Trilhos abandonados mostram a dimensão da perda

A antiga linha Fortaleza-Crato possui cerca de 600 quilômetros e integra a malha não operacional administrada pela Ferrovia Transnordestina Logística.

No Ceará, a empresa possui 1.203 quilômetros de linhas sob sua responsabilidade. Desse total, apenas 500 quilômetros são utilizados no transporte de cargas, enquanto outros 703 quilômetros permanecem fora de operação.

Em Baturité, partes da ferrovia de Baturité estão tomadas pela vegetação e pelo lixo. Dormentes de madeira apodrecem, enquanto alguns trechos perderam os trilhos ou já não permitem visualizar claramente a antiga linha.

A estação foi preservada e transformada em museu. O uso cultural conserva a memória ferroviária, mas não substitui o volume de comércio, trabalho e circulação de mercadorias gerado quando os trens funcionavam regularmente.

Rodovias assumiram transporte e deslocaram negócios

Com o enfraquecimento da ferrovia, caminhões, ônibus e outros veículos rodoviários passaram a concentrar o transporte de passageiros e mercadorias.

A mudança afastou parte da circulação econômica dos bairros e municípios que cresceram junto aos trilhos.

Especialistas citados no material-base afirmam que a falta de corredores ferroviários concentra negócios nos principais eixos rodoviários.

Isso limita a criação ou o fortalecimento de outros centros econômicos ao longo do território.

O transporte por caminhões também amplia o desgaste das estradas e os gastos públicos com manutenção.

Além disso, torna o custo do deslocamento de produtos mais sensível às variações nos preços dos combustíveis.

A nova Transnordestina prevê uma ferrovia moderna e com maior capacidade. Seu traçado, porém, não devolve automaticamente a Baturité o fluxo de passageiros e compradores que sustentou a economia local durante décadas.

A expectativa no município está concentrada na recuperação de pequenos trechos para atividades turísticas e de economia criativa.

Enquanto isso não ocorre, a estação preservada e os trilhos abandonados registram a transformação provocada pelo fim do transporte ferroviário.

Esta matéria foi elaborada com base nas informações, dados históricos, números e declarações presentes no material-base fornecido, preservados conforme o conteúdo consultado.

Fonte

https://diariodonordeste.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

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