Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Filha de diarista e cobrador de ônibus, jovem passa toda a vida em escola pública e enfrenta quatro anos de cursinho até transformar duas das vagas mais disputadas do país em escolha: aos 21 anos, Monaliza fica em 5º lugar em Medicina na USP, também passa na Unicamp e escolhe estudar na universidade que sonhava conhecer desde a escola

Filha de diarista e cobrador de ônibus, jovem passa toda a vida em escola pública e enfrenta quatro anos de cursinho até transformar duas das vagas mais disputadas do país em escolha: aos 21 anos, Monaliza fica em 5º lugar em Medicina na USP, também passa na Unicamp e escolhe estudar na universidade que sonhava conhecer desde a escola

SP

6 min de leitura

Filha de diarista e cobrador de ônibus, jovem passa toda a vida em escola pública e enfrenta quatro anos de cursinho até transformar duas das vagas mais disputadas do país em escolha: aos 21 anos, Monaliza fica em 5º lugar em Medicina na USP, também passa na Unicamp e escolhe estudar na universidade que sonhava conhecer desde a escola

Escrito por Débora Araújo

Publicado em 14/08/2026 às 08:54

Atualizado em 14/08/2026 às 08:55

Curiosidades

Canal

Monaliza, seu pai João Ávila e sua mãe Adriana Ávila — Foto: Arquivo pessoal

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Filha de diarista e cobrador de ônibus, Monaliza Ávila estudou sempre em escola pública, conseguiu bolsa em cursinho, manteve rotina que chegava a 12 horas de estudos por dia e, aos 21 anos, foi aprovada em Medicina na USP e na Unicamp, escolhendo a universidade que conheceu ainda no ensino médio.

Em 2021, Monaliza Ávila, então com 21 anos e moradora de Paulínia, no interior de São Paulo, chegou ao fim de quatro anos de preparação para Medicina diante de uma situação pouco comum: precisava escolher entre duas das universidades públicas mais disputadas do país. Filha de uma diarista e de um cobrador de ônibus, ela conquistou o 5º lugar em Medicina na USP e também uma vaga no mesmo curso na Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp.

Monaliza havia estudado durante toda a vida em escolas públicas. No ensino médio técnico, conciliou as disciplinas regulares com formação em informática, mas uma visita ao campus da Unicamp, estimulada por uma professora, mudou sua direção.

Depois de concluir a escola em 2016, conseguiu por meio de prova uma bolsa em um cursinho especializado em Medicina e entrou em uma rotina que podia chegar a 12 horas de estudos por dia.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

Filha de diarista e cobrador estudou a vida inteira em escola pública

Monaliza cresceu em uma família na qual os pais não tiveram as mesmas oportunidades educacionais que depois buscariam oferecer aos filhos. Segundo seu relato, nem a mãe, diarista, nem o pai, cobrador de ônibus, chegaram a concluir o ensino fundamental. Ainda assim, ambos colocavam a educação entre as prioridades da casa.

Ela estudou exclusivamente na rede pública e, durante o ensino médio, frequentou uma escola técnica. Além das disciplinas convencionais, fazia formação em informática, área que inicialmente poderia indicar um caminho profissional diferente. Monaliza, entretanto, percebeu que não desejava seguir naquele campo.

A mudança começou quando uma professora apresentou a ela a Unicamp. A jovem conheceu o campus de Campinas e se interessou pelo curso de Medicina. A própria Câmara Municipal de Paulínia registrou posteriormente essa passagem ao aprovar uma moção de aplausos pela conquista da estudante.

Bolsa em cursinho abriu uma preparação de quatro anos para Medicina

Quando terminou o ensino médio, em 2016, Monaliza ainda não estava pronta para competir nas condições exigidas pelos vestibulares de Medicina.

O caminho encontrado foi prestar uma prova para conseguir bolsa em um cursinho particular especializado justamente nesse tipo de seleção.

A bolsa permitiu que ela iniciasse uma preparação que se estenderia por quatro anos. Não era uma rotina de poucas horas depois das aulas: Monaliza relatou que permanecia no cursinho das 7h às 21h, de segunda a sexta-feira, e ainda tinha atividades aos sábados.

A carga horária de estudos chegava a 12h diárias — Foto: Arquivo pessoal

Também participava de simulados em determinados fins de semana. A reportagem original registra uma carga que podia chegar a 12 horas diárias de estudo, repetida durante anos enquanto a aprovação desejada não aparecia na universidade que havia se tornado seu principal objetivo.

Almoço e lanches saíam de casa para reduzir os gastos durante o cursinho

A preparação prolongada exigia organização financeira. Monaliza contou que houve dificuldades ao longo do caminho, mas destacou que os pais reorganizavam as despesas para permitir que ela continuasse estudando.

Para evitar gastos adicionais durante as muitas horas fora de casa, levava almoço e lanches preparados em casa. Segundo ela, a principal despesa cotidiana acabava sendo o transporte necessário para chegar ao cursinho.

O apoio não se restringiu ao dinheiro. Monaliza relatou que, apesar de terem tido pouca escolaridade formal, os pais sempre incentivaram tanto ela quanto o irmão a estudar.

O irmão também chegou ao ensino superior, cursando Ciências da Computação com uma bolsa concedida pela prefeitura.

Quatro outras aprovações vieram antes da vaga sonhada na Unicamp

Os anos de preparação começaram a produzir resultados antes de 2021. Entre 2019 e 2020, Monaliza conseguiu aprovações em Medicina na Universidade Federal do Maranhão, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade Estadual do Piauí e Universidade Federal da Bahia.

Monaliza, seu pai João Ávila e sua mãe Adriana Ávila — Foto: Arquivo pessoal

Ainda assim, continuou perseguindo a Unicamp. A universidade de Campinas tinha um significado particular desde a visita feita durante a época escolar e permaneceu como um dos principais objetivos durante seus anos de cursinho.

A seleção de 2021 representou sua quinta tentativa de ingressar em Medicina na Unicamp. Naquela edição, segundo a reportagem original reproduzida pelo Nace, 33.918 candidatos disputaram 110 vagas no curso, resultando em concorrência informada de 308 candidatos por vaga.

Aos 21 anos, Monaliza ficou em 5º lugar em Medicina na USP

Na preparação para os vestibulares de 2021, Monaliza resolveu ampliar as provas que faria. Prestou pela primeira vez as seleções da USP e da Unesp, inicialmente também como forma de reduzir a ansiedade que concentrava sobre a prova da Unicamp.

O que deveria funcionar como uma experiência adicional terminou em um resultado muito maior: ela conquistou o 5º lugar em Medicina na Universidade de São Paulo. A classificação foi registrada posteriormente em documento oficial da Câmara Municipal de Paulínia.

Ao mesmo tempo, veio a aprovação que buscava havia anos. Monaliza também foi admitida em Medicina na Unicamp. Aos 21 anos, a estudante que havia passado quatro anos tentando conquistar uma vaga passou a ter diante de si duas aprovações em instituições públicas de enorme concorrência.

Mesmo com o 5º lugar na USP, ela escolheu Medicina na Unicamp

A escolha final foi pela Unicamp. A decisão encerrava um percurso iniciado ainda durante o ensino médio, quando a visita ao campus despertou seu interesse pela universidade e ajudou a consolidar a escolha profissional pela Medicina.

O caso ganhou repercussão em Paulínia. Em 6 de abril de 2021, a Câmara Municipal apresentou a Moção nº 43/2021, especificamente em homenagem a Monaliza pela quinta colocação em Medicina na USP e pela admissão na Unicamp. O documento também registra sua origem familiar e sua trajetória integral pela escola pública.

Assim, depois de quatro anos de cursinho, uma quinta tentativa na Unicamp e aprovações acumuladas em diferentes universidades, o processo seletivo deixou de ser apenas uma busca por qualquer vaga. Aos 21 anos, Monaliza podia escolher entre USP e Unicamp e decidiu estudar justamente no campus que havia conhecido ainda adolescente.

Na Unicamp, Monaliza entrou também na pesquisa científica em Medicina

A trajetória universitária ganhou posteriormente um novo capítulo documentado pela própria Unicamp. Em 2023, Monaliza aparecia oficialmente como estudante de Medicina e participante do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica da universidade.

Monaliza atualmente cursa Medicina na Unicamp — Foto: Arquivo Pessoal

Seu projeto estudou os efeitos da nano-imunoterapia Oncotherad na modulação das monoaminas oxidases e possíveis implicações clínicas no câncer de bexiga não músculo invasivo. O trabalho foi desenvolvido sob orientação do professor Wagner José Fávaro, do Instituto de Biologia.

O projeto acabou selecionado para o Prêmio PIBIC de Mérito Científico de 2023, destinado aos melhores trabalhos apresentados no Congresso de Iniciação Científica da Unicamp.

A universidade informou que quase mil projetos concorreram à premiação e apenas 20 foram escolhidos para o prêmio principal.

Quatro anos de preparação terminaram com duas das vagas mais disputadas nas mãos

A sequência de Monaliza mostra uma trajetória construída em etapas concretas. Escola pública durante toda a educação básica, ensino médio técnico, bolsa conquistada por prova, quatro anos de cursinho, jornadas que começavam às 7h e terminavam às 21h e sucessivas tentativas de entrar em Medicina.

Antes da conquista definitiva, vieram aprovações em UFMA, UFRJ, UESPI e UFBA. Em 2021, ela acrescentou à lista duas das universidades que concentram alguns dos processos seletivos mais concorridos do país: ficou em quinto lugar na USP e conquistou também Medicina na Unicamp.

A filha de uma diarista e de um cobrador de ônibus escolheu a Unicamp. Dois anos depois, seu nome apareceria novamente nos registros da universidade, dessa vez não em uma lista de vestibular, mas entre estudantes premiados por pesquisa científica em Medicina.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Débora Araújo.

Sair da versão mobile