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Filha de enfermeira e natural do interior da Bahia, jovem de 23 anos levou seis anos, tirou nota máxima em mais de 30 disciplinas do bacharelado em Saúde e passou em primeiro lugar em Medicina na UFBA

Filha de enfermeira e natural do interior da Bahia, jovem de 23 anos levou seis anos, tirou nota máxima em mais de 30 disciplinas do bacharelado em Saúde e passou em primeiro lugar em Medicina na UFBA

5 min de leitura

Filha de enfermeira e natural do interior da Bahia, jovem de 23 anos levou seis anos, tirou nota máxima em mais de 30 disciplinas do bacharelado em Saúde e passou em primeiro lugar em Medicina na UFBA

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 06/08/2026 às 20:57

Atualizado em 06/08/2026 às 21:02

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Ela tirou nota máxima em mais de 30 disciplinas do bacharelado em Saúde e passou em 1º lugar em Medicina na UFBA.

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Ana Luiza Teixeira concluiu o ensino médio em 2019, fez cursinho até 2022 e então mudou de estratégia: entrou no Bacharelado Interdisciplinar em Saúde da própria universidade. O ingresso em Medicina por essa via depende da média das disciplinas cursadas, e não de prova.

Ela chegou à Medicina por um caminho que quase ninguém conhece. Cansada de anos de cursinho, Ana Luiza Teixeira, de 23 anos, natural de Valente, no interior da Bahia, entrou no Bacharelado Interdisciplinar em Saúde da Universidade Federal da Bahia e passou três anos garantindo nota máxima em mais de 30 disciplinas, conforme reportagem de Esther Morais publicada pelo Jornal Correio em 29 de janeiro de 2026.

A estratégia deu certo. Ela foi aprovada em primeiro lugar no curso de Medicina da instituição, resultado divulgado em 27 de janeiro de 2026, depois de seis anos de dedicação aos estudos.

O caminho que fugiu do padrão

Ela tirou nota máxima em mais de 30 disciplinas do bacharelado em Saúde e passou em 1º lugar em Medicina na UFBA.

A trajetória dela não seguiu a rota tradicional de quem quer medicina. Ana Luiza concluiu o ensino médio em 2019 e passou os três anos seguintes em cursinho preparatório, entre 2020 e 2022.

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O desgaste chegou. Cansada da rotina intensa, ela decidiu tentar algo diferente e prestou o Bacharelado Interdisciplinar em Saúde da própria universidade federal. Passou e ficou três anos no curso, concluindo a formação no primeiro semestre de 2025. Desde o começo, sabia que precisaria de desempenho excelente.

Como funciona esse acesso

Aqui está o detalhe que explica toda a estratégia dela. O ingresso em Medicina a partir do bacharelado interdisciplinar não passa por prova de vestibular nem por nota do Enem.

A universidade faz um cálculo próprio, baseado nas médias das disciplinas cursadas ao longo da graduação anterior. Ou seja, o desempenho acadêmico de três anos inteiros substitui o desempenho em um único dia de prova. Atualmente, a instituição oferta 32 vagas anuais para Medicina destinadas a estudantes vindos do bacharelado, disputadas por centenas de candidatos.

A planilha que ela manteve desde o primeiro dia

O método dela tinha um instrumento central, e não era caderno de resumo nem cronograma de estudo. Era uma planilha.

Ela acompanhava todas as próprias notas desde o início do curso, monitorando de perto o rendimento em cada disciplina. Como manteve desempenho muito alto ao longo dos três anos, o cálculo final ficou entre os maiores da turma. É uma abordagem diferente da preparação para vestibular: em vez de picos de rendimento em provas isoladas, exige constância mês após mês, semestre após semestre, sem margem para uma disciplina fraca.

Ela não queria medicina

O detalhe mais surpreendente da história é que o curso nunca foi o plano original. Filha de uma enfermeira com mais de 30 anos de atuação, ela passou boa parte da vida tentando se afastar da área da saúde.

O motivo era a rotina que via em casa. Segundo ela, a mãe sempre trabalhou muito, e por isso pensava em fazer Direito ou Engenharia, sempre tentando fugir daquele caminho. A mudança começou ainda no ensino fundamental, quando foi gostando mais das matérias e concluiu que, se fosse escolher, seria medicina, principalmente pela amplitude de oportunidades e pelas possibilidades de carreira.

O peso que a aprovação carrega

Ao comentar o resultado, ela apontou um significado que vai além da colocação. A Faculdade de Medicina da universidade baiana foi a primeira do Brasil, fundada ainda no período colonial.

Segundo ela, aquela instituição historicamente teve poucos estudantes negros, e isso torna a aprovação ainda mais significativa. É a leitura que ela própria faz do próprio resultado, e ela a apresenta como parte central da conquista, não como detalhe acessório.

A reação em casa

A notícia mobilizou a família inteira. Ela conta que os pais ficaram muito felizes e choraram bastante, e que a mãe se emocionou especialmente.

Para ela, o resultado funcionou como realização dos pais, e não apenas dela. Há também uma camada de continuidade familiar: segundo o relato, a mãe sempre foi vista como pioneira na região, e seguir a mesma área e carregar esse título tem significado grande. Em publicação nas redes sociais, ela agradeceu aos pais dizendo que eles sempre estiveram na primeira fila, aplaudindo e acolhendo, e que foram os maiores investidores daquele sonho.

Ela não foi a única da cidade

Um dado que amplia a história é que Valente teve mais de uma aprovada na mesma lista. Claryssa Oliveira de Jesus Silva, também natural do município, foi aprovada em quarto lugar no mesmo processo.

As duas cursaram o mesmo bacharelado interdisciplinar e ingressaram no mesmo semestre. Ao comemorar, Claryssa escreveu que se tratava de um sonho que muitas vezes pareceu distante, mas que foi guiada até ali, e agradeceu à família pelo apoio e pela compreensão ao longo do percurso.

O que essa história mostra sobre acesso

Vale registrar o que o caso demonstra em termos práticos, porque a via que ela usou é pouco conhecida fora da Bahia. O bacharelado interdisciplinar funciona como uma porta lateral para cursos de alta concorrência, permitindo que o estudante mostre desempenho ao longo de anos em vez de apostar tudo em uma prova.

O modelo tem vantagem e custo. A vantagem é dar segunda chance a quem não performa bem em prova única. O custo é que exige três anos de dedicação integral antes mesmo de começar o curso pretendido, tempo que muita gente não tem condições de bancar. No caso dela, foram seis anos entre o fim do ensino médio e a entrada em medicina, e essa é a conta real que a manchete costuma esconder. As informações aqui correspondem a janeiro de 2026, quando a aprovação foi divulgada.

E você, conhecia esse caminho de entrar em medicina pela nota das disciplinas em vez do vestibular? Conta aqui nos comentários se acha que esse modelo deveria existir em mais universidades, e diga qual você acha mais justo, a prova única ou o desempenho acumulado.

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jovem


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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