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Filha de lavrador e empregada doméstica cresceu em uma casa de madeira no interior do Maranhão, houve dias em que dependia da refeição da escola, trabalhou como babá e vendeu bolo de pote, conquistou vaga em Medicina na UFMA pelo Enem e participou de campanha nacional do MEC. Que virada!

Filha de lavrador e empregada doméstica cresceu em uma casa de madeira no interior do Maranhão, houve dias em que dependia da refeição da escola, trabalhou como babá e vendeu bolo de pote, conquistou vaga em Medicina na UFMA pelo Enem e participou de campanha nacional do MEC. Que virada!

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Filha de lavrador e empregada doméstica cresceu em uma casa de madeira no interior do Maranhão, houve dias em que dependia da refeição da escola, trabalhou como babá e vendeu bolo de pote, conquistou vaga em Medicina na UFMA pelo Enem e participou de campanha nacional do MEC. Que virada!

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 04/08/2026 às 23:36

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Origem humilde, trabalho precoce e anos de preparação marcaram a trajetória de uma jovem maranhense que transformou limitações financeiras em acesso a um dos cursos mais disputados do país, tornou-se a primeira da família na universidade pública e participou de uma campanha nacional do MEC.

Sabrina da Silva Santos, caçula de sete irmãos, transformou uma trajetória marcada por dificuldades financeiras em uma conquista que mudou o rumo de sua família, tornando-se a primeira pessoa entre os parentes mais próximos a ingressar em uma universidade pública.

Filha de uma empregada doméstica e de um lavrador, ela cresceu em uma casa simples de madeira, em Itinga do Maranhão, onde houve períodos nos quais a alimentação oferecida pela escola se tornou essencial para a rotina familiar.

Infância em uma casa de madeira no Maranhão

Desde cedo, o desejo de cursar Medicina passou a representar uma possibilidade concreta de mudança, embora a profissão parecesse distante da realidade de uma família numerosa, com recursos limitados e poucas oportunidades de estudo e trabalho na cidade.

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Em entrevista ao Terra, Sabrina contou que roupas, calçados e outros itens usados pelas crianças muitas vezes chegavam por meio de doações de pessoas próximas, enquanto a família atravessava fases de forte aperto financeiro durante sua infância.

Mudança para São Luís aos 14 anos

Aos 14 anos, Sabrina deixou a casa dos pais e se mudou para São Luís, seguindo o caminho de irmãos que já haviam buscado apoio de parentes na capital para ampliar as possibilidades de estudo e trabalho.

Filha de lavrador e empregada doméstica supera dificuldades, trabalha desde jovem e conquista vaga pública em Medicina na UFMA pelo Enem.

Como não havia espaço disponível nas residências dos tios, ela passou a morar com uma amiga de uma tia, ajudando a cuidar do filho pequeno da mulher enquanto concluía o ensino médio e permanecia naquela casa.

Durante aproximadamente seis anos, a rotina reuniu responsabilidades domésticas, trabalho e preparação escolar, exigindo que a jovem organizasse o próprio tempo para continuar estudando sem transferir novas despesas aos pais, que já enfrentavam limitações financeiras.

Em diferentes fases, Sabrina atuou como babá, manicure e designer de sobrancelhas, fez serviços de selagem capilar e vendeu bolo de pote, atividades que ajudavam a cobrir despesas básicas enquanto ela mantinha o objetivo de ingressar em Medicina.

Trabalho e estudos durante a preparação para Medicina

Com uma bolsa de estudos em um cursinho, ela participou de processos seletivos de diferentes instituições, mas as reprovações sucessivas provocaram desgaste e levaram à decisão de retornar a Itinga do Maranhão para reorganizar a preparação perto da família.

De volta ao interior, a estudante não abandonou o curso desejado e passou a estudar por conta própria, utilizando apostilas guardadas do cursinho e videoaulas disponíveis na internet para manter uma rotina regular de preparação.

Para continuar acompanhando os conteúdos, Sabrina pediu ao pai que instalasse uma conexão de internet em casa, recurso que permitiu retomar as aulas, revisar matérias e organizar um método mais direcionado às exigências dos vestibulares.

A estratégia passou a priorizar provas anteriores, simulados frequentes e produção de redações, enquanto a jovem reforçava especialmente o estudo de matemática, disciplina que considerava uma de suas maiores dificuldades ao longo de toda a preparação.

Primeira aprovação em Medicina veio pela UFRR

Embora a proximidade dos pais tenha ajudado a reduzir parte da pressão acumulada, a rotina permaneceu exigente, com estudos constantes e revisão dos conteúdos até que a primeira aprovação em Medicina surgiu no vestibular da Universidade Federal de Roraima.

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Um post compartilhado por Sabrina Santos| medicina UFMA IMPERATRIZ (@sabrina.medicina)

Antes da publicação da lista na internet, o resultado foi anunciado pelo rádio da instituição, permitindo que Sabrina ouvisse o próprio nome ao lado dos pais e de outros familiares reunidos na sala de casa.

Registrada em vídeo, a reação alcançou grande repercussão nas redes sociais e ampliou a visibilidade de uma trajetória que já incluía anos de estudo, mudanças de cidade, diferentes trabalhos e sucessivas tentativas de ingresso no ensino superior.

Para participar da seleção em Roraima, ela viajou do Maranhão com ajuda de pessoas que contribuíram com passagem e hospedagem, enfrentando ainda uma escala em Manaus, onde precisou passar a noite inteira no aeroporto antes da prova.

Enem abriu caminho para Medicina na UFMA

Após a aprovação, Sabrina iniciou o curso de Medicina na UFRR e permaneceu na instituição durante um semestre, até utilizar a nota do Exame Nacional do Ensino Médio para disputar uma vaga mais próxima de sua região.

Pelo Sistema de Seleção Unificada, a estudante foi selecionada para Medicina na Universidade Federal do Maranhão e passou a estudar em Imperatriz, mantendo-se no próprio estado e reduzindo a distância em relação à cidade onde cresceu.

Mais tarde, sua trajetória ganhou projeção nacional quando ela foi escolhida para participar da campanha “O Enem transforma vidas”, promovida pelo Ministério da Educação para apresentar histórias de acesso ao ensino superior por meio do exame.

Na ação, Sabrina apareceu ao lado do economista e influenciador Gil do Vigor, levando sua experiência para a televisão e para a internet como exemplo de ingresso de estudantes de baixa renda em universidades federais.

A própria estudante atribuiu ao Enem um papel decisivo para alcançar a vaga no Maranhão, enquanto sua história passou a representar também o acesso de alunos da rede pública a cursos concorridos no ensino superior.

Planos de atuar novamente no Maranhão

Já inserida na graduação, Sabrina manifestou o desejo de seguir na área de oncologia pediátrica, buscar formação especializada e depois retornar ao Maranhão para trabalhar em Imperatriz e em Itinga, mantendo vínculo profissional com a população da região.

Entre a casa de madeira, os trabalhos realizados para sustentar os estudos e a vaga em Medicina, qual parte dessa trajetória mais revela o poder da educação para transformar uma história familiar e ampliar horizontes antes considerados distantes?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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