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Filha de uma auxiliar de cozinha de 60 anos, uma jovem de 20 anos passou quatro vezes em Medicina de uma só vez, conquistou vagas na UFBA, UFMG, UFF e Uesb após dois anos em cursinho gratuito e chegou a comprar almoço por R$ 1 em restaurante popular
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 01/08/2026 às 19:55
Curiosidades
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Quatro vagas em Medicina, uma rotina sustentada por curso gratuito e refeições de R$ 1 transformaram a trajetória de Liz Paula Souza em um caso de alcance nacional, marcado por desempenho elevado, origem popular e aprovação em universidades públicas de três estados brasileiros.
Quatro universidades públicas abriram as portas do curso de Medicina para a mesma estudante, depois de uma preparação marcada por dificuldades financeiras, ensino gratuito e uma rotina em que até o preço do almoço se tornou parte central da trajetória.
Aos 20 anos, Liz Paula Souza conquistou vagas na Universidade Federal da Bahia, na Universidade Federal de Minas Gerais, na Universidade Federal Fluminense e na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, ampliando de forma incomum suas opções de ingresso.
Quatro aprovações em Medicina
Criada na Fazenda Grande do Retiro, bairro popular de Salvador, Liz é filha de Edileuza Soares, auxiliar de cozinha que tinha 60 anos quando recebeu a notícia das aprovações e acompanhou de perto toda a preparação da jovem.
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Com média 808 no Exame Nacional do Ensino Médio, a estudante transformou o desempenho em quatro possibilidades de ingresso em um dos cursos mais concorridos do país, resultado que ganhou ainda mais peso diante das posições obtidas.
Segundo reportagem do jornal Correio, Liz ficou em quarto lugar na Universidade Federal Fluminense, alcançou a sétima colocação na Universidade Federal de Minas Gerais e terminou em nono lugar tanto na Universidade Federal da Bahia quanto na Uesb.
Na disputa pela vaga da UFBA, a jovem superou uma concorrência formada por 7.627 inscritos e, mesmo podendo estudar em instituições localizadas em três estados, decidiu permanecer na Bahia, próxima da família e da comunidade onde construiu sua história.
Nota do Enem abriu quatro caminhos
Por meio do Sistema de Seleção Unificada, que distribui vagas em instituições públicas com base na nota do Enem, Liz conseguiu utilizar o mesmo desempenho para concorrer a cursos de Medicina oferecidos por universidades de diferentes regiões brasileiras.
Embora os resultados pertençam ao processo seletivo de 2025, a trajetória mantém atualidade por revelar quanto uma estrutura gratuita de preparação pode ampliar as oportunidades de estudantes que não dispõem de recursos para custear cursinhos particulares.
Durante dois anos, a jovem frequentou o Curso Ingressar, programa preparatório oferecido pela Prefeitura de Salvador a estudantes de famílias em situação de vulnerabilidade social que buscavam melhorar o desempenho no Enem e alcançar uma vaga no ensino superior.
Ao reunir apoio pedagógico, revisão de conteúdo e orientação para os processos seletivos, o curso ajudou Liz a organizar a rotina de estudos e a enfrentar uma disputa que costuma exigir preparação prolongada e acesso constante a materiais específicos.
Voltado a jovens com dificuldades para pagar cursos privados, o programa recebeu outros mil estudantes na edição frequentada por Liz, conforme as informações apresentadas na reportagem que registrou a sequência de aprovações conquistadas pela estudante baiana.
Almoço de R$ 1 durante a preparação
Entre as lembranças daquele período, um episódio aparentemente simples ajuda a dimensionar as limitações enfrentadas: um dos professores recordava vê-la comprar almoço por R$ 1 em um restaurante popular enquanto permanecia fora de casa para estudar.
Sem comprometer ainda mais o orçamento familiar, a refeição de baixo custo permitia que Liz mantivesse a rotina de preparação, mesmo enquanto concorria com milhares de candidatos que, muitas vezes, contavam com estruturas educacionais e financeiras mais amplas.
Nesse contexto, o almoço de R$ 1 passou a simbolizar o contraste entre os recursos disponíveis e o tamanho do objetivo acadêmico, além de mostrar como serviços públicos podem interferir diretamente na permanência de estudantes em jornadas extensas.
Enquanto se preparava para as provas, a jovem dependia do cursinho gratuito, do restaurante popular e de outras estruturas acessíveis para cumprir uma rotina compatível com a exigência do Enem e com a concorrência característica do curso de Medicina.
Sonho de cursar Medicina começou na infância
O interesse pela área médica surgiu ainda na infância, de acordo com o relato da família, quando Liz apontava para profissionais vistos na televisão e repetia que também seria doutora, transformando uma curiosidade inicial em projeto de vida.
Anos depois, aquele desejo ganhou forma concreta com a divulgação dos resultados, momento em que a estudante deixou de disputar apenas uma vaga e passou a escolher entre quatro universidades públicas localizadas em diferentes estados do país.
Ao receber a notícia, Edileuza chorou e relatou ter passado mal, reação que refletiu tanto o impacto da conquista quanto o esforço acumulado durante os anos em que a filha conciliou limitações financeiras com uma preparação acadêmica exigente.
Para a mãe, a entrada no curso desejado esteve diretamente ligada ao acesso à preparação educacional oferecida anteriormente, estrutura que permitiu à jovem competir em condições mais próximas das exigidas pelos processos seletivos de Medicina.
Primeiras colocações em quatro universidades
Mais do que garantir aprovação, Liz apareceu entre as primeiras colocadas em todas as instituições, demonstrando regularidade em processos altamente competitivos e mantendo o desempenho elevado mesmo diante de universidades com perfis de concorrência e localização diferentes.
Na UFF, a quarta posição colocou a estudante perto do topo da lista, enquanto a sétima colocação na UFMG e os dois nonos lugares, na UFBA e na Uesb, reforçaram a consistência da pontuação.
Assim, a média 808 não produziu um resultado isolado, mas sustentou uma faixa de classificação elevada em quatro universidades públicas, permitindo que a jovem avaliasse fatores acadêmicos, familiares e geográficos antes de definir onde iniciaria a graduação.
Poucos candidatos ao curso de Medicina encerram o processo seletivo com tantas opções simultâneas, especialmente quando a preparação depende de políticas públicas, serviços acessíveis e programas gratuitos voltados a estudantes de baixa renda.
Escolha pela Universidade Federal da Bahia
Apesar das vagas disponíveis em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, Liz escolheu a Universidade Federal da Bahia, decisão que permitiu sua permanência no estado onde nasceu, cresceu e construiu toda a trajetória escolar anterior à aprovação.
Ligada à Fazenda Grande do Retiro desde a infância, a estudante transformou a conquista acadêmica em um resultado também associado ao território, mostrando que um bairro popular de Salvador passou a integrar a história de quatro aprovações em Medicina.
Antes restrita a uma única meta, a jovem passou a comparar instituições de três estados e decidiu permanecer perto da família, sem abrir mão de uma universidade federal reconhecida e do curso que desejava desde os primeiros anos de vida.
Ao optar pela UFBA, Liz não apenas confirmou a vaga em Medicina, mas encerrou uma etapa marcada por dois anos de preparação, milhares de concorrentes e uma rotina sustentada por oportunidades públicas de acesso à educação.
Cursinho gratuito e acesso ao ensino superior
A trajetória reúne esforço individual e estruturas coletivas que influenciaram diretamente o caminho até a universidade, entre elas o cursinho gratuito, o restaurante popular e o sistema público de seleção baseado na nota obtida no Enem.
Sem apagar a dedicação da estudante, esses elementos ajudam a compreender como políticas de acesso podem aproximar jovens de baixa renda de cursos tradicionalmente disputados, sobretudo quando a preparação exige tempo, material didático e permanência diária fora de casa.
Foram dois anos de estudos até alcançar a média 808, enfrentar uma concorrência formada por milhares de inscritos e receber quatro resultados positivos no mesmo processo seletivo, desempenho que ampliou as possibilidades acadêmicas da jovem.
Ao final da seleção, Liz não precisava aguardar uma única oportunidade, mas escolher qual das quatro vagas aceitaria, cenário incomum para quem havia construído a preparação com curso gratuito e refeições compradas por R$ 1.
Quantos estudantes com potencial semelhante ainda dependem de alimentação acessível, transporte público e uma vaga em cursinho gratuito para conseguir competir por Medicina em condições mais próximas das oferecidas aos candidatos com maior estrutura financeira?
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

