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Filho de agricultor e ex-empregada doméstica deixa cidade baiana com menos de 7 mil habitantes, entra em Direito na USP e, em cerca de um ano, passa a se sustentar em São Paulo, ajudar os pais e ganhar mais que os dois juntos
Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 14/08/2026 às 15:54
Atualizado em 14/08/2026 às 15:55
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Eduardo Bittancourt Ferreira cresceu em Nova Ibiá, no interior da Bahia, em uma família sustentada pelo trabalho na roça e por diárias, estudou em escola pública, recebeu apoio educacional, conquistou três aprovações em Direito e escolheu a USP. Em São Paulo, conseguiu estágio, passou a pagar as próprias despesas e começou a ajudar financeiramente os pais.
Eduardo Bittancourt Ferreira cresceu em Nova Ibiá, no interior da Bahia, em uma família sustentada pelo trabalho do pai na roça e pelas diárias da mãe, que já atuou como empregada doméstica. Aluno de escola pública, viveu uma realidade em que pagar uma instituição particular ou até mesmo um curso de inglês estava fora do orçamento familiar.
Segundo o IBGE, Nova Ibiá tinha 6.501 habitantes no Censo de 2022 e população estimada de 6.696 moradores em 2025. Foi dali que Eduardo começou uma trajetória que terminaria, poucos anos depois, em uma das faculdades de Direito mais tradicionais do país.
Antes da universidade, ele já acumulava sinais de bom desempenho: seu nome aparece entre os estudantes com menção honrosa na 16ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas, a OBMEP.
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O apoio que ampliou as possibilidades
A mudança ganhou força em 2023, quando Eduardo entrou para o Instituto Ponte, organização que acompanha estudantes de baixa renda e alto desempenho. O suporte incluiu reforço em português e matemática, orientação psicológica e profissional, além de preparação para o vestibular e acesso a novas oportunidades.
No mesmo ano, ficou em terceiro lugar em um projeto interno do instituto com a proposta de escrever um livro sobre a memória cultural do Médio Rio de Contas. A ideia continuou depois da mudança para São Paulo, reunindo histórias ligadas a lugares como Jequié e Nova Ibiá.
No terceiro ano do Ensino Médio, a rotina ficou mais pesada. Depois das aulas regulares, Eduardo estudava em um cursinho pré-vestibular online com bolsa obtida pelo Instituto Ponte, em uma jornada que seguia aproximadamente das 16h às 21h40.
Três aprovações e uma escolha pela USP
O esforço terminou com aprovações em Direito na UFBA, na UFES e na USP. Eduardo escolheu a Universidade de São Paulo e, em 2025, deixou a Bahia para estudar no tradicional Largo de São Francisco. Segundo contou ao jornal A TARDE, o pai estava trabalhando na roça quando recebeu a notícia.
Sem parentes na capital paulista, Eduardo passou os primeiros três meses na casa de um doador ligado ao Instituto Ponte. Depois, mudou-se para a residência de uma amiga e começou a estruturar uma vida própria longe da família.
O estágio mudou também a renda da família
Com bolsas de apoio e um estágio no Maneira Advogados, na área tributária, a situação começou a mudar. Em entrevista ao A TARDE, Eduardo afirmou que passou a se sustentar em São Paulo, ajudar financeiramente os pais e, em cerca de um ano de universidade, já ganhava mais do que o pai e a mãe juntos.
A reportagem não informa os valores recebidos por ele nem a renda individual dos pais. Por isso, a comparação deve ser tratada como relato do próprio estudante. Ainda assim, representa uma transformação concreta para uma família cuja renda esteve durante anos ligada ao trabalho rural e a serviços pagos por diária.
De Nova Ibiá para novos palcos
Em julho de 2025, Eduardo também venceu a categoria universitária do PonTED, programa de oratória do Instituto Ponte, com a apresentação “Vozes que ecoam para encarar o racismo”, inspirada em uma abordagem policial que relatou ter sofrido pouco depois de chegar a São Paulo.
Paralelamente, continuou escrevendo o livro sobre sua região e realizou um sonho de infância ao assistir ao desfile de Carnaval na Sapucaí, no Rio de Janeiro. O que antes aparecia apenas pela televisão passou a caber no orçamento construído com estudo, bolsas e trabalho.
A trajetória ainda está no começo, mas a mudança já é visível: de uma cidade baiana com menos de 7 mil moradores e uma casa sustentada pela roça e pelas diárias, Eduardo chegou à USP, entrou no mercado jurídico e começou a ajudar os próprios pais.
Quantas histórias semelhantes poderiam mudar de rumo se talento e oportunidade se encontrassem antes?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

