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Filho de agricultores e sem internet em casa, jovem trabalha durante o dia em um mercadinho, estuda sozinho das 19h às 23h na casa do tio, não consegue pagar cursinho e conquista uma vaga em Medicina na Universidade Federal do Piauí

Filho de agricultores e sem internet em casa, jovem trabalha durante o dia em um mercadinho, estuda sozinho das 19h às 23h na casa do tio, não consegue pagar cursinho e conquista uma vaga em Medicina na Universidade Federal do Piauí

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Filho de agricultores e sem internet em casa, jovem trabalha durante o dia em um mercadinho, estuda sozinho das 19h às 23h na casa do tio, não consegue pagar cursinho e conquista uma vaga em Medicina na Universidade Federal do Piauí

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 13/08/2026 às 22:42

Atualizado em 13/08/2026 às 22:43

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Filho de agricultores e aluno de escola pública enfrentou limitações financeiras, trabalho durante o dia e acesso restrito à internet enquanto se preparava para um dos cursos mais disputados do país, organizando sozinho uma rotina de estudos que acabaria levando seu nome a uma universidade federal.

Antônio Apolinário Sousa precisou transformar a casa de um tio em ponto de acesso às aulas, encaixar a preparação para o vestibular depois de uma jornada de trabalho e montar sozinho a própria sequência de estudos para disputar uma vaga em Medicina.

Filho de agricultores e aluno da rede pública no interior do Piauí, ele não tinha internet em casa nem condições financeiras para pagar um cursinho preparatório, mas conseguiu ingressar na Universidade Federal do Piauí após organizar uma rotina própria de estudos.

Durante a manhã e a tarde, Antônio trabalhava como atendente em um mercadinho; quando chegava o período reservado aos estudos, voltava a atenção para as disciplinas do Enem, recorrendo a materiais gratuitos e à conexão disponível na residência de familiares.

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Sem internet em casa, estudante recorria à casa do tio

Sem internet na própria casa, o estudante ia até a residência do tio para acompanhar conteúdos on-line e, segundo informações divulgadas pela Secretaria de Estado da Educação do Piauí, mantinha uma rotina de estudos que se estendia das 19h às 23h.

Nesse intervalo, utilizava a internet principalmente para acompanhar aulas e também recorria a livros dos ensinos Fundamental e Médio, combinando recursos gratuitos com uma organização feita por conta própria para avançar nos conteúdos exigidos pelo exame.

A limitação financeira também interferiu diretamente na preparação, já que Antônio afirmou não ter condições de pagar um cursinho e, em vez de abandonar a tentativa de entrar em Medicina, passou a estruturar o aprendizado desde os conteúdos mais básicos.

O método incluía resolução de questões e acompanhamento de aulas disponíveis pela internet, enquanto os fins de semana também eram usados para estudar, o que exigia administrar sozinho horários, prioridades e dificuldades ao mesmo tempo em que mantinha o trabalho no comércio.

Escola pública e preparação para o Enem

A trajetória escolar havia ocorrido integralmente na rede pública, e Antônio concluiu o ensino médio na Unidade Escolar Antônio Pereira de Araújo, em São Luís do Piauí, município onde conciliou limitações de acesso, trabalho e preparação para o ensino superior.

Parte dessa etapa coincidiu com o período em que as atividades educacionais foram afetadas pela pandemia, circunstância que tornou o acesso à internet ainda mais importante e levou o estudante a recorrer novamente à residência do tio para acompanhar as aulas.

Medicina já fazia parte dos planos de Antônio antes da aprovação, e, aos 20 anos, ele dizia carregar o desejo de seguir a profissão desde mais jovem, apoiado por uma família de agricultores que o incentivava a continuar estudando apesar das limitações financeiras.

Experiência no Enem começou ainda no ensino médio

A experiência com o Enem começou antes do término da educação básica, porque ainda na primeira série do ensino médio ele passou a participar do exame para conhecer o formato da avaliação, acumular experiência e compreender melhor as exigências da prova.

Mais tarde, quando o ingresso em Medicina se tornou o principal objetivo da rotina, Antônio intensificou a preparação e passou a combinar o estudo individual com oportunidades oferecidas por programas públicos voltados a estudantes que se preparavam para o Enem.

Foi nesse contexto que conheceu os grupos do Pré-Enem da Seduc e passou a atuar como monitor e corretor de redações, atividade que também funcionava como ferramenta de aprendizado ao ampliar seu contato com a estrutura exigida nos textos do exame.

Ao analisar produções de outros estudantes, ele reforçava conhecimentos usados na própria preparação e mantinha contato com professores e participantes do projeto, incorporando uma dimensão prática ao estudo de redação enquanto continuava tentando conquistar a própria vaga.

Trabalho durante o dia e quatro horas de estudo à noite

Mesmo participando dessas iniciativas, Antônio preservou o cronograma construído por conta própria, começando por conteúdos fundamentais antes de avançar para temas mais difíceis e adaptando a preparação às condições disponíveis, como conexão emprestada, livros escolares e materiais gratuitos.

Além do estudo, a família ocupava um espaço importante na rotina, e Antônio citava pais, irmãos e outros parentes entre as pessoas que o incentivaram, associando o desejo de cursar Medicina à vontade de retribuir o apoio recebido ao longo da preparação.

Aprovação em Medicina na Universidade Federal do Piauí

Quando a aprovação finalmente chegou, o destino foi o curso de Medicina da Universidade Federal do Piauí, no campus de Picos, onde ele ingressou por meio do Sistema de Seleção Unificada, utilizando a nota obtida no Exame Nacional do Ensino Médio.

Na seleção, Antônio concorreu pelas modalidades destinadas a estudantes da rede pública e pelo critério de renda, encerrando uma etapa marcada pela falta de internet residencial, pela impossibilidade de pagar cursinho e pela necessidade de dividir o tempo entre trabalho e estudo.

A mudança para Picos abriu uma nova etapa da trajetória, pois até então sua formação havia ocorrido principalmente em São Luís do Piauí, onde estudou na escola pública, trabalhou no mercadinho e dependia da casa do tio para acessar parte dos conteúdos.

A aprovação também modificou o papel ocupado pelo estudante dentro do próprio processo educacional, já que quem começou fazendo o Enem ainda no ensino médio para ganhar experiência passou, depois, a auxiliar outros candidatos como monitor e corretor de redações.

Desse modo, o aprendizado ocorreu tanto pela preparação individual quanto pelo contato com estudantes que enfrentavam a mesma prova, enquanto a rotina seguia organizada ao redor de quatro horas noturnas de estudo, trabalho durante o dia e recursos educacionais gratuitos.

O caso reúne obstáculos materiais concretos, entre eles a ausência de internet em casa, a impossibilidade de financiar preparação privada e a necessidade de conciliar emprego e estudos, elementos que moldaram uma rotina baseada em adaptação, disciplina e acesso a políticas educacionais públicas.

Quantos estudantes brasileiros podem estar tentando chegar à universidade neste momento com recursos improvisados, poucas horas disponíveis e uma rotina distante daquela oferecida por um cursinho tradicional, recorrendo a alternativas semelhantes para manter vivo o objetivo de ingressar no ensino superior?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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