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Filho de diarista e criado em bairro pobre, Henrique Marques entra no taekwondo aos 8 anos por projeto social, quase abandona o esporte após arritmia aos 19 e, aos 21, torna-se o primeiro homem brasileiro campeão mundial e sonha em mudar a vida da mãe

Filho de diarista e criado em bairro pobre, Henrique Marques entra no taekwondo aos 8 anos por projeto social, quase abandona o esporte após arritmia aos 19 e, aos 21, torna-se o primeiro homem brasileiro campeão mundial e sonha em mudar a vida da mãe

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Filho de diarista e criado em bairro pobre, Henrique Marques entra no taekwondo aos 8 anos por projeto social, quase abandona o esporte após arritmia aos 19 e, aos 21, torna-se o primeiro homem brasileiro campeão mundial e sonha em mudar a vida da mãe

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 20/08/2026 às 12:03

Atualizado em 20/08/2026 às 12:07

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Henrique Marques começou no taekwondo aos 8 anos em projeto social, superou uma arritmia aos 19 e tornou-se campeão mundial aos 21, com o sonho de melhorar a vida da mãe.

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Henrique Marques chegou ao topo do taekwondo mundial aos 21 anos ao conquistar a medalha de ouro no Campeonato Mundial de Wuxi, na China. Criado em Vila Portuense, um dos bairros mais pobres de Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, o atleta derrotou o chinês Qizhang Xiang por 2 a 0 e tornou-se o primeiro homem brasileiro campeão mundial da modalidade.

As informações foram publicadas pelo Comitê Olímpico do Brasil em 28 de outubro de 2025. A trajetória de Henrique começou em um projeto social, atravessou dificuldades financeiras, uma arritmia cardíaca que o afastou de grandes competições aos 19 anos e a perda do pai durante a preparação para Paris 2024, antes da conquista que o colocou na história do esporte brasileiro.

Henrique cresceu em Vila Portuense e viu a mãe trabalhar como diarista

Henrique Marques começou no taekwondo aos 8 anos em projeto social, superou uma arritmia aos 19 e tornou-se campeão mundial aos 21, com o sonho de melhorar a vida da mãe.

Henrique é filho de Rosane, diarista de 58 anos, e cresceu em Vila Portuense, em Itaboraí. A família enfrentava limitações financeiras para bancar treinamentos, viagens e competições enquanto o jovem avançava no esporte.

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O atleta contou que os pais se esforçavam para permitir sua permanência no taekwondo. Rifas e outras iniciativas ajudaram a custear uma trajetória que, naquele momento, estava distante de oferecer qualquer garantia de retorno financeiro.

Mãe se virava para pagar competições e viagens do filho

Henrique atribui parte de sua permanência no esporte ao esforço da mãe. “O início de tudo foi muito difícil. Na época, meus pais não tinham condições financeiras para me manter no esporte. Mas minha mãe sempre acreditou e se virava para eu conseguir ir às competições e viagens”, afirmou.

Rosane trabalhou em casas de família como diarista para sustentar Henrique e os demais integrantes da família. O apoio recebido nesse período passou a ocupar um lugar central nos objetivos pessoais do atleta depois que ele alcançou resultados internacionais.

Henrique praticava jiu-jitsu antes de começar no taekwondo. Aos 8 anos, passou a acompanhar com curiosidade as aulas da modalidade, mas não tinha condições financeiras para pagar a mensalidade.

A oportunidade surgiu quando a atleta olímpica Íris Tang Sing o convidou para participar do projeto social “Íris”, em Itaboraí. Medalhista de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Toronto 2015, ela era madrinha da iniciativa, treinava no local e também ministrava aulas.

Íris Tang Sing percebeu potencial e levou menino para equipe de competição

Henrique Marques começou no taekwondo aos 8 anos em projeto social, superou uma arritmia aos 19 e tornou-se campeão mundial aos 21, com o sonho de melhorar a vida da mãe.
 Foto: World Taekwondo

Íris acompanhou Henrique desde os primeiros treinos e afirmou ter identificado rapidamente o potencial do garoto. Depois da entrada no projeto social, ele foi levado para a equipe de competição.

“Desde pequenininho vi que ele tinha um grande potencial. Ele começou a treinar nesse projeto social, que eu também dava aula e treinava junto, e logo depois levamos ele para treinar na equipe de competição”, relembrou Íris.

Anos mais tarde, a relação entre os dois ganhou um detalhe curioso: o apartamento da atleta passou a ser alugado por Henrique.

Primeiro título brasileiro veio em 2018

A dedicação aos treinos levou Henrique ao título de campeão brasileiro em 2018. O resultado marcou uma das primeiras grandes conquistas de uma trajetória iniciada gratuitamente no projeto social.

O avanço esportivo, porém, seria interrompido alguns anos depois por um problema de saúde que colocou em dúvida a continuidade da carreira.

Arritmia descoberta em 2023 quase encerrou carreira aos 19 anos

Henrique descobriu uma arritmia cardíaca em 2023, quando tinha 19 anos. A alteração na frequência dos batimentos do coração quase levou o atleta a abandonar os tatames.

O problema o deixou fora de duas competições importantes naquele ano: o Campeonato Mundial de 2023 e os Jogos Pan-Americanos de Santiago.

Cirurgia permitiu retorno às competições em 2024

Henrique passou por cirurgia e conseguiu retornar às competições em 2024. A volta abriu novamente o caminho para disputar vagas e torneios internacionais.

Durante a preparação para os Jogos Olímpicos de Paris 2024, porém, o atleta enfrentou outra perda importante: seu pai, Ari Fernandes, morreu naquele período.

Henrique chegou às quartas de final nos Jogos Olímpicos de Paris

Henrique Marques começou no taekwondo aos 8 anos em projeto social, superou uma arritmia aos 19 e tornou-se campeão mundial aos 21, com o sonho de melhorar a vida da mãe.
 Foto: World Taekwondo

Mesmo atravessando o luto pela morte do pai, Henrique disputou os Jogos Olímpicos de Paris 2024. Sua campanha terminou nas quartas de final.

O atleta citou como inspiração o marfinense Cheick Cisse, um dos principais nomes do taekwondo mundial. Henrique destacou que o ídolo também veio de uma origem difícil antes de alcançar projeção internacional.

Temporada de 2025 trouxe uma sequência de medalhas internacionais

Henrique acumulou resultados importantes ao longo de 2025. Ele conquistou ouro no Aberto do Rio de Janeiro, prata no Grand Prix de Muju e bronze na President’s Cup, competição válida como Pan-Americano da modalidade.

O brasileiro também foi campeão nos Jogos Pan-Americanos Júnior de Assunção. A sequência preparou o caminho para o maior resultado da carreira poucos meses depois.

Ouro em Wuxi veio com vitória por 2 a 0 sobre Qizhang Xiang

Henrique Marques começou no taekwondo aos 8 anos em projeto social, superou uma arritmia aos 19 e tornou-se campeão mundial aos 21, com o sonho de melhorar a vida da mãe.
Imagem: CBTKD

Henrique disputou a categoria até 80 kg no Campeonato Mundial de Wuxi, na China. Na decisão, derrotou o chinês Qizhang Xiang por 2 a 0 e garantiu a medalha de ouro.

A conquista ocorreu na segunda-feira, 27 de outubro de 2025. Aos 21 anos, Henrique tornou-se o primeiro atleta homem do Brasil a conquistar um título mundial de taekwondo.

Antes de Henrique, duas brasileiras haviam chegado ao título mundial. Natália Falavigna foi campeã em Madri, em 2005.

Maria Clara Pacheco conquistou o ouro na categoria 57 kg em Wuxi na sexta-feira, 24 de outubro de 2025, poucos dias antes da vitória de Henrique.

“Mãe, essa medalha é nossa”, disse Henrique após o título

A primeira homenagem de Henrique depois da conquista foi direcionada à mãe. “Mãe, essa medalha é nossa. Seu filho é campeão mundial”, declarou à World Taekwondo após subir ao lugar mais alto do pódio.

O título passou a representar também uma possibilidade de retribuir os anos em que Rosane trabalhou como diarista e ajudou a bancar as necessidades da família e da carreira esportiva do filho.

Henrique quer transformar a mãe de “empregada” em “patroa”

Henrique afirma que uma de suas principais metas pessoais é proporcionar melhores condições de vida à mãe. O atleta relaciona esse objetivo diretamente ao trabalho realizado por Rosane ao longo dos anos.

“Ela sempre trabalhou em casa de família como diarista, para me sustentar e sustentar toda a minha família. Por isso, a meta sempre foi dar uma vida melhor para ela”, afirmou.

Henrique resumiu o objetivo em uma frase: “Quero transformar minha mãe de ‘empregada’ em ‘patroa’”.

Mundial de 2025 virou melhor campanha brasileira da história

A campanha brasileira em Wuxi já havia superado o desempenho registrado no Mundial de Madri de 2005. Além do ouro de Henrique Marques na categoria até 80 kg, o Brasil conquistou o título com Maria Clara Pacheco nos 57 kg.

Milena Titoneli completou os resultados destacados com a medalha de prata na categoria 67 kg. O Campeonato Mundial continuaria até 30 de outubro de 2025.

Henrique Marques chegou ao título mundial depois de uma trajetória iniciada aos 8 anos em um projeto social de Itaboraí. Entre o primeiro contato com o taekwondo e o ouro na China, tornou-se campeão brasileiro, enfrentou uma arritmia aos 19 anos, retornou após cirurgia e disputou os Jogos Olímpicos de Paris.

Aos 21, o atleta passou a ocupar um lugar inédito entre os homens brasileiros no taekwondo mundial e mantém como objetivo pessoal melhorar a vida de Rosane, a mãe que trabalhou como diarista e ajudou a sustentar sua caminhada no esporte.

Na sua opinião, projetos sociais esportivos podem revelar mais talentos como Henrique Marques quando oferecem acesso a crianças que não teriam condições de pagar pelos treinos? Deixe sua opinião nos comentários.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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