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Filho de faxineira e criado na periferia, um jovem pernambucano estudou para as provas americanas, passou em nove universidades dos Estados Unidos e chegou a fazer vaquinha para bancar os últimos semestres antes de se formar em Ciências da Computação

Filho de faxineira e criado na periferia, um jovem pernambucano estudou para as provas americanas, passou em nove universidades dos Estados Unidos e chegou a fazer vaquinha para bancar os últimos semestres antes de se formar em Ciências da Computação

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Filho de faxineira e criado na periferia, um jovem pernambucano estudou para as provas americanas, passou em nove universidades dos Estados Unidos e chegou a fazer vaquinha para bancar os últimos semestres antes de se formar em Ciências da Computação

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 01/08/2026 às 16:57

Atualizado em 01/08/2026 às 17:03

Curiosidades

Filho de faxineira em Jaboatão dos Guararapes, ele passou em nove universidades dos EUA, fez vaquinha para bancar os últimos semestres e se formou em 2025

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Fred Ramon dos Santos Gomes saiu do bairro de Cajueiro Seco em 2021 com bolsa de 70% na Whittier College, na Califórnia. Quando o programa que cobria o restante foi interrompido, o jovem pernambucano recorreu a doações pela internet. A formatura saiu em maio de 2025.

A carta de aprovação não resolve o problema de quem não tem dinheiro. Foi essa a descoberta de Fred Ramon dos Santos Gomes, jovem criado no bairro de Cajueiro Seco, em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, aprovado em nove universidades norte-americanas aos 20 anos e formado em Ciências da Computação pela Whittier College, na Califórnia, conforme reportagem publicada pelo Diario de Pernambuco em 18 de maio de 2025.

Ele estudou para os exames de admissão durante a pandemia, morando com a mãe, faxineira, e o irmão mais novo. Conseguiu bolsa de 70% na instituição escolhida, e os 30% restantes eram bancados por um programa filantrópico. Quando esse apoio foi interrompido a partir de 2024, faltando três semestres para o fim do curso, ele abriu vaquinhas na internet para não abandonar a graduação.

O inglês que começou por uma cantora pop e ajudou o jovem pernambucano

Filho de faxineira em Jaboatão dos Guararapes, ele passou em nove universidades dos EUA, fez vaquinha para bancar os últimos semestres e se formou em 2025

A porta de entrada não foi a escola. O jovem Fred se apaixonou pela língua inglesa na adolescência querendo entender as letras das músicas de Christina Aguilera, sua cantora favorita, e a partir daí decidiu aprender o idioma.

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A renda de casa não permitia curso pago. A mãe ganhava cerca de R$ 60 por semana como faxineira, e ele saiu à procura de escolas que oferecessem aulas gratuitas. Aos 14 anos começou o primeiro curso de inglês sem custo, e depois emendou outros, incluindo informática. Concluiu o ensino médio em 2018 na Escola Estadual Professor Fernando Mota, no bairro de Setúbal, na Zona Sul do Recife.

Um instrutor de dança em Dubai

Antes das universidades entrarem no horizonte, houve um desvio inesperado. Ele trabalhou como professor de dança em um cruzeiro que operava a partir de Dubai, experiência que apareceu antes de qualquer plano acadêmico no exterior.

Foi ao voltar ao Brasil que o jovem pernambucano começou a pesquisar como ingressar em universidades americanas. Fez os testes exigidos e passou a se preparar para as candidaturas, ao mesmo tempo em que dava aulas de inglês em plataformas online para ajudar na renda de casa. A rotina era dividida entre estudar para as provas e trabalhar, e ela se estendeu por todo o período de inscrições.

O que pesou na aprovação não foi só a nota

Existe um detalhe do processo americano que Fred aponta como decisivo e que costuma ser ignorado por quem tenta o caminho. As instituições avaliam o candidato pelo currículo escolar, mas também pelo impacto que ele provoca fora da sala de aula.

Ligado a movimentos sociais desde a adolescência, ele acumulou participação em projetos comunitários, concursos e atividades de liderança. Na avaliação dele, foram exatamente essas atividades que chamaram atenção das universidades quando enviou a inscrição, e não apenas o histórico escolar. Segundo o próprio relato, está na faculdade menos pela escola e mais pelo protagonismo que decidiu assumir fora dela.

Nove aprovações e uma escolha

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O resultado foi uma sequência de cartas. Ele foi aceito na Manhattanville College, Whittier College, Arizona State University, Florida Tech, Temple University, University of Arizona, Stetson University, Adelphi University e University of La Verne.

A escolha do jovem pernambucano recaiu sobre a Whittier College, em Los Angeles, e o motivo foi financeiro: foi a instituição que ofereceu a bolsa de 70%. Ele se matriculou em Ciência da Computação combinada com Estudos Globais, área voltada a diplomacia, relações internacionais, política e economia. O objetivo declarado por ele à época era articular programas de capacitação e financiamento para pequenos e médios negócios em comunidades de baixa renda de Pernambuco e do Nordeste.

A primeira vaquinha foi só para embarcar

O problema de dinheiro apareceu antes mesmo da viagem. Para obter o visto de estudante, era preciso comprovar ao governo americano a posse de 31 mil dólares, valor que na cotação de 2021 correspondia a cerca de R$ 158 mil e cobria taxa de inscrição, moradia, plano de alimentação e seguro saúde.

Ele lançou a primeira campanha em julho de 2021, com prazo até agosto daquele ano, e se inscreveu em cerca de 40 fundos externos de financiamento para estudantes, entre eles um programa da Fundação Estudar voltado a quem pretendia estudar tecnologia fora do país. A bolsa cobria a mensalidade, não a vida. Foi essa diferença que quase interrompeu o plano antes do início.

A segunda vaquinha, com o diploma quase na mão

O segundo aperto veio bem mais tarde e foi pior, porque já havia investimento de anos. No fim de 2023, aos 23 anos, faltando três semestres para concluir o curso, ele descobriu que o programa filantrópico responsável pelos 30% restantes não daria continuidade ao benefício a partir de 2024.

Ele vivia com o valor básico de um estágio, o suficiente para comer e se manter no dormitório da universidade. Precisava de aproximadamente R$ 180 mil para terminar. Em janeiro de 2024, tinha arrecadado pouco mais de R$ 15 mil entre transferências e doações pelo site da campanha, o bastante para pagar a primeira parcela daquele semestre. Na descrição dele, a faculdade se mostrou compreensiva por entender que era uma situação fora do controle dele.

A formatura e a frase que ele escreveu

Filho de faxineira em Jaboatão dos Guararapes, ele passou em nove universidades dos EUA, fez vaquinha para bancar os últimos semestres e se formou em 2025

O curso foi concluído. Em maio de 2025, aos 24 anos, ele se formou em Ciências da Computação pela Whittier College e publicou nas redes sociais uma dedicatória que resume o percurso: escreveu que se formava por aqueles que não puderam pagar a faculdade e nunca desistiram, e que a luta dessas pessoas alimenta a dele.

O caso ganhou repercussão nacional em dois momentos distintos, na aprovação em 2021 e na campanha de 2023, e nos dois ele apareceu como exemplo. É uma leitura que ele próprio adotava desde o começo, quando dizia querer servir de referência para outros jovens. Ainda em 2021, participou de roda de conversa organizada pelo Sesc em Piedade dentro da programação do Mês da Juventude, falando sobre o processo de candidatura a universidades no exterior.

O que a história do jovem pernambucano diz sobre estudar fora

Vale reter o mecanismo, porque ele se repete. Universidades americanas concedem bolsas parciais com frequência, e a parcela restante costuma ser o obstáculo real para candidatos de baixa renda, somada a custos de moradia, alimentação, seguro e comprovação financeira exigida para o visto.

O caminho percorrido por Fred combinou cursos gratuitos de idioma, trabalho remunerado durante a preparação, atuação em projetos sociais que pesaram na avaliação e busca sistemática por fundos de financiamento externo. Nada disso é atalho, e o percurso levou sete anos entre a conclusão do ensino médio e o diploma. A parte que dependeu de doação da internet foi justamente a que ele não conseguiu resolver com planejamento.

E você, conhece alguém que tentou estudar fora e esbarrou no custo? Conta aqui nos comentários se você acha que falta política pública para bancar brasileiros aprovados em universidades no exterior, ou se esse tipo de apoio deveria vir de outro lugar.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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