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Filho de pedreiro e de uma mãe que não teve oportunidade de estudar, Matheus tentou o Enem oito vezes até conquistar uma vaga em Medicina. De origem quilombola, ele estudava em casa, sem energia elétrica nem internet, e usava um celular e apostilas emprestadas até realizar o sonho de cursar Medicina

Filho de pedreiro e de uma mãe que não teve oportunidade de estudar, Matheus tentou o Enem oito vezes até conquistar uma vaga em Medicina. De origem quilombola, ele estudava em casa, sem energia elétrica nem internet, e usava um celular e apostilas emprestadas até realizar o sonho de cursar Medicina

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Filho de pedreiro e de uma mãe que não teve oportunidade de estudar, Matheus tentou o Enem oito vezes até conquistar uma vaga em Medicina. De origem quilombola, ele estudava em casa, sem energia elétrica nem internet, e usava um celular e apostilas emprestadas até realizar o sonho de cursar Medicina

Escrito por Andriely Medeiros de Araújo

Publicado em 24/08/2026 às 00:01

Atualizado em 24/08/2026 às 00:02

Curiosidades

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Matheus precisou de oito tentativas no Enem para chegar à medicina e, em 2025, cursava o 5º período da UEFS e ajudava outros estudantes. Fonte: Instagram.

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Matheus precisou de oito tentativas no Enem para chegar à medicina e, em 2025, cursava o 5º período da UEFS e ajudava outros estudantes.

Conheça a trajetória de Matheus de Araújo Moreira Silva. Segundo uma matéria publicada em setembro de 2025 pelo Só Notícia Boa, o jovem transformou a aprovação conquistada após oito tentativas no Enem em uma nova frente de trabalho: ajudar outros estudantes a se prepararem para o ensino superior.

De origem quilombola e morador de Antônio Cardoso, na Bahia, ele cursava o quinto período de Medicina na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), dava aulas particulares, produzia materiais de estudo e reunia mais de 70 mil seguidores nas redes sociais.

A trajetória não ficou restrita à conquista da vaga. Depois de chegar à universidade, Matheus passou a usar aquilo que aprendeu durante anos de preparação para orientar estudantes que também encontravam barreiras financeiras e educacionais pelo caminho.

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Matheus transformou anos de preparação em material para outros candidatos

A experiência acumulada antes da aprovação passou a alimentar parte do conteúdo produzido por Matheus. Nas redes, ele compartilhava rotina universitária, estratégias de estudo e episódios de uma caminhada que não havia terminado com o resultado do vestibular.

O jovem também criou um e-book com orientações para a redação do Enem e começou a oferecer aulas particulares. Entre seus planos estava ampliar essa atuação por meio de palestras em escolas públicas, mostrando caminhos de organização para alunos que pretendiam disputar vagas no ensino superior.

Essa atividade dava outro significado às dificuldades que ele havia enfrentado. Em vez de guardar para si os métodos construídos durante a preparação, Matheus buscava transformá-los em referências para quem ainda estava tentando alcançar a universidade.

Aprovação em medicina veio somente na oitava participação no Enem

O curso desejado, entretanto, demorou anos para chegar. Matheus concluiu o ensino médio em 2013 e, dois anos depois, conseguiu ingressar em Enfermagem na própria UEFS. A aprovação não encerrou sua busca porque medicina permanecia como objetivo profissional.

Ele continuou prestando o Enem até obter o resultado esperado na oitava tentativa. A primeira matrícula no curso médico aconteceu na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).

Depois, questões relacionadas à logística e à proximidade da família levaram o estudante a mudar de instituição. Ele se transferiu para a UEFS e, quando sua história foi publicada em 2025, já havia alcançado o quinto período.

Matheus precisou de oito tentativas no Enem para chegar à medicina e, em 2025, cursava o 5º período da UEFS e ajudava outros estudantes. Fonte: Instagram.

Pandemia colocou preparação em uma casa sem eletricidade

Uma das fases mais difíceis ocorreu antes da universidade, durante a pandemia. Para manter os estudos, Matheus utilizou uma casa cedida por uma amiga, apesar de o local não contar com energia elétrica nem conexão com a internet.

O material disponível era limitado. Um celular simples servia para resolver questões, enquanto apostilas emprestadas por colegas ajudavam a compor a preparação.

A rotina daquele período foi organizada em torno de algumas condições pouco comuns para um candidato:

Ao recordar aquele momento, Matheus afirmou que esses recursos foram suficientes para mantê-lo no caminho até a aprovação.

Colegas se mobilizaram para comprar notebook após ingresso na faculdade

As limitações financeiras não desapareceram quando ele entrou em medicina. Já universitário, recebeu apoio dos próprios colegas, que organizaram uma arrecadação para comprar um notebook.

O gesto acrescentou uma nova rede de suporte àquela que havia começado muito antes, dentro de casa. A mãe de Matheus não teve oportunidade de estudar, mas destinava parte do dinheiro recebido pelo Bolsa Família ao reforço escolar do filho.

Matheus precisou de oito tentativas no Enem para chegar à medicina e, em 2025, cursava o 5º período da UEFS e ajudava outros estudantes. Fonte: Instagram.

O pai trabalhava como pedreiro. Na família, a educação também avançou entre os irmãos: Marcos se formou em Psicologia por meio do ProUni, enquanto Willian seguiu estudos em Sistemas de Informação.

Comunidade quilombola permaneceu ligada ao significado da conquista

Para Matheus, chegar à universidade não representava apenas mudar a própria profissão. A origem em uma comunidade quilombola de Antônio Cardoso continuava presente na maneira como ele falava sobre educação e oportunidades.

Nas redes sociais, costumava relacionar a aprovação à persistência necessária para continuar depois dos resultados negativos. Também dividia a conquista com familiares, professores, colegas e seguidores que acompanharam diferentes fases de sua preparação.

A comunidade digital começou a ganhar força a partir de 2021. Com o crescimento do perfil, o estudante encontrou uma maneira de levar sua história a pessoas que nunca haviam convivido diretamente com ele, mas enfrentavam dificuldades semelhantes para estudar.

Neurologia aparecia entre os planos profissionais de Matheus

Em 2025, a graduação ainda estava em andamento e Matheus não havia chegado à etapa de definir formalmente uma especialidade. Mesmo assim, ele já manifestava interesse pela neurologia, escolha influenciada também pela proximidade com o irmão formado em Psicologia.

O projeto profissional incluía trabalhar em hospitais, mas vinha acompanhado de outro objetivo: continuar usando sua trajetória para aproximar jovens da educação.

Assim, oito tentativas no Enem deixaram de ser apenas uma contagem de reprovações anteriores à vaga. Quando sua história ganhou repercussão em setembro de 2025, Matheus já estava dentro da medicina, avançava pela formação na UEFS e começava a devolver parte do que havia aprendido a estudantes que ainda estavam diante das primeiras tentativas.

Fonte

Só Notícia Boa


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

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