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Filho de pedreiro que começou a cortar cana aos 12 anos, trabalhou na lavoura até os 15, enfrentou três vestibulares seguidos, viveu durante seis anos numa casa de estudantes e, depois de uma trajetória marcada por trabalho e persistência, realizou o sonho de se tornar médico em Pernambuco
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 03/08/2026 às 08:40
Curiosidades
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Jonas Lopes, um dos sete filhos do pedreiro José Lopes, colou grau em 2016 pela Universidade de Pernambuco e sonhava, à época, em se especializar em cardiologia
Jonas Lopes da Silva, filho do pedreiro José Lopes e da dona de casa Edileusa Maria, colou grau em Medicina pela Universidade de Pernambuco em junho de 2016, depois de uma trajetória marcada por trabalho infantil no corte de cana, escola pública, vestibulares sucessivos e seis anos de permanência na Casa do Estudante de Pernambuco.
A história do pernambucano, nascido em Palmares e criado em Joaquim Nabuco, na Mata Sul de Pernambuco, ganhou repercussão após a formatura da 95ª turma de Medicina da UPE, realizada no Teatro Guararapes, em Olinda. Segundo o Jornal do Commercio e o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco, Jonas foi homenageado pelos colegas durante a solenidade e não conseguiu segurar a emoção.
Do corte de cana em Joaquim Nabuco ao sonho de cursar Medicina
Antes de vestir o jaleco, Jonas conheceu uma rotina dura ainda criança. Segundo o Jornal do Commercio, ele trabalhou ao lado da mãe dos 7 aos 15 anos, cortando e limpando cana-de-açúcar nos engenhos de Joaquim Nabuco, na Zona da Mata pernambucana.
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Ex-cortador De Cana Se Forma Em Medicina
A família era numerosa. Jonas era o quinto dos sete filhos de José Lopes e Edileusa Maria. O pai trabalhava como pedreiro e viajava para outros estados em busca de serviço, enquanto a mãe ajudava no sustento da casa com a lavoura.
A experiência no canavial marcou a infância do futuro médico. Em entrevista ao Jornal do Commercio, Jonas relembrou que, se a família não trabalhasse, faltava comida. Além do corte de cana, ele também vendeu picolé, frutas, carregou frete e deu aulas particulares.
A decisão de estudar depois de ver o sofrimento da mãe no engenho
Mesmo diante das dificuldades financeiras, Jonas e os irmãos eram incentivados a frequentar a escola. Ele concluiu o ensino médio em 2005, na Escola Estadual Coronel Alfredo Brandão, em Joaquim Nabuco.
A virada definitiva veio quando ele entendeu que os estudos poderiam ser o único caminho para mudar a realidade da família. A imagem da mãe trabalhando no engenho, dividida entre comprar comida e material escolar, tornou-se uma das maiores motivações para continuar.
Ao falar sobre a própria trajetória, Jonas resumiu a decisão que tomou ainda jovem: “Não sou melhor nem pior que ninguém. Apenas corri atrás do que sonhava”.
Quatro tentativas no vestibular até a aprovação em Medicina na UPE
O caminho até a universidade não foi imediato. Em 2006, Jonas se mudou para o Grande Recife para morar com a irmã mais velha em Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, com o objetivo de se preparar para o vestibular de Medicina.
Ele tentou a aprovação por três anos seguidos sem ver o nome no listão. A conquista só veio em 2009, após uma rotina intensa de preparação, bolsa em cursinho particular e uma vaga na Casa do Estudante de Pernambuco, no Derby, área central do Recife.
Segundo o Jornal do Commercio, a política de cotas para candidatos egressos de escola pública adotada pela Universidade de Pernambuco em 2008 contribuiu para o acesso de estudantes como Jonas ao ensino superior.
Seis anos na Casa do Estudante até a formatura em Medicina
Durante os seis anos de graduação, Jonas morou na Casa do Estudante de Pernambuco. A estrutura foi decisiva para que ele permanecesse no curso de Medicina, uma formação longa, exigente e historicamente associada a forte concorrência.
O Jornal do Commercio registrou que Jonas e outros colegas da mesma turma tinham histórias parecidas: jovens de origem humilde, estudantes de escola pública, vindos do interior e dependentes de apoio institucional para se manterem na capital.
Mesmo com restrições financeiras e saudade da família, ele chegou ao fim da graduação. Em junho de 2016, já com registro no Conselho Regional de Medicina de Pernambuco, Jonas estava entre os formandos da 95ª turma de Medicina da UPE.
A homenagem que emocionou Jonas Lopes durante a colação de grau
A formatura aconteceu no Teatro Guararapes, em Olinda, e reuniu familiares que saíram de Joaquim Nabuco para acompanhar a conquista. Segundo o Cremepe, uma caravana levou pais, irmãos, cunhados, primos e tios para testemunhar o momento.
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Durante a solenidade, a oradora da turma, Débora Lima, pediu que Jonas ficasse de pé para receber o reconhecimento dos colegas. Ela lembrou que, antes de se tornar estudante de Medicina, ele havia enfrentado a exploração da mão de obra infantil nas usinas de cana-de-açúcar do interior de Pernambuco.
A homenagem levou a turma aos aplausos. Jonas, tímido, chorou ao ser destacado entre os demais formandos. Para a mãe, Edileusa, a cena representava a realização de um sonho que parecia distante demais para uma família sustentada por trabalho pesado no campo e na construção civil.
O futuro de Jonas Lopes após conquistar o diploma de médico
Depois da formatura, Jonas afirmou que pretendia continuar estudando e tentar residência em clínica médica ou cardiologia. Em reportagem posterior do Jornal do Commercio, ele também declarou o desejo de trabalhar em Pernambuco.
A mesma reportagem informou que, em julho de 2016, Jonas foi recebido no Palácio do Campo das Princesas e defendeu mais investimento em educação para que outros jovens de origem pobre também pudessem chegar ao ensino superior.
Naquele momento, o recém-formado já simbolizava mais do que uma conquista individual. Sua trajetória reunia trabalho infantil, escola pública, política de permanência estudantil, sistema de cotas e acesso à universidade pública em um dos cursos mais disputados do país.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

