PI
6 min de leitura
Filho de professora e lavador de carros do interior do Piauí, jovem de 18 anos transformava as horas vagas em estudo para olimpíadas, conquistou quatro ouros nacionais em matemática, física e ciências, ganhou intercâmbio nos Estados Unidos e foi aprovado em Medicina na Universidade Federal do Delta do Parnaíba
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 03/08/2026 às 21:24
Curiosidades
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Trajetória construída em uma escola pública do interior reúne quatro medalhas de ouro nacionais, dedicação às olimpíadas do conhecimento, intercâmbio educacional nos Estados Unidos e aprovação em Medicina, revelando como estudo constante, incentivo escolar e apoio familiar abriram oportunidades muito além da sala de aula.
Filho de uma professora e de um trabalhador autônomo que lava carros, Hélio Henrique da Silva Gomes, de 18 anos, conquistou uma vaga em Medicina na Universidade Federal do Delta do Parnaíba após construir uma trajetória marcada por quatro medalhas de ouro nacionais.
Formado na rede pública estadual de Cocal dos Alves, no interior do Piauí, o estudante também acumulou participações em olimpíadas do conhecimento e viveu uma experiência educacional nos Estados Unidos antes de ingressar em um dos cursos mais disputados do país.
Escola pública e preparação para olimpíadas
A aprovação pelo Sistema de Seleção Unificada levou Hélio a uma graduação de alta concorrência, mas o resultado não surgiu de uma preparação isolada, pois matemática, física e ciências já ocupavam espaço central em sua rotina no Centro Estadual de Tempo Integral Augustinho Brandão.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Segundo a Secretaria de Estado da Educação do Piauí, principal fonte desta reportagem, o contato frequente com olimpíadas acadêmicas ajudou o jovem a aprofundar conteúdos, enfrentar provas mais complexas e desenvolver uma relação constante com o estudo para além das aulas regulares.
Em vez de restringir a preparação ao horário escolar, Hélio aproveitava períodos livres para resolver questões, revisar conteúdos e treinar para competições, sobretudo as ligadas à matemática, transformando uma atividade de interesse pessoal em uma sequência consistente de resultados nacionais.
Mesmo com a dedicação aos números, a rotina não se limitava aos livros, já que o estudante também toca teclado e violão, além de ouvir forró, brega e canto sacro nos intervalos entre compromissos escolares e momentos reservados ao lazer.
Quatro medalhas de ouro nacionais
Entre as principais conquistas aparece uma medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas, conhecida como OBMEP, além de outro ouro na Olimpíada Nacional de Ciências, resultados que ampliaram a projeção de seu desempenho acadêmico na rede estadual.
Na física, o estudante alcançou duas medalhas de ouro na Olimpíada Brasileira de Física das Escolas Públicas, a OBFEP, competição direcionada a alunos das redes públicas e responsável por consolidar uma parte importante de sua trajetória nas disputas científicas.
Somados, os quatro ouros nacionais foram obtidos em três áreas diferentes do conhecimento, enquanto outras participações, como o Canguru de Matemática e o Torneio de Matemática das Escolas Estaduais do Piauí, acrescentaram experiência em provas, raciocínio lógico e interpretação.
Uma das premiações em física ganhou relevância especial porque Hélio recebeu, ainda durante o ensino médio, a primeira medalha de ouro nacional do Piauí na OBFEP, conforme registro divulgado pela Secretaria de Educação do estado.
Esse desempenho colocou o jovem de Cocal dos Alves entre os destaques da rede pública piauiense e fortaleceu um percurso acadêmico que já reunia preparação contínua, participação em diferentes competições e resultados reconhecidos fora do ambiente cotidiano da escola.
Intercâmbio educacional nos Estados Unidos
Além das medalhas, o rendimento escolar abriu uma oportunidade internacional por meio do programa Do Piauí para o Mundo, iniciativa destinada a estudantes de destaque da rede estadual que levou Hélio a participar de um intercâmbio educacional nos Estados Unidos.
Durante a experiência no exterior, o estudante teve contato com outra metodologia de ensino, novas referências culturais e diferentes formas de aprendizagem, elementos que ampliaram sua visão acadêmica e acrescentaram segurança à preparação realizada para o Exame Nacional do Ensino Médio.
Ao relatar a viagem à Secretaria de Educação, Hélio afirmou que o período fora do Brasil aumentou sua confiança nos estudos, especialmente na preparação para o Enem, conectando o intercâmbio ao desempenho que vinha sendo construído nas olimpíadas e nas atividades escolares.
Aprovação em Medicina na UFDPar
Embora o currículo do jovem estivesse fortemente ligado à matemática e à física, a escolha pela Medicina foi associada por ele à afinidade com a área e à busca por um desafio acadêmico de grande alcance profissional e social.
Quando o resultado do Sisu foi divulgado, seu nome apareceu entre os aprovados para Medicina na Universidade Federal do Delta do Parnaíba, instituição pública localizada em Parnaíba, no litoral piauiense, onde começaria uma formação universitária de longa duração.
A vaga representou a passagem das competições escolares e da preparação para o Enem a uma graduação que reúne ciências biológicas, atendimento a pacientes e formação clínica, mantendo o mesmo nível de dedicação que havia marcado sua trajetória na educação básica.
Apoio familiar e incentivo da rede pública
Por trás da aprovação, o apoio familiar também teve papel importante, já que Hélio relacionou o resultado ao incentivo recebido dos pais, às oportunidades oferecidas pela escola pública, às experiências acumuladas nas olimpíadas e à participação no intercâmbio internacional.
Enquanto a mãe trabalha como professora, o pai atua de forma autônoma na lavagem de carros, e essa origem familiar passou a integrar uma história construída entre o interior do Piauí, as competições acadêmicas e a conquista de uma vaga em universidade federal.
No Centro Estadual de Tempo Integral Augustinho Brandão, o contato contínuo com avaliações acadêmicas ajudou a formar um percurso que foi além de uma única prova, pois cada participação acrescentou treinamento, repertório e familiaridade com desafios de diferentes níveis.
Para o secretário estadual da Educação, Rodrigo Torres, histórias como a de Hélio se relacionam ao ensino em tempo integral, ao incentivo às olimpíadas e ao acompanhamento pedagógico da rede pública, fatores destacados após a divulgação da aprovação em Medicina.
A avaliação também ressaltou a capacidade de estudantes de escolas estaduais disputarem vagas em cursos de alta concorrência, especialmente quando encontram orientação, oportunidades de aprofundamento e condições para transformar o desempenho escolar em resultados acadêmicos de alcance nacional.
Reunindo premiações em três áreas, experiência educacional internacional e ingresso em Medicina por uma universidade federal, o caso de Hélio combina conquistas que normalmente aparecem separadas, todas construídas a partir da rotina de um aluno da rede pública do interior.
Quantos outros estudantes de escolas públicas poderiam transformar horas vagas em oportunidades semelhantes ao receber acesso contínuo a orientação, competições acadêmicas e experiências educacionais capazes de ampliar suas perspectivas dentro e fora da sala de aula?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

